Em entrevista aos órgãos de imprensa nacionais, dias atrás, o ministro Mantega afirmou, ao ser perguntado até quando o Banco Central iria atuar na compra de dólares, visando segurar a cotação acima de R$ 2,00, que "o céu era o limite". Obviamente uma força de expressão, já que o governo brasileiro, assim como encontra dificuldades para conter a desvalorização do real, quando ela ocorre, igualmente não tem caixa suficiente para segurar, por longo tempo, uma sobrevalorização do real, como está sendo o caso. A atuação do Banco Central foi importante nestes últimos meses, tendo conseguido frear a queda do dólar. A ponto de ter somado, em reservas cambiais, algo próximo de US$ 150 bilhões neste momento. Todavia, o mercado continuou pressionando, com forte entrada de dólares na economia brasileira. Isto levou, finalmente, ao rompimento do piso de R$ 2,00 na terça-feira (15/05), cotação que não era vista desde 2001. Colaborou para este movimento, de forma decisiva, o anúncio, pela agência de classificação de risco Fitch, a melhoria na nota dada ao Brasil (BB+). Com isso, em termos de risco, o país ficou a um degrau do primeiro nível do chamado "grau de investimento", graças a sua estabilidade econômica e política. Ao alcançar tal grau, teoricamente o país ficará mais acessível à entrada de capitais dos maiores fundos de pensão dos EUA e mundiais, via compra de títulos brasileiros. Tal realidade elevará ainda mais a entrada de dólares no país, forçando a continuidade da sobrevalorização do real. Neste sentido, o mercado já aponta a possibilidade do câmbio, no Brasil, fechar o ano ao redor de R$ 1,70. Um péssimo negócio para o setor exportador. Assim, na prática, o rompimento do piso dos dois reais testa se o Banco Central já encontrou o seu limite.
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