A economista e ex-ministra Dorothéa Werneck, em sua palestra em Ijuí, por ocasião do 5º Seminário Regional de Economia e Desenvolvimento (SERED) e o XXVIII Encontro de Cursos de Ciências Econômicas do Estado do Rio Grande do Sul, promovidos pelo Departamento de Economia e Contabilidade da UNIJUI e Conselho Regional de Economia, na noite do dia 21/10, defendeu a tese de que a atual taxa de câmbio no Brasil se encontra em patamar muito perigoso, porque extremamente sobrevalorizada. Neste sentido, considerou que a política de combate à inflação, que tira vantagens do atual câmbio, acaba comprometendo as futuras exportações e o saldo da balança comercial. Ora, as exportações têm sido a alavanca do crescimento econômico atual. Assim, o combate à inflação, via um câmbio sobrevalorizado, acaba comprometendo o potencial de crescimento. Neste contexto a ex-ministra tem razão. Efetivamente, o lastro do crescimento brasileiro, assim como de outros países, tem sido o comércio externo. No entanto, outro aspecto preocupa neste raciocínio. As importações não estão crescendo significativamente, em relação ao tamanho da sobrevalorização da moeda. Isto estaria significando menos investimentos por parte dos nossos industriais, menos capacitação tecnológica e, portanto, potencialmente menos possibilidade de crescimento futuro da economia e das próprias exportações. Nestas condições, em nossa capacidade produtiva estando esgotada, o que é o caso, o resultado final será uma estagnação econômica nos próximos anos. Para evitá-la, seria necessário recuperar a taxa de câmbio, ou seja, desvalorizar o real. Em isto não ocorrendo, 2006 poderá ser muito mais difícil do que se imagina.
Os Juros no Contexto
Neste contexto, um dos mecanismos para desvalorizar o real, além da atuação do Banco Central brasileiro na ponta compradora de dólares, reforçando de quebra suas reservas internacionais, é a redução da taxa de juros (SELIC). O governo brasileiro começou a fazer este movimento em setembro. Porém, o mesmo depende de muitos fatores. Em primeiro lugar, o comportamento da inflação interna. Qualquer movimento de retomada inflacionária tende a frear o recuo dos juros, pois os mesmos servem de inibidores ao investimento e, portanto, ao aquecimento da economia. Por outro lado, temos os fatores externos. Dentre eles, os juros internacionais. Neste momento preocupa a tendência de aumento dos juros nos EUA. Em o mesmo continuando, a atração de capitais internacionais será maior por parte da economia estadunidense, esvaziando parcialmente países como o Brasil. Não podemos nos manter sem tais investimentos. Assim, o Brasil tenderá a compensar a alta dos juros nos EUA com novas altas da taxa SELIC, revertendo prematuramente o movimento de baixa agora iniciado. Nos últimos anos, fomos muito mais auxiliados pela economia global do que propriamente pela realidade local. Ou seja, houve uma forte oferta de recursos externos que encontraram taxas de juros, junto aos países ricos, muito baixas (da ordem de 0,5% ao ano). Isto levou este capital a buscar os países emergentes, particularmente aqueles com juros elevados, caso do Brasil. Ora, neste momento, os juros mundiais começam a subir e a alavanca externa tende a diminuir ou desaparecer. Paralelamente, apesar da estabilidade econômica, ainda não conseguimos criar condições sustentáveis para uma economia interna forte que possa substituir o apoio externo.