A recente desvalorização do Real, que se mantém, ainda não conseguiu fazer efeito importante no resultado da balança comercial brasileira. Mesmo porque o mercado externo, para muitas empresas, desapareceu na esteira da falta de crédito para exportação. Assim, de nada adianta ter um câmbio favorável se não há mercado. Nos primeiros 10 meses deste ano, o saldo de nossa balança comercial ficou em US$ 20,84 bilhões, ou seja, 39,6% abaixo do saldo do mesmo período do ano anterior, quando o mesmo atingiu a US$ 34,37 bilhões. Nesse contexto, as exportações ainda cresceram 27,3%, passando a US$ 169,37 bilhões nesses 10 primeiros meses de 2008. Todavia, as importações aumentaram 50,8%, atingindo a US$ 148,52 bilhões. No acumulado de 12 meses (novembro/07 a outubro/08) o saldo final da balança comercial brasileira chega a US$ 26,5 bilhões, contra US$ 42,7 bilhões registrados entre novembro/06 a outubro/07. Ou seja, um recuo de 38,1% no período. E a primeira semana de novembro não mudou a tendência. O saldo comercial na média por dia útil caiu 5,6% em relação ao mesmo período de 2007, com as exportações crescendo 18,5% e as importações aumentando 22,6%. Tal realidade deverá colaborar fortemente para um déficit na balança de transações correntes neste ano, gerando um enfraquecimento, após alguns anos positivos, nas contas externas nacionais, exatamente num momento pouco recomendável, quando a economia mundial entra em forte crise.
A fusão Itaú-Unibanco
A recente fusão entre estes dois bancos brasileiros vai na lógica da economia de mercado que o mundo vive nos últimos quase 30 anos. Na medida em que empresas enfraquecem outras assumem o controle de seu mercado. Na medida em que o mercado exige, empresas se unem para criar mais força de competição, e assim por diante. No caso da citada fusão, além de ser criado o maior banco da América Latina, estamos diante da quarta maior empresa em valor de mercado desta mesma América, com US$ 41,32 bilhões. A mesma somente é superada pela Petrobrás, com US$ 109,4 bilhões em valor de mercado; Vale do Rio Doce com US$ 67,9 bilhões e a mexicana América Móvil, do ramo de telecomunicações, com US$ 54,5 bilhões. Aliás, das 10 maiores empresas latino-americanas em valor de mercado, no final de outubro, seis eram brasileiras, três mexicanas e uma colombiana (cf. Economática). Por outro lado, o ativo total do novo banco chega a R$ 575,1 bilhões. O que talvez pouco tenha se divulgado é que, apesar das negociações em torno da fusão já estarem ocorrendo há mais de um ano, foi a crise financeira internacional que acelerou o processo na medida em que o Unibanco passou a encontrar dificuldades operacionais (sucessão, limitação de crescimento, gerenciamento da Caixa Geral de Depósitos, adquirida em Portugal em 2005). Assim, a concorrência no setor irá aumentar! Não é por nada que o Banco do Brasil já está adquirindo a Nossa Caixa, o Banco de Brasília (BRB), um banco no Piauí e fala-se igualmente na aquisição do Votorantim, além de anteriormente ter assumido o Banco do Estado de Santa Catarina (BESC).
O G20 econômico em ação
Em tempos de negociação comercial multilateral, no seio da OMC, era muito falado o G20, grupo de países emergentes liderados pelo Brasil, Índia e China, visando a criação de um forte contraponto às posições comerciais dos EUA e da União Européia na Rodada de Doha. Agora, estamos diante de outro G20, que já existia, porém, não chegava a empolgar. Trata-se do encontro das principais economias do mundo, que se reúne no mês de novembro para discutir assuntos da economia global. Neste ano, uma primeira reunião, em São Paulo, puxada pela crise financeira internacional, objetivou preparar a reunião principal que ocorre nesse final de semana (14 e 15/11/2008) em Washington (EUA). O tema é recorrente: encontrar de forma coordenada um caminho para solucionar a enorme crise financeira em que o mundo se colocou. No bojo de tais negociações, o mundo deverá assistir a reestruturação de entidades como o FMI e o Banco Mundial, que diante da enormidade da crise se viram sem recursos para intervir na mesma, ou até mesmo a criação de algo novo. Em São Paulo, mais uma vez não houve a tomada de medidas concretas, apenas retórica. Afinal, o mundo continua sacudido pelo tremor e um tanto desorientado. O Brasil levará à reunião três propostas interessantes, pertinentes, embora não originais: reformulação e maior presença dos países emergentes no FMI e Banco Mundial; a criação de um mecanismo de alerta de risco pelo FMI ou por um novo órgão de supervisão global a ser criado; maior transparência nos balanços das instituições financeiras.
A vez da china
A crise financeira internacional faz a China reagir igualmente, diante da clara possibilidade de sua economia frear mais do que o desejado. O governo oriental acaba de anunciar um pacote de US$ 586 bilhões para dinamizar sua economia em 2009 e 2010. O mercado pouco reagiu ao fato, julgando que tal reação possa ser insuficiente no contexto da realidade chinesa. No geral, o mundo começa a se habituar à crise, embora a mesma continue corroendo as economias e causando estragos. Um perigo a mais no horizonte!