A caixa preta do BNDES (I)

Por: Argemiro Luís Brum
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A brutal recessão que o Brasil vive é fruto de duas razões: uma enorme incompetência de gestão econômica, entre 2007 e meados de 2016, alimentada por interesses ideológicos e sanha pelo poder; e, por consequência, uma corrupção colossal que desviou dinheiro público dos investimentos nacionais, especialmente na saúde, educação e infraestrutura, onde grandes empresários se aproveitaram da fraqueza ética de muitos governantes para se apoderarem do dinheiro público em benefício próprio, inclusive no Exterior.

Esse capitalismo de compadres, como é conhecido, que agora vem à tona, tem impedido historicamente que o Brasil se desenvolva. E, parece, continuará impedindo, a julgar pelos acontecimentos políticos destes últimos tempos. Para aqueles que, por algum motivo, não conseguiram acompanhar ou entender o que se passa vamos aqui recuperar, de forma sintética, nesta e na próxima coluna, o caso da JBS. Pois esta empresa, na delação de um de seus proprietários, afirma que recorreu à corrupção a fim de obter vantagens em financiamentos no BNDES e também em negócios envolvendo os fundos de pensão da Petros, da Petrobras, e Funcef, da Caixa Econômica Federal. Juntos, o BNDES, Petros e Funcef aportaram US$ 1 bilhão na JBS, adquirindo parte da companhia.

No total, a partir de 2006 é até 2016 (governos Lula e Dilma/Temer) a JBS recebeu R$ 10 bilhões de dinheiro público e os irmãos Batista internacionalizaram os negócios, tornando a empresa JBS, sob o controle da J&F, na maior processadora de proteínas animais do mundo. No contexto da corrupção realizada, apenas o saldo das contas atribuídas a Lula e Dilma somaria US$ 150 milhões em 2014 (ZH, 20-21/05/17, p. 15).

A empresa em questão, a partir de 2007, foi uma das escolhidas pelo programa oficial “campeãs nacionais”, pelo qual empresas tiveram ajuda do governo para serem competidoras internacionais. Nos dois anos seguintes a isso, o BNDES “engordou o cofre da JBS com R$ 8,3 bilhões, por meio de compra de ações, e outros R$ 2 bilhões em crédito” (cf. ZH, 19/05/17, p. 21). Assim, a JBS, que no início do governo Lula faturava aproximadamente R$ 4 bilhões, em 2016 chegou a R$ 170 bilhões, viabilizado pelo fornecimento quase ilimitado de recursos públicos favorecidos, como se viu através do depoimento de um de seus proprietários, via pagamento de propinas e corrupção de membros do governo (cf. ZH, 24/05/17, p. 21).

Dito de outra forma, o BNDES foi transformado, nestes últimos governos, em “o maior instrumento de concentração de capital tirado à força de quem trabalha (e paga impostos) para os amigos do governo de plantão”. Portanto, a competitividade de empresas deste tipo, uma de nossas “campeãs nacionais”, não se dá pela qualidade na gestão e competitividade econômica, e sim pelo roubo do dinheiro público. (segue) 

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