Décio Luiz Gazzoni e João Vitor Ganem
Nos dias 7 e 8 de julho, em Indaiatuba, foi realizado o Fórum Nacional de Máxima Produtividade de Soja, safra 2025/26. A cada ano são anunciados os campeões regionais, sendo um deles o campeão nacional, em cultivo de sequeiro; também é anunciado o campeão nacional de cultivo irrigado. Em ambos os casos, nesta safra, foi estabelecido um novo recorde brasileiro de produtividade de soja. Neste artigo, para cada região será apresentado um resumo, sendo que o cálculo da rentabilidade significa que o agricultor recuperou totalmente o investimento e, além disso, obteve lucro líquido referido para cada um deles.
A seguir apresentamos os principais destaques regionais e consolidados nacionalmente.
Região Norte: O campeão é o produtor Pedro Foresto Crispim, da Fazenda Bela (Goiatins, TO), tendo consultor o Eng. Agr.Luiz Gabriel de Moraes Jr. A produtividade alcançada foi de 136,64 sc/ha, com rentabilidade líquida de R$1,55 por real investido. O consultor destaca que seu diferencial foram as boas condições climáticas, associadas à adequada fertilidade no perfil do solo, à genética utilizada e à qualidade das sementes.
Região Nordeste: Nesta região o destaque vai para o Grupo Gorgen, na Fazenda Barcelona (Riachão das Neves, BA), cujo consultor é o Eng. Agr. Edinei Antônio Fugalli. A produtividade obtida foi de 143,77 sc/ha, a segunda maior desta safra. Nessa área, o produtor obteve rentabilidade líquida de R$1,90 por real investido. O consultor também destaca o clima adequado, juntamente com a cultivar utilizada e a boa qualidade das sementes, aliada à fertilidade no perfil do solo, como os principais fatores para obtenção de alta produtividade. Destaque: o grupo Gorgen já foi campeão de produtividade em 8 diferentes safras!
Região Centro-Oeste: O produtor Rodolfo Paulo Schlatter, da Fazenda Monte Sinai (Confresa, MT), apoiado pelo consultor Eng. Agr. Fabiano Müller, atingiu 118,36 sc/ha. Nesta área, o produtor obteve um rendimento líquido de R$1,24 por real investido. Segundo o consultor, além das boas condições do clima, o uso de plantas de cobertura e os diagnósticos que permitiram o manejo adequado, foram responsáveis pela alta produtividade.
Região Sudeste: A Fazenda Floresta, pertencente à Agropecuária Três Irmãos (Cambuquira, MG) obteve a mais alta produtividade regional, sob a orientação do Eng. Agr. Túlio Madureira da Costa Xavier. A produtividade alcançada foi de 122,66 sc/ha, gerando um retorno líquido de R$1,17 por real investido. Os destaques para a alta produtividade, de acordo com o consultor técnico, foram o uso de produtos biológicos, a genética adequada e a fertilidade no perfil do solo.
Campeão Nacional: O novo recorde brasileiro de produtividade de soja foi alcançado na Região Sul, mais precisamente pelo produtor Lourival Ruthes, juntamente com seu consultor, Eng. Agr. Daicon Godeski Moreira. A produtividade alcançada foi de 156,13 sc/ha, novo recorde brasileiro.. A produtividade da soja no Brasil, levantada pela Conab, foi de 62 sc/ha, ou seja, Lourival obteve produtividade 152% superior à média brasileira. A rentabilidade obtida foi de R$1,29 por real investido, ou seja, 56% sobre o capital investido, após recuperado o investimento. O consultor destaca como fatores de sucesso as decisões baseadas nos resultados das instituições de pesquisa, a proteção de plantas e o investimento contínuo no manejo adequado do solo, juntamente com a dedicação e o comprometimento em fazer tudo bem feito.
Campeão Irrigado: A maior produtividade em áreas irrigadas foi obtida pelo produtor Luis Fernando Benaglia de Oliveira, da Fazenda Lago Bonito (Mundo Novo, GO), tendo como consultor o Eng. Agr. Dheividy Borges Fernandes, que atingiu 138,97 sc/ha, novo recorde brasileiro para soja cultivada sob irrigação. Essa produtividade foi a maior já obtida em área irrigada, nos Desafios CESB. Nesta área, o retorno sobre o investimento foi de R$1,62 por real investido. Para o consultor o diferencial para o sucesso foi o capricho no manejo da cultura do solo, incluindo o manejo biológico e fisiológico e o timing das aplicações de insumos.
Destaques
O Desafio de Máxima Produtividade de Soja do CESB contou com 5.300 participantes, que obtiveram a maior média história dos Desafios do CESB, alcançando 96,82 sc/ha, um rendimento 56% superior à média nacional (Conab). Como nas edições anteriores, verifica-se uma correlação positiva entre alta produtividade e rentabilidade líquida. Nesse mister, é interessante comparar cada produtor consigo próprio, verificando a rentabilidade (reais retornados sobre reais investidos, após a recuperação dos custos) da área auditada para efeito do desafio, em relação ao talhão no qual esta área se insere. Verifica-se que, ao elevar sua produtividade, usando tecnologias adequadas, a rentabilidade por real investido cresce entre R$0,56 e R$0,86.
Rentabilidade na área específica auditada pelo CESB e no talhão na qual se insere (R$/R$ investido, após ressarcimento do custo).
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Norte |
Nordeste |
Centro-Oeste |
Sudeste |
Sul |
Irrigado |
|
Área CESB |
1,55 |
1,90 |
1,24 |
1,17 |
1,29 |
1,62 |
|
Talhão |
0,93 |
1,21 |
0,62 |
0,48 |
0,73 |
0,76 |
|
Diferença |
0,62 |
0,69 |
0,62 |
0,69 |
0,56 |
0,86 |
Do ponto de vista regional, considerando apenas as áreas auditadas pelo CESB, verifica-se as seguintes produtividades (sc/ha) obtidas pelos participantes: 1. Nordeste = 104,66, com pico de 143,77; 2. Sul = 98,33, com pico de 156,13 (campeão nacional); 3. Sudeste = 95,61, com pico de 123,03; 4. Centro-Oeste = 92,74, com pico de 138,97; e 5. Norte = 92,63, com pico de 136,64. O estado com a maior produtividade média entre os produtores auditados foi a Bahia (107,47 scs/ha), com a menor produtividade média sendo registrada no Pará (90,21).
Um destaque que ser renova a cada edição do Desafio é o nível tecnológico das propriedades participantes, sempre inovadoras e com crescente uso de agricultura de precisão, especialmente taxa variável de aplicação de insumos, otimizando o seu uso. Por exemplo, chama a atenção uma comparação entre as áreas que utilizam produtos biológicos, cuja produtividade foi superior em 5 sc/ha, cotejadas com aquelas onde os biológicos não foram utilizados, no presente Desafio.
O presente Desafio do CESB reforça dois aspectos fundamentais, que se repetem a cada edição. O primeiro é que não existe uma “bala de prata”, uma tecnologia isolada que faça a diferença. O sucesso vem do capricho e do comprometimento em fazer bem feito, aquilo que é recomendado pelos técnicos. Mas, o manejo adequado do perfil do solo tem se mostrado um fator importante para a produtividade, bem como para a resiliência das lavouras, auxiliando na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. O segundo, é que existe uma relação positiva entre a rentabilidade da lavoura e a produtividade, ou seja, quanto maior a produtividade, maior a renda líquida do produtor.
Para maiores detalhes sobre o Desafio 2025/26, os Desafios anteriores, e outras informações úteis, visite o nosso site em: https://www.cesbrasil.org.br/.
D. L. G. é membro fundador do CESB; J. V. G. é coordenador técnico do CESB.