Multilateralismo: um novo cenário (I)

Por: Argemiro Luís Brum
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A recente reunião do G20, em Hamburgo (Alemanha), confirmou algumas tendências e cristalizou outras tantas mudanças no cenário multilateral mundial. A reação contrária ao encontro, de setores organizados, mostra a necessidade de se fazer chegar os ganhos da globalização econômica a toda sociedade internacional. Os contestadores, ao não proporem novos caminhos, lutam, na prática, para não ficarem excluídos do processo, o que é justo. Isso porque a globalização mundial em geral e da economia em particular é irreversível e sabido há décadas.

A globalização não é um complô das oligarquias contra o povo, não é uma ideologia e sim o resultado de forças complexas, onde o avanço tecnológico, a começar pelo acesso a informações, é um dos pontos centrais, somado à vontade legítima dos países subdesenvolvidos em obter maior acesso à riqueza internacional. Para tanto, o livre-comércio se tornou um caminho a seguir, porém, acompanhado de uma regulação dos Estados, através da OMC, desde que tais Estados sejam eficientes e organizados, coisa que falta à maioria deles.

A revolução tecnológica permitiu o deslocamento do trabalho, onde o que se pensa produzir aqui é produzido no outro lado do mundo e vendido em todas as partes do Planeta. Com isso, se acelerou as trocas, tanto comerciais quanto de ideias e imagens. Neste contexto, alguns países subdesenvolvidos conseguiram se inserir nas “cadeias de valor mundiais”. Em países emergentes como China, Índia e Brasil, milhões de pessoas ficaram menos pobres. Ir contra tal movimento é um retrocesso. Mesmo porque ele não irá parar e sim se acelerar, e ninguém deseja ficar à margem do processo. Assim, a globalização das trocas é sustentada pelo crescimento do progresso tecnológico.

Defender o retorno às práticas dos anos de 1960 é defender o atraso. Assim, os Estados devem adaptar suas economias a essa nova era mundial. Quem não se reformar tende a se marginalizar ainda mais. Dito isso, toda e qualquer mudança deste porte provoca choques sociais importantes. Hoje o mundo vive sob a aceleração de três grandes forças: tecnológica, globalização das trocas e o aquecimento climático. Como a democracia enfrentará tamanha mutação? Os fluxos migratórios incontroláveis, a perda de status social, a diluição dos corpos intermediários e da família, e referências culturais cada vez menos presentes, levam a ações protecionistas que, ao invés de ajudar, tencionam ainda mais o ambiente (cf. Le Monde 05/05/17).

Dentre elas, temos a política isolacionista dos EUA sob Donald Trump; a saída do Reino Unido da União Europeia; as constantes ameaças armadas da Coreia do Norte; a postura centrista de Putin na Rússia; e o populismo destruidor junto a diversos países subdesenvolvidos, em especial na América Latina. (segue)

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