2017: Uma síntese (I)

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2017 foi (está sendo) um ano ainda muito difícil. A economia deu alguns sinais de pequena recuperação, tanto é verdade que se espera um PIB final ao redor de 0,7% (o IBC-Br do terceiro trimestre registra um crescimento de 0,58%, acumulando nos primeiros nove meses do ano um avanço de 0,61%, com ajuste sazonal, porém, no acumulado de 12 meses este índice provisório ainda indica -0,65%). Ao mesmo tempo, alguns indicadores econômicos melhoraram, caso do juro básico, da inflação e do desemprego. Entretanto, esta melhora, em muitos casos, não aponta para uma manutenção sustentável do processo.

Especialmente porque o governo fracassou no ajuste fiscal, sendo obrigado a rever para cima as metas de déficit primário até 2020. Além disso, as reformas pouco avançaram, estando a principal delas, a Previdenciária, ainda longe de se concretizar. E o fatiamento da mesma em nada resolve. Para completar o quadro, o governo nacional se enredou em escândalos de toda a ordem, enfraquecendo sua ação. O Brasil só não patinou mais porque a equipe econômica tem a confiança do mercado, já que o executivo, o legislativo, e até mesmo o judiciário, estiveram longe de preencher as necessidades do país.

Por enquanto, saímos da recessão, porém, ainda não da crise econômica. Neste contexto, ficou evidente que a crise política afetou a economia. É uma falácia considerar que a economia se descola da política. A crise que atingiu o governo Temer, a partir de maio passado, mostrou isso. E durante o restante do ano as reformas não avançaram em função desta crise e de interesses particulares de nossos governantes. Ou seja, a economia fica sempre à mercê da política, embora não haja governo que se sustente se a economia vai mal. Teremos, mais uma vez, um claro exemplo desta relação direta no próximo ano, quando haverá eleições gerais. Isso tudo porque o governo deve passar confiança ao mercado e à sociedade.

E isso não tivemos nos últimos tempos. Em 2017, embora a lógica menos intervencionista do governo, confirmou-se o que historicamente é a prática brasileira: o Estado nunca deixou de atuar firme na economia nacional. Aliás, todos os agentes econômicos clamam constantemente por mais apoio estatal, fato que confirma que nunca fomos e dificilmente seremos liberais. Esse comportamento deverá durar em 2018.

Depois, tudo dependerá do governo e Congresso que os brasileiros escolherão. Dito isso, o que precisamos é manter uma linha monetarista responsável para sairmos do "buraco" econômico, e não avançarmos novamente para um desenvolvimentismo intervencionista que comprometa as contas públicas e, por consequência, a recuperação econômica. (segue)

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