Contrariando as tendências iniciais, a balança comercial brasileira, em abril, apontou um resultado final positivo. No mês, o saldo foi de US$ 3,71 bilhões, com exportações de US$ 12,32 bilhões e importações de US$ 8,61 bilhões.
No acumulado do ano (quatro meses), graças ao resultado de abril, o saldo é de US$ 6,72 bilhões, com exportações de US$ 43,5 bilhões e importações de 36,8 bilhões. E isso que o mundo se encontra em quase recessão econômica, com os principais países teoricamente reduzindo seu consumo interno e suas compras externas.
Assim, numa tendência de 12 meses, nesse ritmo, o saldo final pode muito bem ultrapassar a projeção inicial de US$ 14 bilhões para 2009, o que seria muito bom para o país. A pergunta que se pode fazer, diante desses números, é se o Brasil estaria efetivamente escapando da crise mundial ou se a crise, talvez, não seja tão forte como os demais números da economia mundial informam.
Para responder tais indagações, mesmo que parcialmente, é preciso outros dados estatísticos. Em primeiro lugar, se compararmos o que ocorreu em abril de 2009 com abril do ano passado, verifica-se que as exportações decresceram 8% e as importações 26,6%. Ou seja, o real, hoje bem mais desvalorizado, tem auxiliado o comércio exterior nacional.
Além disso, pela própria existência da crise, as compras brasileiras, que são muito mais de bens de consumo duráveis e de capital, caíram significativamente, enquanto nossas vendas, centradas mais em commodities, ainda se mantiveram firmes.
Isso pode ser ratificado pelo resultado da comparação entre abril e março de 2009 onde, pelo resultado médio diário, as exportações aumentaram 14,8% em abril, enquanto as importações recuaram 5,6% e o saldo cresceu 130,4%.
Balança comercial surpreende (II)
Todavia, tais números não permitem ainda muita euforia. Isso porque na variação do quadrimestre, comparando um ano com o outro, mesmo que o saldo tenha registrado um ganho de 51,3%, as exportações, na média por dia útil, recuaram 16,5%, enquanto as importações caíram 22,8%.
Com isso, a corrente de comércio registrou uma média negativa de 19,5%. Além disso, a variação percentual anual (maio-abril) do saldo final em 2008/09 é negativa em 15,1%, em relação ao ano de 2007/08.
Isso porque, embora as exportações do atual ano superem em 13% as registradas em maio 07/abril 08, as importações continuaram ainda muito mais elevadas, registrando um crescimento, no período, de 19,4%.
Enfim, em termos anualizados, o saldo do ano anterior foi de US$ 31,6 bilhões, contra um saldo de US$ 27,06 bilhões no ano compreendido entre maio/08 e abril/09. A questão agora é esperar para verificar se o bom comportamento de abril confirme uma tendência nos meses vindouros.
De imediato, pode-se julgar que seja um tanto difícil já que o câmbio vem levando o real a novas valorizações neste início de maio, obrigando o Banco Central brasileiro a entrar no mercado comprando dólares, algo que não ocorria há algum tempo (no dia 06/05, mesmo com a intervenção do Banco Central na véspera, o câmbio operava em R$ 2,11, contra R$ 2,20 na média de abril passado e R$ 2,44 no dia 02 de março passado).
Por outro lado, é natural que as exportações cresçam mais nesse momento do ano, quando entram nossas safras agrícolas no mercado. Entretanto, não se pode perder de vista o fato de que a China voltou a acelerar suas compras externas, favorecendo o Brasil.
A questão é que nada permite garantir que o movimento chinês se traduza em algo estrutural. Aliás, em termos mundiais, há o risco de que a retomada atual de alguns mercados seja apenas um soluço.