Os brasileiros que investem em ações, através da Bovespa, vêem confirmadas as tendências de que 2008 seria um ano difícil. Após ganhos exagerados entre 2004 e 2007, quando anualmente o índice médio chegou, em alguns momentos, a superar 40%, em 2008 os sete primeiros meses indicam um acumulado de perdas ao redor de 13% em média, não havendo muitas perspectivas de grandes melhoras até o final do ano. No fundo, a economia brasileira já há tempos não está mais descolada do resto do mundo, sofrendo em cheio a crise do setor imobiliário nos EUA (subprimes), a qual completa um ano nesse mês de agosto. Na Bolsa de Nova York, por exemplo, o índice S&P 500 recuou de pouco mais de 1.500 pontos, no início de julho de 2007, para cerca de 1.200 pontos em meados de julho de 2008. Um recuo ao redor de 20% em pouco mais de um ano. Por trás desta situação bursátil está a degradação dos balanços bancários. A grande maioria dos bancos mundiais acusa prejuízos enormes, que levam a um recuo sensível nas fontes de financiamento junto ao sistema produtivo. Isso provoca a venda de ações para cobrir prejuízos. Como esses bancos e outras instituições haviam apostado muito em países emergentes, caso do Brasil, nesses últimos anos, agora estes países são os primeiros a assistirem a uma saída importante de recursos de suas Bolsas. Tais recursos irão cobrir os déficits nos centros maiores do mundo. Ao mesmo tempo, e mais preocupante, embora já alertado desde a segunda metade do ano passado, tal crise reduz a disponibilidade de recursos para investimentos no mundo, fato que naturalmente deverá provocar um crescimento econômico menor. O Brasil começa a perceber isso, embora muitos, e talvez o próprio governo, não estejam preparados suficientemente para tal realidade.
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