Desde que comecei a atuar como estrategista de conteúdo digital para o agronegócio, percebi que uma das maiores preocupações de empresas e profissionais é crescer nas redes sociais. E, quando começo a conversar sobre um novo trabalho, uma das primeiras perguntas costuma ser: “Como faço para ganhar mais seguidores?”. Minha resposta geralmente vem acompanhada de outra pergunta, que considero ainda mais importante: “O que você espera que esse crescimento gere para o seu negócio?”. É a partir daí que a conversa começa.
Claro que ganhar seguidores é importante. Existem ferramentas, campanhas e estratégias para acelerar esse crescimento. Mas acredito que uma presença digital consistente precisa ser construída com criatividade, constância e, principalmente, conteúdo relevante. Afinal, de que adianta conquistar milhares de seguidores se essas pessoas não compreendem o que sua empresa oferece ou não enxergam valor nos seus produtos e serviços?
Uma pesquisa do Content Marketing Institute, em parceria com a MarketingProfs, divulgada no relatório B2B Content Marketing Benchmarks, Budgets, and Trends: Outlook for 2025, mostrou que 87% dos profissionais de marketing B2B pesquisados afirmaram que o conteúdo contribuiu para ampliar o reconhecimento das marcas. Outros 74% relataram geração de demanda ou potenciais clientes, enquanto 49% apontaram contribuição para vendas ou receitas.
Esses números mostram que produzir conteúdo pode ir muito além de conquistar visualizações. Uma boa estratégia ajuda a tornar uma marca conhecida, demonstrar conhecimento, despertar interesse e criar oportunidades comerciais. E isso começa antes de pensar em um post ou gravar um vídeo. Começa entendendo o negócio, identificando seus diferenciais e descobrindo como transformar essas informações em histórias que façam sentido para o público.
No agronegócio, esse trabalho tem particularidades. Estamos falando de produtos técnicos, serviços especializados e decisões comerciais que muitas vezes envolvem confiança e relacionamento. Uma empresa pode desenvolver uma solução extraordinária para o produtor rural e, ainda assim, ter dificuldade para explicar o que a diferencia da concorrência.
Imagine uma empresa que comercializa fertilizantes. Ela pode publicar diariamente imagens dos produtos e informações sobre suas formulações. Mas também pode criar vídeos mostrando situações práticas no campo, responder às dúvidas dos produtores e explicar como suas soluções podem contribuir para diferentes necessidades das lavouras. As duas abordagens divulgam o produto, mas a segunda oferece mais oportunidades para demonstrar conhecimento e construir uma relação com o público.
O mesmo vale para quem produz café, mel, queijo ou outros alimentos com marca própria. Mostrar a origem dos ingredientes, contar histórias da produção e explicar o que torna aquele produto especial pode despertar o interesse de consumidores que ainda não conhecem a marca.
E não é preciso transformar toda publicação em uma aula técnica. A criatividade também faz parte da estratégia. Um vídeo curto, uma curiosidade ou uma situação cotidiana podem ser suficientes para apresentar um assunto e despertar interesse. O importante é encontrar uma linguagem própria, sem simplesmente reproduzir aquilo que os concorrentes estão fazendo.
Outro ponto é entender que nem todo conteúdo precisa gerar uma venda imediata. Algumas publicações ajudam a ampliar o alcance, outras fortalecem a confiança e outras podem estimular o contato comercial. Por isso, além de acompanhar seguidores, curtidas e visualizações, vale observar mensagens recebidas, visitas ao site, pedidos de orçamento e oportunidades que surgem a partir das redes sociais.
No fim, não se trata de escolher entre ganhar seguidores ou vender. Uma estratégia bem construída pode contribuir para os dois objetivos. O desafio é fazer com que o crescimento da audiência também represente uma aproximação com as pessoas que realmente têm interesse no que você oferece.
E que tal aprender a transformar os diferenciais do seu negócio em conteúdos que despertam interesse e ajudam a vender? Mas isso é assunto para a próxima coluna. Te espero aqui!