Criação de frango caipira
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Agronegócio

Criação de frango caipira

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INTRODUÇÃO
A avicultura é uma das áreas que mais têm evoluído nos últimos anos, devido a sua importância para produção e suprimento alimentar de proteína de alta qualidade. No entanto, com a mudança de hábitos alimentares dos consumidores, que cada vez mais vêm dando preferência a produtos mais naturais e saudáveis e também mostram preocupação com os possíveis efeitos da criação moderna, o Frango Caipira está novamente no mercado.

Uma dieta à base de alimentos integrais e com sabor natural, passou a fazer parte da mesa de uma parcela da população, sendo que estes alimentos têm custo de produção mais elevado se comparado à produção industrial, no caso de frangos de corte.
Por esse motivo, o Frango Caipira tem um preço de mercado maior, não competindo em escala de produção e custo com o frango industrial, mas em qualidade e sabor da carne, atendendo a uma fatia de mercado que paga mais por essas características de apelo ecológico.
Desta forma, o sistema caipira de criação de frango de corte é uma atividade em desenvolvimento, principalmente entre os pequenos e médios produtores, que têm demandado informações técnicas para produção de uma ave com características mais voltadas paro o tradicional frango de “fundo de quintal”, com carne de sabor silvestre, com menor teor de gordura, menos colesterol e mais proteína, para atender um mercado diferenciado.

PLANEJAMENTO DA CRIAÇÃO

1. A escolha das aves
A escolha da melhor linhagem deve levar em consideração o tipo de produção, ou seja, se as aves serão para corte ou para postura. É importante considerar também o local e região da criação e verificar a adaptabilidade das aves a essa região. A escolha da linhagem também passa por uma análise de mercado. Conhecer a necessidade do mercado evita o investimento em uma linhagem pouco apreciada, o que pode resultar em prejuízo ao produtor.As raças mais indicadas quanto à rusticidade, produção e manejo são:

a) Carijó (americana): raça que se destaca pela dupla aptidão, ou seja, tem boa quantidade de carne e também
é boa poedeira.

b) Rhode (amerciana): tem excelente produtividade de ovos (260/ano), mas pouco apreciada para o corte.

c) Label Rouge (francesa): conhecida como pescoço pelado, tem carne firme, menos tempo para o abate (80 a 90
dias) com peso aproximado de 2,2kg.

d) Índio: apresenta rusticidade e é considerada excelente para o corte. Tem uma agressividade mais acentuada, pois descende das raças usadas para rinha.

e) Índio Gigante: excelente para o corte e também como poedeira. Pode pesar até 4,0 kg e medir 1 metro.

2. O sistema de criação
Sistema confinado ou convencional: neste sistema as aves são criadas em galpões por todo o seu ciclo de produção. Os galpões têm paredes baixas, medindo de 30 a 50 cm de altura, com telas e cortinas plásticas, para garantir um melhor controle de chuvas e ventos. A lotação ideal de cada galpão varia conforme a construção do mesmo e o clima, normalmente trabalha-se com 9 a 12 aves/m2. O comprimento destes galpões é variável, mas a largura não deve ultrapassar os 12 metros para uma melhor aeração. O ciclo de produção médio deve ser de 49 a 60 dias, com limpeza, desinfecção e descanso de no mínimo 14 dias, sendo que o tempo gasto para criação de um lote é de 63 a 74 dias. Portanto cada galpão poderá ser utilizado para criação de 5 a 6 lotes/ano.
Sistema semi-confinado:
Neste sistema as aves são criadas até 2 ou 3 semanas de vida em galpões fechados protegidos de predadores, ventos, frio e chuva, sendo que após este período, as aves têm acesso a piquetes com área de 3 a 5 m2 por ave. Nestes piquetes as aves adquirem o hábito de ciscar, comer sementes de capim, insetos e ainda qualquer
alimentação alternativa.

3. Local e Instalação

As aves devem dormir em galpão coberto podendo contar com poleiros ou piso ripado suspenso, maravalha ou palha de arroz no chão. O galpão além de ser fonte de água e comida das aves durante o dia, passa a ser à noite, o refúgio contra predadores. As construções devem ser de fácil acesso, facilitando a entrada e saída de pintos, ração, cama, gás, etc. A água deve ser de boa qualidade e quantidade. O local para instalação do galpão do galinheiro deve ser seco e livre de inundações, com proteção natural contra ventos fortes (como árvores, bambus), com facilidade de acesso à água e, no mínimo, a uma distância de 50 metros da residência. É fundamental ter cuidado com o fluxo de trânsito e de pessoas para evitar a contaminação e transmissão de doenças.

Para a construção do galinheiro, pode-se seguir as seguintes informações:

a) O local seco e ligeiramente inclinado para facilitar a limpeza e a desinfecção.

b) A orientação dos galpões deve obedecer o sentido leste-oeste, com a finalidade de evitar a incidência de sol diretamente sobre as aves.

c) Os galpões devem ter aberturas laterais para as aves terem acesso à pastagem.

d) O piso pode ser de terra batido ou concretado.

e) Paredes laterais – 30 cm de altura (alvenaria ou tábuas), o restante colocar tela 1,5” fio 18, trelissa, bambu ou madeira. A tela deve ir até o teto.

f) Cobertura: telha de amianto, telha de barro.

g) Dentro do galpão a capacidade deve ser de 8 a 10 aves por m² para aves de corte.

h) Dentro do galpão a capacidade é de 5 a 7 aves por m2 para aves de postura.

i) Na área de pastagem o indicado é uma ave para cada 4 m².

j) Pé-direito: o mais indicado é 3 metros, existindo também de 2,60 a 2,80m. O pé-direito mais alto favorece a melhor ventilação do galpão.

É importante que se tenha um local apropriado para a armazenagem da ração para evitar o acesso de roedores. Além disso, a proteção contra a chuva e o sol possibilitam um melhor aproveitamento do alimento que não se deteriora facilmente. Os mais indicados são os silos de armazenagem ou os baús fechados que são abertos apenas no momento da alimentação das aves. Os abrigos também são uma opção, mas elas facilitam o acesso de roedores.
CRIAÇÃO DOS PINTOS
1 - CAMA

Vários materiais poderão ser usados como cama, destacando-se como melhores: sabugo de milho triturado, maravalha, casca de arroz, capim napier (maduro, sem as folhas, triturado e bem seco). A cama deve ter uma altura de 3 a 5 cm para melhor absorção de umidade.

A casca de amendoim e o bagaço de cana devem ser evitados, devido à problemas com micotoxinas. A maravalha de madeira de lei também deve ser evitada em virtude de seu alto nível de tanino e sua facilidade de lascar.

Basicamente, uma cama deve seguir os seguintes requisitos para ser considerada de boa qualidade:

a) Altamente absorvente;

b) Macia e compressível;

c) De fácil aquisição e preço acessível;

d) Livre de fungos e substâncias tóxicas;

e) Aproveitável como subproduto (adubação, alimentação de gado, peixes, etc.).

2 - EQUIPAMENTOS

Recomenda-se utilizar círculo de proteção (chapa prensada ou laminados tipo eucatex) com cerca de 60 cm de altura e 2,50 metros de comprimento, utilizando-se de 3 a 4 chapas para cada 500 pintos, prendendo as mesmas com grampos de madeira ou metal, sobrepondo as pontas para que se possa regular a área do círculo.

Utilizar comedouros e bebedouros infantis específicos para pintos dando preferência a modelos que dificultem o desperdício e impeçam ao pinto defecar sobre a ração.
A temperatura ideal para os pintos é de 30 à 33oC, e os equipamentos localizados na área delimitada pelo círculo, nos primeiros dias de criação.

3 - CHEGADA DOS PINTOS

Antes do recebimento dos pintos, certificar-se de que o galpão e os equipamentos estão limpos e em boas condições de funcionamento. Abastecer com água e ração e ligar a fonte de calor, antes de soltar os pintos no círculo de proteção. Colocar os pintos dentro do círculo e assegurar-se de que os mesmos tenham localizado a água e a fonte de calor, e em seguida eliminar as caixas de transporte.

Em dias quentes observar o comportamento dos pintos; se apresentarem asas e pescoço estendidos ou bicos abertos, não ligar a fonte de calor.

A partir do momento da chegada dos pintos, deve-se manter atualizados os registros sobre mortalidade, consumo de ração, vacinações, medicamentos administrados, etc;

Aumentar as áreas dos pintos a cada 2 ou 3 dias até as aves estarem ocupando todo o galpão. As ilustrações a seguir indicam como se deve manejar a fonte de calor, segundo a sua utilização.

ALIMENTAÇÃO
A ração representa 65 à 75% do custo da produção das aves, portanto deve-se ter especial cuidado na sua aquisição e na manutenção de sua qualidade. A ração pode ser comprada ou desenvolvida na propriedade. As rações comerciais já são balaceadas e desenvolvidas conforme a necessidade nutricional da ave e da sua aptidão (corte ou postura). Toda ave deve receber uma ração balanceada, pois a boa qualidade da mesma vai resultar em uma ave sadia e com ótima conversão alimentar.

As aves caipiras se distinguem das de produção industrial principalmente pelo pastejo e pela alimentação recebida. Por isso é de grande importância para os produtores que buscam uma criação natural e até mesmo orgânica uma atenção especial a este quesito. A alimentação adequada é um dos primeiros passos para se conseguir uma ave orgânica. Essa alimentação alternativa é recomendável desde que se mantenham boas condições de higiene e seja de baixo custo.

PROGRAMA SANITÁRIO

- VACINAÇÕES

O esquema de vacinação no campo vai depender da região de criação e seus desafios característicos. Geralmente as aves são selecionadas no incubatório e vacinadas no 1º dia contra doenças de Marek, Gumboro e Bouba Aviária.

- TRATAMENTO

A prevenção é o melhor e mais econômico método de controle de doenças. Envolve a adoção de normas de isolamento, desinfecção, manejo e vacinação.

PROGRAMAS DE LIMPEZA E DESINFECÇÃO DE GRANJAS
A redução ou controle ou mesmo a erradicação das doenças são objetivos que devem ser alcançados, visando proporcionar o incremento dos lucros com a criação.

As seguintes medidas devem ser tomadas para que se possa conseguir estes objetivos:

a) Deixar o galpão em descanso da criação de um lote para outro, no mínimo 14 dias.

b) Retirar a cama, lavar e desinfetar equipamentos e cortinas após cada criação.

c) Levantar as cortinas que deverão permanecer fechadas até a secagem completa das instalações.

d) Queimar as penas e detritos com lança-chamas ou vassoura de fogo, dentro e ao redor do galpão.

e) Distribuir o material da nova cama e aplicar desinfetante.

f) Varrer as instalações (teto, piso, telas, ao redor dos galpões, etc.)

g) Durante a criação, toda ave morta, enferma ou refugo deve ser retirado do galpão, sacrificada se for o caso e em seguida, incinerada ou lançada na fossa.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA estabeleceu normas para frango caipira,
através do DIPOA D.I.P.O.A. (Divisão de Inspeção de Produtos de Origem Animal) para o S.I.F. (Serviço de Inspeção Federal).

Após criteriosa avaliação dos pedidos e dos correspondentes esclarecimentos de produtos específicos, levando em conta os compromissos assumidos pelos mesmos, a Divisão de Operações Industriais – D.O.I, do D.I.P.O.A., houve por bem aprovar o emprego da designação “Frango Caipira ou Frango Colonial” ou “Frango Tipo ou Estilo Caipira” ou “Tipo ou Estilo Colonial” na identificação de frangos em cuja produção, nas suas diversas fases, sejam fielmente observadas as seguintes condições:

ALIMENTAÇÃO: Constituída por ingredientes, inclusive proteínas, exclusivamente de origem vegetal, sendo totalmente proibido o uso de promotores de crescimento de qualquer tipo ou natureza.

SISTEMA DE CRIAÇÃO (MANEJO): Até 25 (vinte e cinco) dias em galpões. Após essa idade, soltos, a campo, sendo doravante sua criação extensiva, usar no mínimo 3 metros quadrados de pasto por ave.

IDADE DE ABATE: No mínimo 85 (oitenta e cinco) dias.

LINHAGEM: Exclusivamente as raças próprias para este fim, vedadas, portanto, aquelas linhagens comerciais específicas para frango de corte.
É importante ressaltar, ainda, que na operacionalização da produção do “Frango Caipira ou Frango Colonial” ou “Frango Tipo ou Estilo Caipira” ou “Tipo ou Estilo Colonial”, devem ser atendidos os seguintes requisitos:

a) Cadastramento de todas as granjas de criação junto ao Serviço de Inspeção Federal. Deve conter neste cadastro nome e inscrição de produtor rural, capacidade de alojamento, endereço e localização (planta de situação).

b) Embora as instalações de abate possam ser as mesmas utilizadas para o Frango de Corte, impõe-se a obrigatoriedade de trabalho em turnos específicos, com a perfeita identificação dos lotes de produção diferenciados, até a sua embalagem final.
c) Os lotes correspondentes ao “Frango Caipira ou Frango Colonial” ou “Frango Tipo ou Estilo Caipira” ou “Tipo ou Estilo Colonial” deverão chegar ao estabelecimento de abate acompanhados por Certificação Especial, de responsabilidade dos produtores, garantindo expressamente todas as condições de criação, conforme acima estipulado.
d) Os lotes correspondentes “Frango Caipira ou Frango Colonial” ou “Frango Tipo ou Estilo Caipira” ou “Tipo ou Estilo Colonial” deverão chegar ao local de abate acompanhados de G.T.A. (Guia de Trânsito Animal) e anexos. Junto aos anexos o médico veterinário e ou responsável técnico deverá especificar o sistema de criação.
e) Eventualmente quando necessário, o Serviço de Inspeção Federal, poderá certificar “in loco” o sistema de criação deste frango nas granjas, fazendas ou criatórios. Atender o artigo 12 do código de proteção e defesa do consumidor, lei nº 8078 de 11 de setembro de 1990.
f) Fica estabelecido, finalmente, que a D.O.I. procederá, sempre que julgar necessário, a auditorias “in loco” incluindo as granjas de produção, para assegurar-se de que as condições fixadas no presente documento estão sendo integralmente atendidas. Dependendo do resultado das mencionadas auditorias, a presente concessão poderá ser cancelada.

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