Sei que alguns devem pensar o que faço além de escrever; para estes a resposta é simples, pois, num dos meus primeiros empregos, enquanto na faculdade de engenharia, aprendi com o presidente e CEO de um dos maiores grupos construtores do país que o melhor horário para se pensar em soluções, alternativas e estratégias dos próprios negócios, além de formular as propostas para uma sociedade melhor da qual somos integrantes proativos e dependentes fundamentalmente é na madrugada, onde não há interferências externas e o raciocínio está limpo e descansado.
Tal procedimento o utiliza há muitos anos e assim sempre disponho de meus "tempos" para o necessário. Em no máximo trinta minutos redigirei este artigo, portanto, é muito pouco para o tanto que desejo bem para esta atividade e nada me custa, além do prazer.
Tendo por bandeira familiar as origens no meio rural, através da qual minha família teve sua criação calcada desde os tempos das sesmarias em propriedades agrícolas e no fim do século 19 se dedicado também a atividades cafeeiras, passando pela grande depressão de 1929, a qual sentiu também os efeitos de uma profunda e comprometedora crise, tendo alguns sucumbidos e outros saíram vitoriosos, corre em meu sangue o gosto e respeito absoluto pela atividade agrícola.
Nesta tradição familiar, muitos se projetaram como grandes políticos desde o fim do período imperial , havendo senadores , deputados, prefeitos e chefes políticos, como "bons mineiros" e reforçando o conceito da política do "café com leite" no período colonial e pós este, o qual foi a base da construção econômica do Brasil. Mas evidente, que em minhas tradições, a base portuguesa e paulista, inicialmente se fizeram presentes.
Meu pai, como advogado e também funcionário público estadual foi um vitorioso, ocupando cargos e posições de comando e sempre procurando dar atenção aos problemas sociais.
Tudo isto me foi passado por gerações e hoje, em meus 57 anos de muitas experiências pessoais e profissionais, com meus êxitos e também insucessos, exercendo sempre uma isenção absoluta de interesses contrários aos temas de minhas defesas, aplico o profissionalismo completo em minhas análises e sempre com conclusões pelas quais me sinto absolutamente blindado a quaisquer tipos de ataques técnicos ou discussões quando em minhas manifestações verbais ou escritas.
Focando este segmento agrícola e em especial a cafeicultura a qual conheço profundamente, recuso a ficar em silêncio ou mesmo concordante diante de tamanhas falhas e erros profundamente comprometedores com as quais a cafeicultura de arábica entrou em sua 2ª fase de profunda recessão e possivelmente extinção.
Desta forma, procurarei citar os principais pontos que necessariamente terão de ser corrigidos para o inicio de uma pretensa recuperação. Assim como se faz com a "borracha", terão de apagar definitivamente muitos conceitos, se é que desejam alguma chance de vitória.
Com elementos comprovadamente eficientes para sustentação destas afirmativas, digo que:
1) Necessitarão apagar o modelo de gestão cooperativista existente, mudando radicalmente o perfil dos administradores, ou seja, diretoria;
2) Necessitarão apagar o modelo existente do comando da cafeicultura, colocando "sangue novo", ou seja, jovens e preferencialmente não comprometidos com vícios que por décadas emperraram o sistema, tendo por discursos apenas defender prorrogações de dívidas e se esquecendo da origem dos problemas;
3) Necessitarão abandonar os assentos destinados ao CDPC, pois este se comporta como uma torre de BABEL e quem manda sempre será o próprio "BABEL", que certamente, não defende as necessidades e interesses dos cafeicultores, porém, necessita da produção da cafeicultura;
4) Necessitarão de profissionais experientes em outras áreas além da agronômica, como:
a) Engenheiros orçamentistas, conhecedores da atividade, competentes e eficientes, para assim solucionarem por definitivo o mais critico e comprometedor de todos os problemas, localizado no estabelecimento do custo de produção, criando a condição de blindagem deste e provando sua veracidade frente às inúmeras contestações feitas por quaisquer teóricos de plantão ou carteirinha, desconhecedores da atividade, sem o mínimo preparo ou conhecimento em elaborar composições de custos que aconteçam na comparação ao realizado, deixando desta forma os cafeicultores boquiabertos e sem saída técnica;
b) Profissionais comprovadamente competentes e principalmente eficientes na área de marketing, para assumirem posições nas áreas de prospecção e estratégias de vendas, principalmente nas cooperativas de produção;
c) Profissionais competentes e principalmente isentos, nas áreas de comunicação, para assim publicarem e difundirem suas ações e estratégias, devendo para isto até mesmo utilizarem em parceria de alguma ou outra estrutura de comunicação já existente e que comprovadamente seja isenta de interesses escusos, como acontece com algumas que os bajulam, porém, por trás adoram o "diabo", geralmente anunciantes ou até mesmo o próprio "inimigo intimo" que procura boicotar contestações às suas idéias;
d) Profissionais nas áreas de pesquisa e estatísticas, para assim solucionarem o grande problema da falta de confiabilidade e credibilidade no aspecto de criação, estabelecimento e divulgação quanto a projeções de safras;
e) Engenheiros especialistas nas áreas de planejamentos estratégicos, administrativos e operacionais, para assim, elaborarem precisamente os fundamentais planejamentos da cafeicultura como um todo e dos cafeicultores de forma individual, sendo este o coração e pulmão da atividade;
f) Profissionais em negociação, para elaborar e apresentar aos políticos e governos as propostas de políticas necessárias ao desenvolvimento da atividade cafeeira.
5) Necessitarão mudar a imagem da atividade perante a sociedade civil e empresarial, deixando de lado a choradeira de costume e se mostrando como empresários dinâmicos e capazes.
6) Necessitarão apagar seus conceitos defasados e errôneos, conquistados no passado, criando e estabelecendo novos e atuais paradigmas.
7) Deverão enxergar para frente, apagando o passado e repensando em modelos dinâmicos, que envolvam diretamente em benefícios à sociedade, com retorno direto à imagem e eficiência de suas atividades;
8) Deverão agregar valor a seus produtos, focando como objetivo principal a união para efeito de industrializá-los.
9) Perceberem intenções contrárias aos acontecimentos e interesses de suas atividades, principalmente através das constantes matérias pagas e publicadas pela imprensa.
10) Não aceitarem mais entidades de controle governamental para travestidamente ingerirem seus negócios. Precisam dar um basta nisto, pois já são suficientemente órfãos de muitos pais e viciados em procurarem por mais paternidades. Parem de procurar paternalismos e desmamem deste modelo incapaz e incompetente.
11) Este será destinado a vocês, para que escrevam suas conclusões de análises, pois agora, mais do que nunca, precisarão se manifestar, se é que desejam sair deste buraco e não transformá-lo em sepultura de suas atividades.