No etanol, as tarifas aplicadas sobem a 63% na União Européia, 40% na China, 39% nos EUA, 30% na Índia, 27,2% no Japão e 20% no Brasil (tarifa externa comum do Mercosul). Em quinto lugar, no que diz respeito ao biocombustível de óleos vegetais, alguns problemas se colocam: 1) trata-se de processar grãos nobres da área alimentícia, a serem produzidos em terras muito caras no sul do Brasil, fato que os torna pouco viáveis em relação a mamona, pinhão manso e outras opções. O problema é que estes últimos não se viabilizam em terras caras como as nossas; 2) as oleaginosas geram um forte teor de farelo, que precisará ser escoado, complicando ainda mais a competitividade do produto (a soja, inclusive, é o grão que maior teor de farelo gera); 3) a extração do biodiesel ainda é cara, mesmo aos preços atuais do petróleo; 4) a produção exige escala, fato que inviabiliza tal alternativa junto às pequenas e médias propriedades, base da economia do sul brasileiro; 5) os preços diretos do produto se movimentam pouco, exigindo uma mistura de 10% a 20% para ter um mínimo de atratividade. Por enquanto, o Brasil espera misturar 5% até 2010; 6) para viabilizar o processo há necessidade de desoneração tributária sobre o produto; 7) a Petrobrás dificilmente deixará de ter o controle sobre a produção, fato que pode inibir os projetos privados regionais de extração; 8) o preço do petróleo pode recuar no médio prazo, colocando em xeque a competitividade desta alternativa energética; 9) enfim, os volumes utilizados ainda são baixos (lembramos que a Europa faz tentativas de utilizar o biodiesel a partir da colza desde meados dos anos de 1980). Em síntese, os desafios são enormes para viabilizar a proposta de biocombustível e, para a estrutura agrária sul brasileira, a mesma está longe de ser evidente.
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