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Biológicos: a nova fronteira sustentável da agricultura


Bianca Guimarães

Por Bianca Guimarães, coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo UbyAgro.

O agronegócio vive um momento de profunda transformação. Sob o impulso de novas exigências ambientais, pressões regulatórias e a busca por maior eficiência produtiva, o campo começa a adotar soluções que unem produtividade e sustentabilidade de forma concreta.

Nesse cenário, os bioinsumos — produtos formulados a partir de microrganismos, extratos vegetais e compostos naturais — vêm se consolidando como uma das inovações mais promissoras da agricultura moderna. Mais do que uma tendência, eles representam um novo paradigma de produção, em que a biotecnologia e o manejo responsável dos recursos naturais caminham lado a lado.

Nos últimos anos, o mercado brasileiro de biológicos agrícolas cresceu em ritmo acelerado, atingindo cerca de R$ 5 bilhões em vendas no varejo na safra 2023/2024, segundo dados da CropLife. O segmento registrou expansão média de 21% ao ano, quase quatro vezes superior à média global.

As principais culturas — soja, milho e cana-de-açúcar — lideram a adoção, impulsionadas por resultados técnicos consistentes, políticas públicas favoráveis e, principalmente, pelo amadurecimento do produtor rural, que tem percebido o valor da integração entre biológicos e práticas convencionais.

Em escala global, o mercado de biológicos agrícolas é estimado em torno de US$ 15 bilhões, em 2024, com projeção de crescimento contínuo até 2030. Nos Estados Unidos, por exemplo, o uso comercial de biofertilizantes e biopesticidas deve ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão até o final da década. Na Ásia, especialmente na China e na Índia, políticas de incentivo e programas de adoção em larga escala têm impulsionado a pesquisa e a aplicação desses insumos em ritmo acelerado.

No Brasil, esse avanço é sustentado por um ambiente científico altamente qualificado. A Embrapa tem sido protagonista no desenvolvimento de tecnologias biológicas aplicadas à agricultura, com pesquisas que demonstram os ganhos agronômicos e ambientais desses insumos. Ao lado dela, universidades e centros de pesquisa de referência, como a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) e a Universidade Estadual de Londrina e o Instituto Biológico, vêm ampliando estudos em microbiologia agrícola, controle biológico e saúde do solo. Esse esforço coletivo tem consolidado o país como um dos ambientes mais dinâmicos do mundo para pesquisa e desenvolvimento em bioinsumos, impulsionando soluções que aliam produtividade, inovação e sustentabilidade no campo.

E os resultados falam por si só: lavouras mais resilientes, menor dependência de insumos químicos, ganhos de produtividade sustentados ao longo do tempo. e redução de resíduos e emissões, o que se reflete em alimentos mais seguros e competitivos em mercados internacionais cada vez mais atentos às práticas sustentáveis.

O desafio, naturalmente, está em escalar esse avanço de forma consistente. A eficácia dos biológicos depende de fatores como clima, tipo de solo, manejo e formulação. Além disso, muitos produtos exigem condições específicas de armazenamento e transporte e há uma clara necessidade de capacitação técnica para garantir o uso correto e integrado dessas soluções.

Ainda assim, os sinais são inequívocos: os biológicos vieram para ficar. Eles marcam uma nova era do agronegócio — mais tecnológico, eficiente e ambientalmente consciente.

O futuro do campo será guiado por quem souber unir desempenho econômico e responsabilidade ambiental. E a adoção dos biológicos representa exatamente isso: uma agricultura que evolui sem romper com a natureza, fortalecendo o solo, o alimento e o amanhã do agronegócio brasileiro.

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