Enquanto os EUA possuem capacidade para armazenar 2,5 safras, o Brasil somente possui capacidade para armazenar 80% de sua safra, espalhados em 13.300 terminais de recebimento, sendo que 24% estariam sob controle das cooperativas. Paralelamente, torna-se importante destacar que existem ainda necessidades ligadas ao acondicionamento do produto em nossos armazéns. Segundo o Ministério da Agricultura, cerca de 10% do total de grãos colhido pelo Brasil é perdido por mau acondicionamento dos mesmos nos silos (hoje 25% da capacidade estática de armazenamento brasileira são para sacaria, representando 51% do total de unidades armazenadoras existentes). Tomando-se a atual safra, isto significa que o Brasil estaria perdendo, em 2006/07, cerca de 13,1 milhões de toneladas apenas com este problema. Isto representa praticamente toda a safra gaúcha de soja e milho, somadas, deste ano. Um absurdo! Enfim, apesar de sermos praticamente auto-suficientes na capacidade produtiva de silos, armazéns e seus componentes, e da demanda reprimida existente no país, temos sido levados a exportar para manter em funcionamento os fabricantes destes bens. Entre 1997 e 2002 o Brasil exportou US$ 53 milhões de silos metálicos e 9.000 unidades de secadores. A crise agrícola dos últimos dois anos trouxe em evidência a necessidade urgente de uma real política de armazenagem no país, sob pena de vermos desaparecer a nossa capacidade de fabricação pela desorganização do setor. Em termos médios, salvo se o Brasil renunciar em ser um dos líderes do agronegócio mundial, precisaríamos de um incremento de 10% na capacidade estática disponível para armazenar toda a atual safra, sendo que o ideal chegaria ao redor de 30% da capacidade estática total.
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