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De farsa em farsa...


José Eduardo Reis Leão Teixeira

A farsa da especulação financeira desancorada da produção, fundamentalmente, foi o motivador maior deste atual momento crítico.
Mas, devemos lembrar que de farsa em farsa faz-se um grande problema; gera-se uma grande crise; iludem-se todos.
Não estamos nós, brasileiros, isentos da responsabilidade pela contribuição no lançamento desta âncora sem amarras ou ponto de sustentação, que desabou sobre o sistema financeiro, do qual somos dependentes.
Não considero que o atual momento deva ser focado pela falta de liquidez financeira; esta é uma das conseqüências, provocada pela ganância do sistema financeiro e aceita por todos nós.


Quando se pensa em crise, não se pode absorvê-la, mas sim eliminá-la.
O que mais falta neste momento, além da liquidez de moedas é a liquidez de soluções, ou seja, faltam solucionadores. Falta o capital intelectual, gerador ou causa imediata do capital econômico e financeiro, sendo o fundamento a qualquer empreitada, sem o qual a agropecuária brasileira conhece profundamente os efeitos negativos.
Certamente, muitos perderam e outros continuarão a perder, porém, outros ganharão; o importante é fazer-se entre os que sobrevivem.
Fazer parte do cordão dos chorões e apáticos não é confortável e muito menos necessário.
O sistema pelo qual a agricultura se sustenta é um tripé aleijado, representado pelas seguintes extremidades: produtor, produção, políticas agrícolas.
A parte aleijada é representada através das políticas agrícolas, retratada pela absoluta falta destas. Porém, a parte produtiva também tem seus coxos (que falta um pé ou uma perna).

 Ao procurarem criar e estabelecer políticas agrícolas, governo, lideranças classistas e congressistas, não se pautam pelos aspectos da eficiência do agronegócio, mas sim pelas benesses a alguns poucos, gerando apenas uma ciranda para atender a interesses pessoais. O agronegócio, desta forma, torna-se apenas um trampolim para oligopólios e outros usurpadores, que se alimentam da maioria dos “pobres rurais”.
Este comportamento, essencialmente politiqueiro, gera a procura pelo paternalismo governamental, provocando a perpétua dependência, imaturidade empresarial e comercial.
O agronegócio se rotula como um sempre frágil segmento da sociedade produtiva, esquecendo-se que desta forma fica extremamente vulnerável, porém, contrariamente, ostenta-se como um imperador, tendo por conseqüências os tropeços e fraturas pelas quedas. Exposto às intempéries sim, porém, não frágil.
Por outro lado, o sistema de apoio e sustentação a este, trata-o com a mesma imaturidade, ou como a um debilóide, fazendo-o eternamente dependente e disponível para o exercício do ditado “É mais fácil tirar deste, que bala da mão de criança”, fato devido a não existir reações por parte dos produtores aos constantes abusos e ingerências a que são submetidos.

A causa principal de todo o problema vivido pela agropecuária está apoiada na absoluta apatia dos produtores frente a manifestações de contrariedade e não aceitação às inúmeras e constantes espoliações de origens variadas – governo e iniciativa privada- muitas destas em seu próprio território, ou seja, na sua própria cozinha.
Não digo delegar posições de reivindicações a dirigentes cooperativistas e demais entidades classistas, mas sim a assumirem a postura dianteira destas, quanto a pleitear e exigir proposições e soluções consistentes.

Os produtores precisam deixar de se comportar como “filhotes indefesos de passarinho no ninho, ficando apenas a piar por comida e aprenderem a se comportar como ÀGUIAS, caçando suas próprias presas, regenerando suas próprias garras e se impondo frente aos desafios”.
Se assim funciona na natureza por que não fazê-lo?

No atual momento, em que a criatividade, profissionalismo em propor alternativas e ousadia são extremamente necessárias para a superação, o que se percebe em geral é o acovardamento para tomadas de decisões, principalmente corretas e precisas.
Em situações de crise é que se projetam as grandes soluções; ocorrem expressivas mudanças de comportamento, alteram-se os cenários que negativamente contribuíram para a mesma, bem como, são destruídos os “castelos de areia”, juntamente com seus construtores ineficazes e ineficientes.


A agricultura está esperando pela volta do Messias para assim, por meio de milagres solucionar os problemas ou ainda teria razão suficiente para saber que estes só podem ser resolvidos por nós? Espera que o governo a coloque, como sempre, no berço e o embalando cante uma canção de ninar e ao despertarem do constante sono letárgico estarão literalmente da forma como vieram ao mundo, ou seja, pelados ou depenados? Ou será capaz de arregaçar as “mangas do raciocínio e criatividade”, assim como no cultivo de suas lavouras, partindo para a solução, necessária e urgente, ao invés de ficar a espera pelo “lobo mal”?

Torna-se necessário sair do compasso de espera por esta crise, procurando formas alternativas e diferenciadas para superação, porém, com mudanças, que apenas estrategicamente poderão ocorrer.

Assim, aproveitem o momento, não para refletirem, mas para agirem e implantarem o necessário, para obtenção do lucro perdido.
Recriem o modelo que utilizam como base de apoio, pois este é potencialmente ineficiente e incompetente.
No momento que substituírem grande parte do “comando cartorial”, que toma assento permanente nas cooperativas e demais entidades classistas, por executivos de 1ª linha em suas especialidades, sem vícios, vínculos ou comprometimentos com o sistema de apoio à agropecuária, sentirão de imediato como os efeitos da eficiência abrem novos caminhos, seguros e eficazes.

Assim, acontece em todas as empresas do planeta, portanto, precisam ter coragem para mudar este pré-histórico comportamento empresarial familiar e saírem deste atoleiro.

José Eduardo Reis Leão Teixeira
Estrada Consultoria

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