No momento em que o Brasil anuncia a sua maior safra de grãos da história, superando 131 milhões de toneladas, volta à tona um dos grandes problemas logísticos deste país: não há capacidade de armazenagem suficiente. E não só isto: o setor industrial de silos e armazéns passa por uma crise aguda. Ou seja, vivemos a contradição de estarmos diante de uma enorme demanda por armazenagem, a ponto de grandes quantidades de produto estarem sendo guardadas a céu aberto, sob lonas e plástico, enquanto a indústria do setor passa por uma crise por falta de encomendas. A região Noroeste do Rio Grande do Sul, e particularmente os municípios de Panambi e Condor, sabem muito bem do que se está aqui escrevendo. Em termos gerais, as unidades armazenadoras são edificações dotadas de condições para coletar, pré-processar e preservar quantitativa e qualitativamente os grãos. Além de silos, tais unidades contemplam secadores de grãos, equipamentos de moagem, ventiladores, transportadores e elevadores, classificadores, controladores de peso etc. No sul do Brasil, grande parte da capacidade armazenadora está organizada em torno das cooperativas agrícolas e empresas privadas. No Centro-Oeste e parte do Sudeste é possível encontrar principalmente produtores rurais possuindo silos particulares. Mesmo assim, pela desorganização logística nacional, existe muita capacidade instalada ociosa de um lado e falta de armazéns de outro lado. Na prática, precisaríamos de uma readequação da capacidade já instalada, com uma organização entre produção-transporte-armazenagem por regiões do país. Em segundo lugar, uma ação concreta de construção de armazéns nas áreas desprovidas deste sistema. Enfim, para que o processo funcione, um apoio do Estado à indústria construtora de silos e armazéns nacional.
Continuação - Brasil: o desafio da armazenagem (II)

