Também com tais tecnologias, proximamente, nossos grandes complexos de eucalipto do interior, ou mesmo de locais que chovam abaixo de 1.200 mm/ano (o menor nível para a celulose), serão inteiramente viabilizados ao poderem produzir, de forma sustentável, elevados volumes de diesel sintético mais eletricidade e/ou mais gases industriais raros e, melhor, próximos às cidades do interior e em franco desenvolvimento, ou mesmo para exportações.
Vejamos as definições e as possibilidades reais (não mais experimentais) de cada configuração tecnológica:GASEIFICAÇÃO - Processo que converte materiais que contêm carbono (hidrocarbonetos) em monóxido de carbono mais hidrogênio, ao reagir os materiais a altas temperaturas (> 700°C) com uma quantidade controlada de oxigênio. A mistura gasosa resultante é chamada de gás de síntese, sendo matéria prima para inúmeros processos e aplicações industriais.
GÁS DE SÍNTESE - Gás de síntese criado durante o processo de gaseificação. O gás de síntese é limpo e a razão de hidrogênio e monóxido de carbono é ajustada antes da conversão para combustível sintético no processo F-T.
FISCHER-TROPSCH (F-T) - Reação química catalisada na qual o monóxido de carbono e hidrogênio são convertidos em hidrocarbonos líquidos de várias formas. O processo F-T é uma tecnologia já estabelecida e aplicada em larga escala ao carvão e ao gás natural.
BIOMASSA-PARA-LÍQUIDOS (BIOMASS-TO-LIQUIDS, BTL) - Combustíveis sintéticos produzidos a partir do gás de síntese da transformação e liquefação de componentes da biomassa. Sua fonte de matéria prima pode ser a biomassa, mas também uma série de resíduos orgânicos, urbanos e industriais, inclusive lixos, esgotos, restos culturais, serapilheira etc. Uma vantagem deste processo é a possibilidade de se produzir combustíveis similares aos fósseis (chamados de diesel sintético). Portanto, podem ser usados nos sistemas existentes de distribuição de combustível e motores padronizados, ao contrário do que acontece com o biodiesel.Também, não reduzem a produção de alimentos e não contribuem para a ainda maior fome dos povos.
WELL-TO-WHEELS (ciclo de vida completo dos biocombustíveis, desde a origem à descarga do automóvel) - Os biocombustíveis têm o potencial de diminuir as emissões de gases do efeito estufa porque as plantas das quais são feitos absorvem CO2 durante o crescimento. O levantamento do impacto do ciclo de vida é chamado de estudo well-to-wheels e calcula o valor líquido de CO2 emitido/retirado da atmosfera entre o crescimento da planta e as emissões da descarga dos veículos.
No Mundo e no Brasil, alguns cientistas, Entidades e Empresas, ainda continuam negando tais realidades já pujantes em países concorrentes, mas, no final de 2010, o BNDES (o Banco de Desenvolvimento do Brasil) publicou importante e completo estudo em português e em que recomenda a necessidade de o País e de suas Empresas ficarem mais atentos às tais possibilidades e riscos (vide em: http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/conhecimento/bnset/set32101.pdf). Concluindo, resta a pergunta: Como e quais de nossas Empresas Energéticas (incluindo usinas de cana e petroleiras) estão, realmente, preparadas para tais realidades e concorrências?