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Do passado ao presente, aterrissagem ou queda?


José Eduardo Reis Leão Teixeira
Conforme citado no artigo “Era uma vez no passado...”, os cenários indicados foram dimensionados e calculados entre 1996-2000. A crise mencionada se refere sobre a atualidade, porém, não considerando esta atual crise mundial provocada pela ganância do sistema financeiro. Entre 2002-2003 a saca de café estava comercializada a US$ 53 e o dólar era cotado a R$3,50.

Entre 2002-2007, apesar da forte pressão competitiva por produtividades – produção - custos, forçando a mudar radicalmente o perfil das lavouras na busca por produtividades altíssimas conseguíamos obter resultados de lucros, com viabilidade econômica da atividade cafeeira, obtendo o fundamental fator da satisfação pessoal do investidor – cafeicultor.
Neste período, as ameaças internacionais devido a aumentos de produções e produtividades, impondo pressões para reduções de custos estavam visíveis e presentes no mercado, porém, menos intensas.
A partir da safra colhida em 2007 entraram em cena dois fatores de extrema negatividade e importância na composição dos custos, o valor potencializado da mão-de-obra na colheita e o preço dos fertilizantes.

O percentual médio do processo colheita, em sua atividade manual, considerando produtividades médias entre 45-60 sacas/hectare, havia saltado de 23% para 32% sobre o custo de produção.
O processo adubação de solo, saltou de 18% para 34% do custo de produção total, mantendo as mesmas proporções de fertilizações nas lavouras.
Portanto, os custos de produção foram majorados em 25% apenas sobre estes dois fatores mencionados e isto considerando produtividades médias potencialmente acima da média nacional.

Para este ano agrícola, que se encerra pela colheita, ao fecharmos outros resultados, apresentam-se assim:
Produtividade média geral = 47 sacas/hectare, sendo nas lavouras adensadas (1,80 x 0,70) produtividade de 63 sacas/hectare e nas demais lavouras de espaçamento médio de (2,70 x 1,30) produtividade média de 39 sacas por hectare.
*Custo médio por saca = R$173,00 (Não incluída a retirada pró- labore). Obs: tratam-se de custos planejados antecipadamente e com precisão de 99% em relação ao realizado.
Incluindo a obrigatória retirada pró-labore, considerada em 15%, teremos: R$173,00 + 15%= R$199,00.
Considerando o custo financeiro de 12%, teremos: R$ 199,00 + 12% = R$223,00
Considerando, agora, o fundamental lucro, sem o qual não se pode reinvestir e dimensionado em 12%, teremos: R$223 + 12% = R$ 250,00.
Observação: Neste ano, que se encerra, o preço médio dos fertilizantes adquiridos ficaram em R$ 740,00.
Maravilha, tivemos resultados para reinvestir! Será?

Agora vamos dar uma olhada rápida para o cenário do próximo ano agrícola.
Qual será a produtividade média? A metade, 23 sacas/hectare, se tanto. E o custo de produção? O dobro, no mínimo.
O que fazer? Produzir a R$500,00? E qual será o preço de venda?  E o lucro para reinvestir, será suficiente? Em fazendas sob rigoroso planejamento de custos por processos o resultado está aí, com comprovação matemática e científica, para quem duvidar.

E agora, o que fazer? Onde está o erro; será que existe erro? Alguém consegue apontar?
Percebam as seguintes e importantes características:
Fazenda sob rigoroso planejamento operacional, há 07 anos.
A identidade média financeira entre os resultados planejados em relação aos realizados, anualmente, é de 99%, portanto, possuímos precisão de acertos financeiros.
Todos os processos produtivos que compõem a estrutura cafeeira estão otimizados, portanto, sem fatores de desperdícios operacionais ou de produtos, os quais são comuns na maioria das propriedades.

Refaço a pergunta, onde está o erro? O que fazer?
Evidente que não desistiremos, mas teremos de reduzir custos onde até então não imaginávamos ser tecnicamente aceitável. Mas, apenas isto, se conseguirmos, nos resgataria a competitividade? Cientificamente, não acredito; milagres, há milênios não ocorrem!
A solução teria, necessariamente, de passar pelo fator – planejamento - estratégico, ou seja, da porteira para fora.

Percebam que nestes casos, onde existe planejamento estratégico da empresa e operacional da produção, elaborado para períodos de 10 anos, segmentados em intervalos de 05 anos cada, com revisão anual, utilizando metodologias de controle de qualidade por processos, chega-se a um ponto de minimização com otimização absoluta de custos e redução praticamente total dos desperdícios.
Sendo assim, na presença de um cenário antecipado, que não indicava folgas de lucros e repentinamente potencializado em 25% de aumentos nos custos, acreditávamos ter inviabilizado propriedades altamente competitivas.

Foi então que levados pela necessidade absoluta de sobrevivência financeira e econômica das empresas com foco exclusivo aos aspectos sociais e humanos, razão de existência destas, prospectamos pelos fertilizantes no mercado internacional. Seria esta uma ação pontual sobre um dos fatores de maior ameaça aos custos, sendo responsável pela majoração de 16% sobre os custos atuais a este ano que se inicia, portanto, merecendo ser atacado e eliminado.

O resultado desta procura, conduzido com muito profissionalismo, ética, segurança e confiabilidade, nos levou a resultados excepcionais, ou seja, fora dos padrões normais do mercado, tendo sido uma surpresa da mesma forma excepcional a nós.
Estes resultados, projetados no custo produtivo próximo, nos leva, não aos lucros para o caso da cafeicultura de arábica, mas a resgatarmos uma parcela das perdas projetadas e fundamental em nossa sobrevivência.
Assim, unindo o útil ao agradável, ou seja, obtendo os ganhos bilaterais sem ganâncias e sem interesses escusos, resolvemos, não por altruísmo, mas por uma filosofia pessoal, social e empresarial, repassar esta oferta, já que é potencialmente segura e capaz a toda a agricultura, ou seja, aos agricultores brasileiros.
Neste caso, reproduzimos a oferta obtida de uréia 46%, peletizada, a preços que variam entre US$ 250 - US$ 315/mt,, posta em qualquer porto brasileiro e dependendo do volume do contrato.
Estes preços se referem a quantitativos expressivos, claro, mas condizentes com pedidos acanhados da agricultura brasileira, ou seja, a partir de embarques mensais de 12.500 mt (toneladas métricas), por contrato de 12 meses.
Por outro lado, também possuímos oferta para contrato spot, ou seja, contrato para apenas um embarque, em que a quantidade mínima deste é de 12.500 mt, porém, com o preço diferenciado a maior, mas mesmo assim potencialmente inferior aos praticados no Brasil.

Cientes do potencial poder das multinacionais, detentoras exclusivas do oligopólio comprador internacional da matéria prima dos fertilizantes, bem como vendedor dos mesmos já industrializados, usamos do velho ditado, “diga o milagre, mas nunca diga o nome do santo, se deseja preservar o negócio”.
Assim, como nosso intuito é ofertar e manter esta oferta a disponibilizamos e divulgamos fielmente.
Mas, se cantarmos a “pedra”, o oligopólio, certamente, dará um “cala a boca” nos fabricantes dos fertilizantes ou matéria prima, se souber quem são, pois estes dependem exclusivamente também deste, para vender seus produtos, além de outros recursos ou procedimentos de embargo que podem utilizar.

Evidente que a divulgação destes preços provocará fortes desrupturas do sistema, conforme dito por um amigo, renomado pesquisador da economia agrícola, como também provocará parâmetros inibidores e reguladores para aqueles que insistirem em mostrar a outra face ou “faceta” da moeda, no sentido de realizarem interesses pessoais em detrimento aos interesses dos produtores.
Passou da hora da agricultura brasileira acordar e fazer calar os absurdos praticados constantemente!
Acham que os produtores americanos, europeus, canadenses, chineses, indianos e etc., compram fertilizantes aos mesmos extremados preços que são vendidos no Brasil? Acordem, produzam os alimentos e deixem de ser alimentos!

O oligopólio determina apenas uma parte dos preços, engordado na ponta final pelos “inimigos íntimos”, travestidos de parceiros ou sistema de apoio. Ao final, todos se alimentam dos produtores, por isto não conseguem os resultados de lucros esperados.
Observem atentamente aos preços expostos aqui e façam suas próprias conclusões. Não somos especialistas em mercado de fertilizantes; prezamos apenas o profissionalismo com ética, moral, legalidade e principalmente eficiência.
Se desejarmos ou precisarmos de algo, corremos atrás, façam o mesmo! Mas, façam vocês mesmos, evitem os “outros”, por mais próximos que sejam!
A maioria considera os agricultores como “pato de panela”, diferentemente do que acreditamos.

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