Dos episódios envolvendo a carne bovina brasileira e o bloco europeu, devemos tentar extrair algumas lições e enxergar algumas realidades encobertas pela poeira levantada neste embate.
A discussão travada nestes últimos dias, ao contrário do que possa parecer, está se desenvolvendo de maneira madura.
A bancada ruralista e as entidades de classe, realizando as pressões emanadas do setor produtivo, estão sendo totalmente legítimas.
De outro lado, o Governo, através do Ministério da Agricultura, atua para manter abertas as portas do mercado para os produtos brasileiros, fazendo, para isto, um trabalho técnico e sereno, sem paixão envolvida.
A Europa é um tradicional parceiro nas compras de carne bovina brasileira, servindo ainda como uma chancela para o Brasil acessar tantos outros mercados.
O Brasil é o maior exportador mundial - tem o maior rebanho comercial e participa com cerca de 30% do mercado internacional de carne bovina -, e deve buscar, além do mercado quantitativo, também o qualitativo.
Ou seja, se a EU quer um sistema de certificação aprimorado, como fornecedores temos que avaliar o custo-benefício e este, sendo positivo, cria-se uma oportunidade. Todo produto tem seu valor. Quem exige mais, paga mais pela exigência.

