Quando os cientistas do IPCC divulgaram o primeiro relatório sobre o aquecimento global, a opinião pública levou um choque. Potencializada pela mídia, milhões de pessoas, como dizem os jovens, caíram na real. Isso foi bom.
Por outro lado, quando os cientistas mais extremados, para gosto das manchetes, supervalorizam o estrago ambiental, cultivam o germe do imobilismo. Um perigo. Só resta, pensa o povo, chorar o leite derramado. Isso é ruim.
Posições catastróficas ajudam a despertar os incrédulos, tanto quanto provocam paralisia mental. Contribuem para o derrotismo ecológico os cenários assustadores, elaborados a partir das previsões climáticas mais improváveis. Parece ciência, mas se resume a uma espécie de chutômetro.
O método científico exige teoria e, principalmente, possibilidade de comprovação das hipóteses levantadas. Na ciência se raciocina com probabilidades, dificilmente com certezas. Afirmar, por exemplo, que em 2100 as tormentas vão acabar com o mundo, expressa uma crença, não uma previsão científica. Se a probabilidade está em 50%, pode ocorrer, pode não vingar. Dúvida pura.
Sabe-se que no copo dágua pela metade se encontra a diferença entre o otimista e o pessimista. Para este, o copo está quase vazio. Para aquele, quase cheio. É relevante. O julgamento independe da real quantidade de água no copo. O definem valores prévios incrustados na mente das pessoas.

