Isto ocorre particularmente por dois motivos, apesar do câmbio desfavorável. Em primeiro lugar, os preços internacionais das principais mercadorias agrícolas e minerais cresceram muito neste último ano. Em segundo lugar, quem se mantém exportando é principalmente grandes empresas, as quais conseguem compensar o menor ganho em reais, por utilizarem componentes importados que se tornaram muito mais baratos devido justamente ao Real forte. Todavia, esta não é a realidade do setor agrícola gaúcho. Enquanto os preços de seus principais produtos, a começar pela soja, estaciona devido ao câmbio, mesmo com as cotações em Chicago muito altas, os preços dos insumos utilizados nas lavouras subiram significativamente, graças a oligopólios organizados das empresas fabricantes. Para se ter uma idéia da realidade, a partir de uma base 100, em agosto de 1994, os preços recebidos pelos produtores gaúchos chegaram a um índice de 305,4 em novembro de 2006. No mesmo período, e a partir da mesma base, os preços pagos por estes produtores registraram um índice de 384,1 (cf. FGV). Ou seja, uma defasagem de 25,8% no período. Neste sentido, confirma-se o alerta feito ainda no início da última safra de verão. Mesmo com o clima favorável e uma safra cheia, em termos de volume, não se pode cair em euforia, pois a mesma depende de uma outra equação, bem mais complicada: a relação custo/benefício das diferentes atividades primárias. Esta relação, embora os preços médios melhores em relação ao ano passado, continuou muito ruim, penalizando o setor. Neste contexto, não adianta prorrogar as dívidas agrícolas, coisa sabida há anos. É preciso medidas firmes de compensação às perdas cambiais, tais como, por exemplo, isenção de impostos sobre a produção e abertura comercial à importação de insumos.