Estudos conduzidos com poedeiras submetidas à muda convencional (jejum por determinado período) indicaram o efeito adverso desse tipo de prática utilizada na avicultura de postura comercial sobre a mineralização óssea e demais propriedades qualitativas de inte-gridade óssea. A incidência de fraturas ósseas em poedeiras comerciais durante a fase de produção, depopulação, abate e processamento tornou-se grande preocupação para o setor de ovos por estar implicada com variáveis de bem-estar e impactar negativamente a comercialização dessas aves em final de ciclo de postura. Nesse sentido, a busca de protocolos alternativos de muda induzida que visem o alcance de resultados de desempenho similares aos obtidos quando se emprega a muda convencional e que reduzam o comprometimento dos ossos e consequentemente melhorem o bem-estar das aves deve basear-se em índices fisiológicos e de desempenho. A interface das áreas envolvidas constituir-se-á em referencial decisivo para que o método de indução à muda possa ser plenamente aceito e adotado na cadeia de postura comercial.
Na presente publicação, são apresentados uma revisão sobre o tema com ênfase em resultados de pesquisa realizadas envolvendo protocolos de muda alternativos ao regime convencional com relação à qualidade da casca e integridade óssea de poedeiras comerciais.
Osteoporose em poedeiras comerciais
Fraturas ósseas devido à osteoporose constitui-se em um dos mais sérios problemas do sistema esquelético nas atuais linhagens de aves de postura comercial.
O risco do desenvolvimento dessa doença metabólica é dependente entre outras va-riáveis, do pico da massa óssea alcançado du-rante o crescimento e posteriormente, à perda dessa mesma massa óssea durante a fase adulta. Devido ao fato das fraturas possuírem causas multifatoriais, a abordagem da fragilidade óssea em poedeiras também necessita ser explorada sob diferentes aspectos e em idades distintas.
Nas atuais linhagens de postura comercial, a manifestação da osteoporose é atribuída a duas causas básicas: à seleção genética para alta produtividade (número de ovos produzidos) que as aves foram submetidas durante longo período de tempo e ao confinamento em gaiolas. Além disso, a fragilidade óssea devido à osteoporose possui implicações no bem-estar das poedeiras. Fraturas são extremamente indesejáveis por causarem sofrimento às essas aves considerando particularmente o período em que são manipuladas mais inten-samente durante a depopulação dos aviários e anterior ao abate. Adicionalmente, perdas econômicas implicadas à segurança alimentar ocorrem durante o processamento das carcaças, quando fragmentos pequenos de ossos fraturados permanecem na carne processada, inviabilizando sua comercialização.
Quando as poedeiras iniciam a fase de produção, há uma perda progressiva de osso estrutural e concomitantemente, há formação de um tipo especial de osso (osso medular), apenas encontrado em aves sexualmente maduras, o que vem ocultar a real progressão da perda óssea. Outras variáveis que compõe a condição da fragilidade óssea é o longo período durante o qual as aves permanecem na condição reprodutiva, resultando na condição de osteoporose bastante avançada ao final da postura.

