Apesar da continuidade da sobrevalorização do Real (a média anual, até o dia 20/04/11, foi de R$ 1,65, contra R$ 1,79 no mesmo período do ano passado), a balança comercial brasileira se mantém positiva. Até o dia 17/04 as exportações nacionais alcançavam US$ 62,10 bilhões, contra US$ 57,87 bilhões de importações. Com isso, o saldo comercial, nesses quase quatro primeiros meses de 2011 alcança US$ 4,23 bilhões. Os números surpreendem positivamente, já que diante do comportamento cambial, se esperava uma redução no saldo. Ora, em comparação ao mesmo período do ano passado, o mesmo melhorou em 170,2%, a partir de um crescimento de 31,4% nas exportações e de 26,7% nas importações. Alguns motivos poderiam explicar essa performance que, a julgar pelo câmbio, se caracteriza como um contra-senso. O primeiro deles é que o país voltou a se beneficiar, junto às matériasprimas que exporta, de preços internacionais mais elevados, após importantes recuos no primeiro semestre de 2010. Assim, os semimanufaturados registraram um crescimento de 44% em valor, apenas nos primeiros 17 dias de abril. Já os produtos básicos aumentaram em valor, no mesmo período, 38%. Nesse grupo, até mesmo o trigo em grão colaborou (o Brasil, no atual ano comercial já exportou mais de um milhão de toneladas do cereal), além das carnes, do farelo de soja, do café em grão, minério de ferro e petróleo bruto. O segundo motivo estaria no fato de que aos poucos a economia nacional vem freando seu ímpeto e, com ele, as compras externas.
Balança comercial positiva (II)
Obviamente, as menores compras externas não se dão em todos os produtos. Assim, apenas em abril, adubos e fertilizantes tiveram suas importações aumentadas, em valor, em 82,7%. Os produtos farmacêuticos em 53%. Os produtos ligados a borracha 44,9%. Veículos, automóveis e partes avançaram 38,9% e equipamentos ecânicos 34,5%. O terceiro motivo encontra-se no fato de que nossas exportações estão cada vez mais concentradas em grandes empresas, muitas transnacionais. Ou seja, as pequenas e médias empresas nacionais, nesse nível de câmbio, há muito já deixaram de exportar. Esse aspecto nos remete ao quarto motivo. As grandes empresas conseguem manter seu mercado externo porque se valem da importação de componentes mais baratos graças ao câmbio. Assim, seu custo de produção é mais reduzido, graças ao câmbio na importação de componentes, fato que permite absorver o choque negativo da sobrevalorização do Real na exportação. Desta forma, se estamos melhorando o saldo comercial, mesmo diante de um Real cada vez mais sobrevalorizado, estamos igualmente concentrando nossas vendas externas nas mãos de poucas empresas. Para se ter uma ideia desta concentração, cerca de 100 empresas representaram ao redor de 90% de tudo o que exportamos em 2010 (US$ 201,9 bilhões), sendo que apenas 10 delas ficaram com 31,67% do total vendido ao exterior. A liderança, no ano passado, ficou com a Vale (11,91% do total), seguida da Petrobrás com 9,01%, da Bunge com 2,13% e Embraer com 2,05%.