O biocombustível vem sendo tratado como uma redenção para a produção primária brasileira em geral. No sul do país, a soja vem sendo citada como fonte potencial deste novo produto energético. Tudo isto devido a forte elevação dos preços internacionais do petróleo, neste momento novamente ao redor de US$ 65,00/barril. Todavia, torna-se importante destacarmos alguns pontos essenciais, a fim de tirarmos conclusões melhor embasadas a respeito. Em primeiro lugar, apenas 14% da matriz energética mundial é renovável. Os outros 86% são não-renováveis. O Brasil, por sua vez, possui 44% renovável e 56% não-renovável. Ou seja, temos sim um forte potencial gerador de energia renovável, o que é positivo. Todavia, grande parte da estrutura que temos, considerando a produção de biocombustível, é direcionada ao etanol (álcool de cana-de-açúcar). Já o biocombustível originário de óleos vegetais, conhecido como biodiesel, é um processo recente e ainda longe de ser comprovado em nosso meio, apesar do potencial de produção de oleaginosas que possuímos. Em terceiro lugar, o mercado para esta energia ocorre particularmente porque os países vêm adotando medidas compulsórias de mistura com o combustível tradicional, a qual varia entre 5% e 25%. Tal política fica à mercê dos preços do petróleo e dos grãos. Assim, basta o petróleo ter seu preço reduzido e os grãos assistirem a um pequeno aumento dos seus valores, e o processo industrial do biodiesel pode se inviabilizar economicamente. Isto já ficou evidente no sul do Brasil no final do ano de 2006. Em quarto lugar, o mercado de biocombustível é muito protegido, com os países adotando altas tarifas na importação, fato que freia melhores possibilidades de exportação aos produtores.
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