Desta forma, R$ 260 bilhões teriam sido desviados de sua real finalidade. O cálculo foi feito com base em casos catalogados nos últimos 17 anos. Dos 32% indicados, 13% seriam por desvios de finalidade (por exemplo, pontes são construídas sem estradas); 11% por superfaturamento (caso, por exemplo, do Fórum Trabalhista de São Paulo); e 8% por subtração de dinheiro público (por exemplo, pagamento de salários para pessoas que jamais freqüentam o local de trabalho nas instituições públicas). Em torno de R$ 40 bilhões, estimados pela Secretaria de Direito Econômico, seriam perdidos devido a ação de cartéis que provocam um sobrepreço de até 40% sobre o valor das compras anuais realizadas. Por outro lado, a FIESP aponta que o custo anual da corrupção no Brasil alcance R$ 26,5 bilhões a preços de 2005. Isto representaria 1,35% do PIB. O Brasil é o décimo país do mundo em PIB e o quinto na carga de tributos em relação ao seu PIB. Todavia ocupa apenas a 62ª posição no quesito de país menos corrupto e a 119ª posição na classificação de país menos burocratizado. Assim, não surpreende estarmos apenas na 63ª posição na classificação de desenvolvimento humano (IDH). Soma-se a isto o roubo direto do dinheiro público, demonstrado pelos escândalos que vieram à tona nos últimos anos e podemos compreender o porquê de nosso eterno atraso socioeconômico. Além disso, para manter a máquina pública viciada, corrupta e pouco eficiente, os governos, sem vontade ou força para sanearem o sistema, se dedicam a aumentar os impostos sobre as empresas e as pessoas. Diante disto, ainda ouvimos o Presidente da República dizer que são os brasileiros que denigrem a imagem do Brasil no exterior, ao falarem mal do país. Para quando a indignação da sociedade brasileira?