Pecuária de baixo nível mais pivôs e mineradoras devastam e criam imenso semiárido no “GOMIBAES”.

Pecuária de baixo nível mais pivôs e mineradoras devastam e criam imenso semiárido no “GOMIBAES”.

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1) HISTÓRICO E TENDÊNCIAS – 

Inicialmente, esclareço que não sou apóstolo do caos nem negativista, mas apenas mais um brasileiro técnico da área rural e muito preocupado em auxiliar e em promover as mudanças ambientais fundamentais, neste momento, para a sobrevivência de nossos filhos e netos. 

Sou um dos poucos que tem coragem de se expor ao máximo para tanto, enquanto uma grande maioria ainda degrada tudo e sem nenhuma vergonha, infelizmente. 

Acho que pisar na grama do jardim ou jogar lixo ou chiclete no chão ou deixar seu “pet” fazer coco na calçada ou no jardim público (situação até comum por alguns ambientalistas) ou jogar bituca de cigarro nas margens das rodovias ou comer carne de qualquer tipo de caça e se vangloriar ou usar adereços, colares e sapatos/sandálias de grife provindos da fauna ou catar caranguejos e siris nos mangues quando das férias é tanto crime, como ainda desflorestar as áreas da reserva legal mais áreas de preservação permanente e de transito de animais mais fazer aceiros com fogo mais esgotar brejos e lagoas para cultivos de horticolas e fruticolas e para uma pecuária com baixo nível técnico mais irrigar, falsamente, sabendo que não tem água local suficiente para os humanos e animais no local ou que ela evaporará em alguns minutos etc..
 
Também, as análises a seguir não contemplam as áreas já devastadas do semiárido nordestino (onde já se sabem as causas e os erros seqüentes de sua condução, embora já com alguns acertos) nem a grande devastação pecuária que também começa a ocorrer nos limites do chamado “PAMATO” (partes do sul do Pará + mais do norte do Mato Grosso + mais do oeste do Tocantins), boa parte, exatamente, pela importação de pecuaristas devastadores e inconseqüentes ou seus filhos – grande parte, descendentes de portugueses – e vindos do circuito – “altamente exportador e mestre de como devastar e como nunca explorar técnica e sustentavelmente ” - do “GOMINBAES” (grande parte do sudeste, nordeste e leste de Goiás + a maior parte do norte, nordeste e leste de Minas Gerais + grande parte do sudeste, sudoeste, sul e parte do centro da Bahia + pequena parte do nordeste, norte e noroeste do Espírito Santo). 

Pior é que todos sabem, e até vêem, o que já está ocorrendo, intensivamente, também no “PAMATO”, mas, por diversos motivos, fingimos que nada ocorre.

Curiosa e beneficamente (como uma lição constante e visível das diferenças culturais e de atuações locais), os Estados do Sul do País mais SP, MS (com culturas bem mais preservacionistas provindas dos seus antepassados italianos, alemães e outros) e até, incrivelmente, o RJ (também português) ainda estão até bem preservados, em termos florestais e da flora e fauna, embora as grandes explorações altamente concentradas e poluentes de suínos, aves e de vacas leiteiras no Sul mais SP e MS, também já estejam destruindo, severamente, as biotas e a fauna de seus córregos, rios e lagos.

2) DELIMITAÇÕES, LOCALIZAÇÕES E MEDIÇÕES DA POSSÍVEL ÁREA GIGANTE JÁ DEVASTADA OU EM PROCESSO DE DEVASTAÇÃO E SEUS COMPROVANTES – 

Procuremos agora delimitar, localizar e medir a imensa devastação pecuária, irrigante e mineradora – visível e em ampliação constante e facilmente confirmável - que se cria, progressivamente, no chamado “GOMINBAES” há uns 50 anos e que todos que bem conhecem estas áreas (como eu) concordarão rapidamente comigo. 

Tudo se comprova visivelmente e até nos bolsos - pela elevada crise financeira atual - no perímetro gigante mais pelos assoreamentos e mortes de córregos e rios pequenos, médios e gigantes e fundamentais mais pela severa falta de água até para beber (logo, os poços semiartesianos também secarão). 

Na verdade, já se trata do inicio anunciado de um novo semiárido (que alguns já chamam de nova SUDENE). A meu ver, tal perímetro gigante já conta com 30% a 40% já devastados pela pecuária mais irrigantes com técnicas erradas mais mineradoras, mas está em ampliação sigilosa. 

A meu ver, ele abrange grande parte da Região Sudeste (noroeste, norte, nordeste e leste) mais pequena parte da Região Nordeste (sul, sudoeste, sudeste e centro, exceto no semiarido) e do Centro-Oeste (leste e nordeste). 

Visivelmente, ele começa em Regência (ES) perto da foz do Rio Doce e de lá sobe, em linha hipotética quase reta, até Itabira (MG) passa por Catalão (GO) e de lá segue até Ipameri (GO) já na região dos grandes pivôs de irrigação e situada a 930 Km em linha reta de Regência (ES). 

De Ipameri (GO), ele se curva para direita e percorre 360 km em linha reta - incluindo o DF e região de Cristalina (GO) na soma com mais de 4.000 pivôs -, até o município altamente minerador de Niquelândia (GO), também incluindo no perímetro gigante as regiões grandes minerárias de Catalão/Patos de Minas/Coromandel, Paracatu e Diamantina. 

De Niquelândia (GO) – situada a 1.060 Km de Itacaré (BA) – novamente o perímetro em devastação se curva para a direita, passando numa curva por Correntina-BA (área com muitos pivôs e mineração) mais Jequié-BA (incluindo, no perímetro, as minas gigantes de Caetité/Brumado/Guanambi/Bom Jesus da Lapa na Bahia mais Salinas e outras no norte de Minas mais as de grande porte no centro de MG como no Quadrilátero Ferrífero - incluindo Itabira, Itauna, Congonhas e região de Guanhães - e outras mineradoras de menor porte em Governador Valadares, Teófilo Otoni, Araçuaí e Região)  tudo em direção ao oceano até chegar em Itacaré (BA), exatamente na foz dos Rio de Conta e Rio Gangoji.

Em cálculo primário e indicativo, apenas considerando as distâncias em linha reta apontadas pelo “Google Earth” mais meus bons conhecimentos de toda a Região (com muitas visitas em todos os seus pólos e quadrantes), a meu ver, tal área - em devastação sigilosa, mas rápida -  tem cumprimento médio de 1.000 km em linha reta entre Ipameri (GO) até o mar em Itacaré (BA) mais largura/altura de 850 km, idem, desde a zona da Mata em MG (Mutum) até o nordeste de GO (Niquelândia). 

ASSIM, TAL PERÍMETRO ESTIMADO, CONTEMPLA CERCA DE 850 MIL KILÔMETROS QUADRADOS, DOS QUAIS O MÍNIMO DE 30% JÁ ESTÃO DEVASTADOS, IGUAL À CERCA DE 255 MIL KM2 MAIS A MESMA ÁREA DE IGUAIS 255 MIL KM2 JÁ EM PROCESSO DE DEGRADAÇÃO, TOTALIZANDO 510 MIL KM2. Pode parecer pouco, mas só esta área com problemas em tal perímetro equivale a 6,0% da área total divulgada de todo o Brasil (8,5 milhões de KM2)

Como 01 KM2 contém 100 hectares SERIAM, PELO MENOS, CERCA DE 26,0 MILHÕES DE HECTARES JÁ DEGRADADOS MAIS IGUAL ÁREA COM 26,0 MILHÕES DE HECTARES JÁ EM FASE DE DEGRADAÇÃO, CHEGANDO A 60% DE TODA A ÁREA DO PERÍMETRO DELINEADO.   

Notem que a soma acima (60% da área total) perfaz possíveis 52,0 milhões de hectares já degradados ou em fase de degradação, ou seja, uma área gigante, diante de uma área total AGRÍCOLA, real e plantada, de cerca 69,0 milhões de hectares no Brasil, sendo 45,0 milhões de hectares, reais, com grãos, e os demais, reais, cerca de 24,0 milhões hectares com outros cultivos (10,0 milhões com toda a cana + 7,0 milhões com todas as florestas cultivadas + 2,0 milhões com todo o café + 1,0 milhão com todos hortícolas sejam por sementes ou mudas, exceto citrus + 0,6 milhão com citrus, sobretudo toda a laranja + 3,0 milhões com os demais cultivos). Vide em meus artigos anteriores que a área NOMINAL plantada com grãos chega a 60,9 milhões de hectares, mas a área REAL é cerca de 45,0 milhões, pois há cerca de 15,9 milhões de hectares plantados para colheita no outono com cultivos em sucessão na mesma área de verão (12,1 milhões hectares já cultivados com milho 2ª safra - ou safrinha -  mais 2,4 milhões de hectares plantados com cereais de inverno mais 1,4 milhão com outros cultivos também em sucessão, como boa parte dos feijões).

Outra comprovação imediata, direta e visível, para os que querem ver ou saber, da intensa devastação em curso neste perímetro gigante do País é o elevado assoreamento mais a degradação ambiental mais a imensa falta de água atual (até para bebida dos humanos e animais, como ocorre no momento em Brasília e que denunciei abertamente neste mesmo site há 6 meses) MAIS A PROGRESSIVA MORTE DOS PEQUENOS, MÉDIOS E GRANDES RIOS INCLUSOS EM TAL PERÍMETRO.

NOTEM QUE TAL PERÍMETRO INCLUI, PELO MENOS, 20 DE MÉDIOS A GRANDES RIOS A SEGUIR (FUNDAMENTAIS PARA O PAIS), ALGUNS JÁ MORTOS, MAIS DOS PEQUENOS QUE DESÁGUAM NELES, COMO A SEGUIR E EM ORDEM NORTE-SUL: 1) Rio São Francisco que sobe até Pernambuco, deságua entre Sergipe e Alagoas, mas que somente recebe, ou deveria receber, a maior parte de suas águas dos seus afluentes de tal Perímetro; 2) Rio de Contas; 3) Rio Gongoji; 4) Rio Colônia; 5) Rio Pardo; 6) Rio Jequitinhonha; 7) Rio Mogiquiçaba; 8) Rio do João de Tiba; 9) Rio do Sul; 10) Rio Buranhém; 11) Rio dos Frades; 12) Rio Caraiva; 13) Rio Jacuruçu maior; 14) Rio Jacuruçu menor; 15) Rio Itanhém; 16) Rio Mucuri; 17) Rio Itaunas; 18) Rio São Mateus; 19) Rio Barra e 20) Rio Doce.

Além do intenso assoreamento mais da falta de água, crescente, chega a fazer dó e ter-se pena quando vemos as pastagens, aguadas e os rebanhos das fazendas, de médio e grande porte, situadas às margens de tais grandes rios de seus afluentes maiores.

3) MOTIVAÇÕES, CAUSAS E FATOS INCRÍVEIS  – 

A seguir, tentaremos mostrar as principais causas desta imensa e continuada devastação e apresentaremos algumas formas e sugestões para o seu combate, desde que imediatas e com mobilização de todos os povos da região e, que por “si” e somente unidos, passarão a exigir ações reais e imediatas dos Governos, ONGs, Imprensas etc.. 

São apenas diagnósticos e propostas pessoais, lembrando que não sou dono da verdade, mas também que a maioria concordará imediatamente comigo.

No intuito, até normal, de ampliarem rapidamente suas rendas liquidas, via pecuária apenas em  pastagens (situadas mais nas regiões montanhosas que equivalem à cerca de 70% de todo o perímetro) nos últimos 50 anos, tais pecuaristas partiram - com usos de pouca ou nada de tecnologias realmente adequadas - para uma substituição intensa e imediata dos antigos capins -  altamente eficientes em nutrição, mas muito exigentes em bons solos, boas chuva e, pior, muito sensíveis ao fogo (intencional) - por capins mais modernos, com melhor sementeação, menos exigentes e bem mais rápidos.  

Assim, em todo o perímetro, acho que 95% das antigas pastagens de capins tradicionais ou até nativos - como colonião, sempre verde, centenário, jaraguá/provisório, gordura, andrequicé, barra-de-choça e outros menos conhecidos ou menos nutritivos - foram substituídas rapidamente pelas novas braquiarias. Sem duvidas elas são boas gramíneas, mas também muito sensíveis ao fogo e ainda bem mais exigentes em fertilidade de solos após 10 anos de suas implantações (sabidamente, elas esgotam todo os solos em até 10 anos e, por isto, exigem adubações pesadas qüinqüenais, como se faz adequadamente no Centro-Oeste (ao contrário, 80% semi-plano ou com pequenas ondulações), o que  é praticamente impossível nas áreas montanhosas do perímetro degradado ou em degradação. Com isto, os possíveis medicamentos, errados, voltaram-se, pesadamente, contra os já doentes e se voltarão ainda mais. 

Também, todos foram muitos incentivados pelos órgãos governamentais, cooperativas e empresas privadas de vendas de sementes e outros insumos.

Até que os pecuaristas tentaram implantar um pouco de tecnologia auxiliar mínima para suplementar na seca, na forma de poucos canaviais ou de capineiras com os chamados: capim napier e cameroum.

Contudo, algumas técnicas complementares, mais protetoras, mais eficazes e fundamentais - mas intensivas em mão-de-obra - sempre foram mal implantadas, negligenciadas ou até abandonadas rapidamente (exemplo: mineralização adequada, rica e fundamental; silagens e/ ou fenações fundamentais; adubações químicas mínimas de pastagens a lanço; rotação de pastagens; consórcios de pastagens com leguminosas - inclusive com algumas locais e bastantes resistentes às secas -; terraceamentos e aberturas de curvas de níveis mesmo que simples; semi-confinamentos; uso de uréia intensivo e correto; mineralização adequadas e com cochos adequados (nunca somente de sal comum como foi a praxe de economia por muitos anos); construções de cercas de arame liso - não farpado – bem mais baratas e nunca no formato vertical (morro-a-baixo para construir futuras erosões) e sempre separando em três ambientes os topos dos meios das encostas e das baixadas; construções de cercas e proteções das nascentes e das várzeas, com construção de captações corretas mais caixa de distribuição mais bebedouros protegidos e com caixa/bóia; construção de mini barragens com pedras e em ferradura inversa; não-deflorestação nos topos dos morros nem das margens dos córregos e dos rios; não usos de fogo e sob nenhuma desculpa de necessidade etc..) 

Também, os erros gigantes de queimadas intencionais anteriores (uma técnica herdada de nossos antepassados portugueses mais de índios) e que ainda muitos juram e acham que o potássio das cinzas renova as pastagens mais que o fogo mata carrapatos e cobras e que nada destrói das essenciais sementes necessárias para as renovações anuais das pastagens e das florestas.

Hoje, os incêndios intencionais reduziram bastante, mas continuam sendo a maior culpa de alguns pecuaristas inescrupulosos, mas, agora atribuídos aos mendigos, ciganos, tropeiros, agricultores familiares, quilombolas e indígenas (coitados) mais às pontas de cigarros lançados nas rodovias e estradas.

Embora nós técnicos insistíssemos muito pelas implementações de tais técnicas acima sempre vinha a resposta, altamente negativa, de que “davam muito trabalho”’. Recursos, baratos, para tanto nunca faltaram, mas, infelizmente, os produtores rurais locais (não só os pecuaristas de baixo nível) adquiriram o péssimo hábito “cultural/irresponsável” de pouco, realmente, aplicarem os recursos e depois ainda pedirem seqüentes prorrogações políticas e até perdões das dividas, sempre alegando secas e devastações que eles mesmos criaram (e criam até hoje). 

Já os Governos sempre prorrogavam, tornando a maioria dos agropecuaristas pouco comprometidos tecnologicamente (chegavam a questionar e dizer que as técnicas não funcionavam, mas somente para eles). Por sua vez, os técnicos e fiscais se tornavam pouco, ou nada, respeitados ou acolhidos. Infelizmente, diversos órgãos de extensão e de ações colaborativas mais muitas cooperativas, sindicatos de produtores e até algumas grandes universidades agrárias também têm muita “culpa no cartório”.

O PIOR DE TUDO É QUE BOA PARTE DOS ERROS SOMADOS, ACIMA DESCRITOS, PERMANECE E ACONTECE, MENOS INTENSAMENTE, MAS ATÉ HOJE.

O mais interessante é que na beira-mar, numa faixa de apenas 570 km em linha reta entre o final do perímetro em Itacaré (BA) e o inicio em Valência (ES), a devastação não é tão significativa e numa faixa de até 80 km em direção ao interior, pois nesta área há pouca pecuária e se dedicam bem mais aos cultivos - ainda sustentáveis - de dendê, cacau, mamão, frutícolas e de florestas, inclusive muito eucalipto para celulose. A maioria dos imóveis são pequenos e mais conduzidos pela agricultura familiar ou em sistema de integração e/ou de fomento rural. 
ASSIM, ISTO DEMONSTRA QUE O GRANDE PROBLEMA DA DEVASTAÇÃO CONTINUADA ESTÁ NO INTERIOR E EM ÁREAS MAIS CONDUZIDAS POR IRRIGANTES DE PIVÔS EM GO E MG; MAIS DA PECUÁRIA DE QUALQUER TIPO E PORTE  - PORTUGUESA E ATRASADA TECNICAMENTE – E MAIS SITUADA NO INTERIOR DE TODO O PERÍMETRO; MAIS EM ALGUMAS REGIÕES MUITO MINERADORAS.

Em termos históricos, podemos inferir que tudo começou com alguns erros de projetos técnicos e dos muitos financiamentos baratos e ofertados de forma até insistente á época (com longos prazos, boas carências e juros baratos até subsidiados), destinados a implantarem e tecnificarem a pecuária de corte, de leite e até o cultivo de arroz em várzeas da Região (incrível). Foram enormes e seguidos erros de planejamento, de poucas ou de não-fiscalizações e de não aplicações pelos Governos e de muitos recursos essenciais, literalmente, jogados fora ou pelo ralo. Pior é que boa parte permanece hoje na forma, agora disfarçada, de programas de Desenvolvimento Regional como FCO/SUDECO, FNE/SUDENE e FNO/SUDAM.

A meu ver, toda a devastação começou e prosperou muito com os maus planejamentos mais as más aplicações, más gestões ou objetivos errôneos dos seguintes principais projetos governamentais especiais ou via fundos de investimentos por terceiros distantes (mais para obterem isenções fiscais, inclusive no Imposto de Renda), sendo pela ordem de criação: 1) BID 205/CONDEPE (1973); 2) POLOCENTRO – Espécie de Fundo de desenvolvimentos dos Cerrados (1975) 3) Fundos de investimentos setoriais do FISET (1974), FINOR (1974) e FINAM (1974); 4) BIRD Pecuária (1978) e 5) PROVARZEAS (1981).

De todos, sem duvidas, o que mais prejudicou todo o Perímetro, foi o “PROVARZEAS - Programa Nacional para Aproveitamento de Várzeas”  que, com recursos da Alemanha e do Governo Federal tiveram a lesada intenção de converter as várzeas de MG, ES e outras da região, inicialmente para o cultivo de arroz, enquanto sobrava arroz das imensas várzeas de alta fertilidade e plenamente irrigáveis, à época, do MA e RS (ainda não havia arroz de sequeiro, hoje chamados “agulhinha de sequeiro”). Os danos ambientais gerais às propriedades que adotaram, quase que forçadas pelos Governos e seus órgãos, foram tão gigantes que os agropecuaristas envolvidos deveriam ter sido indenizados pelas elevadas perdas ambientais e econômicas, passadas e futuras. Posteriormente, o PROVARZEAS foi estendido para outros Estados.

Até hoje, cultural e infelizmente, a MAIORIA dos produtores rurais da Área do SUDENE (que hoje inclui o norte de MG e do ES) só querem créditos fartos, baratos, subsidiados e de longo prazo, se possível sem exigências de sustentabilidade e se possível sem fiscalizações severas. Ou seja, seria o credito ideal para ampliar ainda as devastações que já lhes causam tantos problemas que não conseguem ver? E olha que os recursos contratados ainda são elevados, mas as aplicações reais e as fiscalizações efetivas e disciplinares nem tanto (“se for muito exigente e o Prefeito ou o Sindicato ou o Gerente de Banco não gostarem, perde-se o cargo ?”).

No semiárido do Nordeste, o único projeto financeiro que realmente está funcionando é o Projeto Dom Helder Câmara, mas somente para a agricultura familiar, também em parte com recursos externos e com rígidas regras e fiscalizações.

Ontem pude ver na TV o depoimento de um agricultor familiar humilde e sério do semiárido nordestino e com bom sucesso produtivo e com boa renda liquida na produção de melancias e outros horticolas agregados (milho verde, feijão-de-corda e outros) e a quem perguntarem qual era o segredo: Ele afirmou na bucha: “aplicar adequadamente os créditos; nunca desviar para compras de confortos mais trabalhar  por até 14 horas/dia com toda a família e nos locais”.

Assim, tais créditos atuais deveriam ser suspensos e recriados em tal nosso Perímetro (fora do semiarido), pois apenas ampliam a devastação e pouco se implanta de agropecuária, realmente, sustentável e pelo menos para auto-alimentação a família e vizinhos. 

Com dito, fiscalizações publicas e bancárias adequadas praticamente não existem e o IBAMA, POLICIAS FLORESTAIS e algumas poucas ONGS ambientais, realmente exigentes e atuantes, não dão conta de denunciar e de agir (sequer têm veículos ou combustíveis e pneus para tanto).

Suspeita-se que famílias e mais famílias tomem tais créditos, não para implantarem, mas para se sustentarem por alguns anos (“depois o Governo prorroga, como é a praxe, ou paga um seguro especial ou até perdoa“ etc.. Como de 2018 a 2020 serão anos políticos, tudo irá melhorar”) ou, pior, para pagarem dividas anteriores, os chamados “mata-mata” que tanto os gerentes de banco usam mas que é proibido por Lei. 

Na região acima, é muito comum nada ver-se ocorrer (nem de obras) nas cidades e nas fazendas no período entre 12:00 h e 16:00 horas, MAS  NINGUÉM SABE PARA ONDE VÃO MUITOS TRABALHADORES E GRANDE PARTE DA POPULAÇÃO ECONÔMICA ATIVA NESSES HORÁRIOS, EXCETO OS PROFESSORES NAS ESCOLAS; POUCOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS E ALGUNS COMERCIANTES FAZENDO, NA VERDADE, ESCAMBOS LOCAIS ENTRE “SI” E ESPERANDO PELO PRÓXIMO PAGAMENTO DAS APOSENTADORIAS RURAIS MAIS DOS SALÁRIOS DOS PROFESSORES E DE OUTROS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS DE TODOS OS TIPOS.

Por outro lado, devastações minerárias tanto pelas antigas, como pelas novas mineradoras das regiões de Niquelândia, Paracatu, Diamantina, Itabira, Guanhães, leste e nordeste de MG, Caetité/Brumado e outras são muito conhecidas e combatidas, mas nada muda. 

No recente caso grave da Samarco, agora querem convencer todos de que foi um simples acidente e não previsível nem controlável. 

Contudo, a maioria das mineradoras presentes e operantes, ou não, em tal nosso Perímetro têm gigantescas áreas de decantação ou de depósitos altamente estocados/transbordantes, sendo futuros “acidentes” com muitas mortes e prejuízos, apenas uma questão de tempo. 

Chega de atribuírem às culpa de seus erros operacionais a simples acidentes (em que famílias pobres perdem tudo, inclusive a vida de seus parentes). 

Isto é uma economia de sangue e não pode ser mais tolerada, inclusive provinda de alguns possíveis advogados e outros profissionais que rasgam seus diplomas e a honra que seus pais lhes deram para defenderem, ardilosamente, tais causas injustas contra o povo e o meio-ambiente atual e futuro. 

Também, ocorre uma severa devastação auxiliar e silenciosa (sempre esquecida, rotineira e beneficamente, pela imprensa regional e nacional protetora até que ocorra um novo desastre), pelas siderúrgicas e metalúrgicas instaladas próximas e/ou dependentes de tais minerais para processarem e lucrarem muito, mas apenas para seus acionistas e Governos. Mesmo com muitas denuncias e provas, continuam as degradações químicas, gasosas, dos subsolos etc.. e muito venenosas e cumulativas, também da fauna, biotas e flora locais e regionais mais dos subsolos, riachos, rios, lagos etc.. 

As mineradoras regionais ou locais têm muita culpa, mas não são a principal causa, pois estas são mais dos pecuaristas e, principalmente, de grande parte do “povo” mais dos governos, imprensa, escolas, clubes de serviços, igrejas, maçonaria, lideres reis e outros que, simplesmente, se calam, somente esperam e cruzam seus braços (sobretudo em épocas de eleições) e não se mobilizam para detê-los/orientá-los/ajudá-los ou mudá-los. Isto tudo vai muito bem até que ocorra um novo desastre e já anunciado. Ai, todos acordam e passam a brigar muito, atribuindo culpas entre “si”, nunca admitindo erros ou inoperâncias programadas e sempre jurando mudanças, INFELIZMENTE.

Sobre as elevadas degradações - continuadas e visíveis - provocadas pela irrigação mal planejadas, mal autorizadas e mal executadas por pivôs centrais e formas semelhantes com alto desperdícios de água ou até desnecessárias (cultivos permanentes e semi-permanentes), e que estão matando de sede o povo de Brasília (já com 2 dias por semana com racionamento de água em alguns locais), sugiro consultares meu artigo a seguir de fevereiro de 2017, com alta repercussão, mas pouca ação:

Vide link:

“Pivôs de irrigação estão bebendo a água do povo de Brasília”

https://www.agrolink.com.br/colunistas/coluna/pivos-de-irrigacao-estao-bebendo-a-agua-do-povo-de-brasilia_388399.html 

Segundo diagnostico completo da EMBRAPA, em 2013 já havia quase 18 mil pivôs para irrigação em todo o País e com área média de 50 hectares. Entre os principais Estados, MG tinha 5.573; SP com 3.528; GO com 2.872; BA com 2.792 pivôs e RS com 1.111 pivôs. 

A meu ver, além dos efeitos nefastos dos desperdícios de muita água, a maior parte dos pivôs estão situados no chamado “teto” do Brasil (Planalto Central e áreas vizinhas). O Brasil pouco incentiva ou irriga de suas planícies férteis e mais perto do mar, ou seja, nos pontos ideais para retiradas dos águas dos rios a desaguar. 

Como isto, já desde suas nascentes no “teto”, há muitas e muitas represas naturais mais  barragens artificiais, seqüentes, com água captada seguidamente e muito armazenada para abastecer tais pivôs médios a gigantes com 25  a 300 hectares cada - há um para 530 hectares em Pedro Afonso-TO (estes até mais importantes do que a água para os humanos), instalados pelos médios e grandes agricultores para terem altíssimos lucros imediatos, seqüentes e com poucos esforços, tudo em parcerias ganha-ganha-povo-perde com grandes empresas processadoras, a maior parte multinacionais. As formas de concessão das chamadas “outorgas de uso” para tais águas de irrigação pelos órgãos ambientais Estaduais constituem-se em verdadeiros segredos de guerra ou caixa de pandora (boa parte sigilosos ou até inacessíveis) e, pode ser, que até obtidas mediante altas influencias e pedidos políticas. 

Boa parte destes pivôs sabe-se e comprova-se em campo que não são devidamente fiscalizados nem regulados nem estão com a assistência técnica ou reposição de peças adequadas “em dia”. Assim, além dos desperdícios já normais, as perdas adicionais por não manutenções são imensas. “São uma máquina de fazer muito dinheiro para alguns e de muitos prejuízos para muitos”. 

EM ALGUM MOMENTO ISTO IRIA EXPLODIR E NA PIOR FORMA -  ATUAL EM BRASÍLIA, COM RACIONAMENTO DE ÁGUA - NUMA DAS REGIÕES QUE MAIS CHOVEM DO BRASIL E UMA DAS CAMPEÃS BRASILEIRAS DE PRODUÇÃO E PRODUTIVIDADE DE GRÃOS, CAFÉ E OUTROS CULTIVOS NÃO-IRRIGADOS (chamados de cultivos de sequeiro).

Faz-se urgente não conceder mais outorgas para irrigações por pivôs e também retirar-se, imediata e  definitivamente, as outorgas para cultivos permanentes e semi-permanentes – mesmo que da sexta básica – onde a irrigação por pivô não é fundamental, como café, cana, pastagens, milho para grão, soja para grão, frutíferas, algodão  etc..
 
4) PROPOSTAS E SUGESTÕES PARA ATUAÇÕES - 

Antes de apresentar minhas  sugestões para combater e eliminar as devastações no nosso Perímetro detectado (ao final), apresento alguns modelos de sucesso já adotados em alguns países ou por heróis da natureza (como o nosso famoso fotografo Sebastião Salgado, mundialmente conhecido, faz, bem ensina e estimulada no leste de MG, sem nenhum apoio, as margens do altamente degradado Rio Doce, onde nasci em Galileia-MG).

Vide como a China recupera em apenas 6 meses suas áreas desérticas (muito recursos e seriedades para tanto).

https://www.facebook.com/nationmediacompany/videos/752925561559866/ 

No Brasil, tanto os degradadores, como nós os recuperadores/apoiadores precisamos conhecer melhor, como se comporta (e faz o seu trabalho ambiental perfeito) uma grande arvore: a “samauma”, uma enorme “máquina de fazer água” da Amazônia (das milhões existentes). SERÁ QUE OS DEGRADADORES ACREDITARÃO NISTO MAIS NAS IMPORTÂNCIAS DE REFLORESTAR RAPIDAMENTE ?

Ela retira água até 60 metros do sub-solo e joga na atmosfera até 1.000 litros/diariamente, água esta que sob a forma de vapor (“rios voadores”) viaja pelos já conhecidos rios dos ventos de altitude (cerca de 20,0 bilhões de litros/dia e vindos só da Amazônia) e vem chover um pouco na área do nosso perímetro mesmo que destruída ou em destruição.

https://www.facebook.com/climacocezar/videos/10204079580785323/ 

Idem, quanto aos chamados “rios voadores” e que ainda tanto ajudam as regiões degradadas ou em degradação. SERÁ QUE OS DEGRADADORES ACREDITARÃO NISTO?

http://riosvoadores.com.br/o-projeto/fenomeno-dos-rios-voadores/ 

No Brasil, PELO LADO BOM, há algumas espécies rápidas, já bem pesquisadas e adequadas para uma recuperação FLORESTAL E AMBIENTAL rápida de áreas degradadas, inclusive gerando boa renda para a agricultura familiar e em curto tempo. 

Além da teca, guanandi, atriplex (que pode ser plantada como feno rápido para os pequenos animais em áreas com água salgada ou salobra, inclusive represadas), bracatinga, algaroba etc., atualmente, o “Paricá” é considerado como a árvore ideal, embora só cultivável em áreas com chuvas acima de 950 mm/ano. Ela hoje já é mais plantada até do que os eucaliptos, pois, além de produzir madeira nobre, ela cresce muito rápido; não tem nós; produz boa sombra rápida e, melhor, sua semente cai e serve de alimentos para animais de qualquer porte.

Vejas nos links a seguir diversas analises acerca dos cultivos já em andamento e de colheitas do “Paricá”. Ele já é considerado a arvore da agricultura familiar brasileira, além de nativa, ou seja, talvez o cultivo ideal para reflorestar as áreas devastadas das RL e APP.

Noticia do jornal G1 (globo) sobre o cultivo de paricá.

http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2011/11/parica-e-uma-alternativa-competiviva-ao-eucalipto-e-ao-pinus-na-industria.html

Entrevista completa no Globo Rural em 2011 recomendando o cultivo de paricá.

https://www.youtube.com/watch?v=TqJRDqpMM8Q

Idem no MT Rural e para reflorestamentos.

https://www.youtube.com/watch?v=_ClpC4b3sPw

Também, como dito, destaco o excelente trabalho socioambiental – VISITÁVEL desde que  programado - do nosso fotógrafo “Antonio Salgado” na região de Aimorés-MG (quase meu conterrâneo).

“Projeto de Sebastião Salgado recupera nascentes no ES e em MG”.

http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2015/03/projeto-de-sebastiao-salgado-recupera-nascentes-no-es-e-em-mg.html

“O Éden de Sebastião Salgado em Minas Gerais (antes em 2001 e depois em 2011)”

http://www.ambientelegal.com.br/o-eden-de-sebastiao-salgado-em-minas-gerais/

“O NOVO INSTITUTO TERRA” 

http://www.institutoterra.org/pt_br/conteudosLinks.php?id=22&tl=UXVlbSBzb21vcw==&sb=Ng==#.WfCb-VSPLIU 

Visites também e analises meus artigos ambientais recentes neste mesmo site e que também podem contribuir.

“Mais um bom negocio ambiental: Recuperação de áreas degradadas com plantio por drones (inclusive RL e APP)”

https://www.agrolink.com.br/culturas/arroz/coluna/mais-um-bom-negocio-ambiental--recuperacao-de-areas-degradadas-com-plantio-por-drones---inclusive-rl-e-app-_396787.html

“Novo hidrogel no Brasil vai revolucionar o mundo agrícola, ambiental e energético”

https://www.agrolink.com.br/colunistas/coluna/novo-hidrogel-no-brasil-vai-revolucionar-o-mundo-agricola--ambiental-e-energetico_395250.html

CONCLUINDO:

No Brasil, a ocasião é altamente propicia para um repensar e remotivar de todos os habitantes de cada município envolvido no nosso Perímetro gigante das devastações. 

Hoje, além de criar frentes de trabalho, de distribuição de água e de tentativas de recuperação das  APP e RL (já há denuncias que pode haver muitos dados falsos nos preenchimentos obrigatórios e recentes do Cadastro CRA para atender ao novo Código Florestal),  o Governo Federal já deveria criar, urgentemente, o MINISTÉRIO DA RECONVERSÃO AGROPECUÁRIA IMEDIATA E COLETIVA (pelo foco especifico, de nada adianta se unir a outros Ministérios antigos e operantes, pois têm focos mais produtivos e até com usos dos recursos e incentivos para ampliações das devastações, mesmo que não planejadas nem aceitas). Haveria a  criação imediata de linha de investimento especial para recuperação, mas somente do PRONAF investimento e para apenas arame farpado mais grampos mais compra de estacas, de mudas e um pouco de fertilizantes. Os produtores bancariam, obrigatoriamente, toda a mão-de-obra necessária mas os custeios anuais

Os dados do chamado CAR – Cadastro Ambiental Rural (para atender as exigências do novo Código Florestal) não são mais uma dificuldade para os agropecuaristas locais - como muitos reclamam ou citam -,  mas se com dados honestos - , serão um poderoso instrumento para pesquisas, analises e construção de planos de atuação coletivas.  

Dadas as extensões das degradações atuais e dos elevados custos para o inicio das soluções fundamentais e rápidas necessárias, NÃO HÁ COMO OS AGROPECUARISTAS FAZEREM OU BANCAREM TUDO SOZINHOS, MESMO FINANCIANDO BARATO. 

A mobilização e participação de toda a comunidade local (vilas, distritos, municípios e comarcas) serão fundamentais. 

Pela importância SOCIOAMBIENTAL E ECONÔMICA, até o juizado das Comarcas deveriam montar um plano de atuação e de severa fiscalização micro regional, municipal e da Comarca (utilizando apenas 20% dos tempos úteis diários dos juízes e promotores vigentes ou substitutos em acordo autorizado pelo Ministério Justiça ou órgãos Estaduais e/ ou como contribuição pessoal e fora do expediente, TUDO PELA NECESSÁRIA AUTORIDADE, SERIEDADE E URGÊNCIA), também envolvendo policiais; médicos; técnicos da área rural; órgãos da área rural; Associações Regionais de Prefeituras; Órgãos Regionais de Desenvolvimento;  Cooperativas; Sindicatos de Produtores e de Trabalhadores; Prefeitos; Gerentes e funcionários de Bancos; vereadores; secretários; lideres políticos; padres; pastores; demais funcionários públicos; professores federais/estaduais/municipais; estudantes de todos os níveis e idades e, sobretudo, o comercio local; clube de serviços; imprensa; maçonaria; todas as igrejas etc.. 

TODOS PRECISAM SE CONSCIENTIZAR QUE, MESMO NÃO CAUSADO POR ELES DIRETAMENTE, TRATA-SE AGORA DE UMA SITUAÇÃO QUE AFETA A TODOS E QUE EXIGE UM PLANO DE GUERRA OU DE GUERRILHA PARA SOLUÇÃO, MAS COM ATUAÇÃO – COORDENADA E REALMENTE VIGILANTE  - DE TODOS. 

Em vez de enviarem contribuições ou doações para campanhas externas, ou internas duvidosas, TODA A POPULAÇÃO TEM QUE SER CONVIDADA A DOAR OU MESMO ANGARIAR RECURSOS PARA RIGOROSAS E BEM ACOMPANHADAS APLICAÇÕES (que todos conseguem com facilidade quando querem, sobretudo para viagens de pregação e “aleluias” ou para as festas do padroeiro local ou mesmo festas juninas ou campanhas para reconstrução ou ampliação da Igreja ou de hospitais mais de escolas ou de creches e asilos etc., cujos santos, professores, médicos ou velhinhos, agora terão que esperar um pouco, pois a prioridade de recuperação florestal/ambiental é bem maior e pelo bem futuro de todos). 

Haverá que se produzir ou comprar - de forma coletiva (para entregas fiscalizadas aos agropecuaristas) – muitas mudas de qualidade mais estacas mais arames mais grampos de cerca mais fertilizantes mais agroquímicos para combate aos cupins/formigas mais transportes e outros itens. O ideal é se construir um pacote tecnológico para doações pelo menos iniciais e por hectare inicial. Toda a mão-de-obra a implantar terá que ser de forma coletiva ou em mutirão (inclusive estudantes e vizinhos). 

A cada produtor rural participante do Programa da Comarca ou Município (mais sua família) – coordenado pelo Exmo Sr. Juiz ou Promotor ou Prefeito ou Secretário - caberá a manutenção correta de cada muda após o seu plantio e por no mínimo 3 anos, inclusive com assinatura de TAC – Termo de Ajuste de Conduta pessoal –, com o juizado da Comarca ou Prefeitura. 

NÃO SE PODE ESPERAR NEM CONTAR APENAS COM PREFEITOS, ONGS E ÓRGÃOS ESTADUAIS DE ATER. As ONGS e órgãos de ATER estarão obrigatoriamente presentes, mas prestando assistência técnica mais coordenando e fiscalizando as aplicações e, principalmente, montando os planos locais e  microrregionais de reconversão florestal/ambiental. Os Prefeitos terão que cobrar bem mais das direções estaduais de tais Órgãos de ATER com quem efetivaram convênios para prestações de serviços de ATER locais.

Finalizando, como leigo florestal, mas com grande experiência anterior em ATER em regiões muito pobres (10 anos atuando no Vale do Jequitinhonha-MG mais 5 anos no Vale do Rio Doce), entendo que, pelo menos 11 medidas ou passos seqüenciais já testadas e aprovadas em locais e situações semelhantes são fundamentais no processo de recuperação progressiva, mas lenta, das elevadas devastações e que, se realmente implementadas e em conjunto, hoje, só começam a efetivar-se daqui a 5 anos (ainda com muitos sofrimentos, mas com um inicio de esperança para todos), a saber: 

1) Cada produtor rural, agora re-conscientizado, tem que iniciar um processo imediato de agradecimento a “Deus” pela nova oportunidade mais de convencimentos de toda a sua família (sobretudo de filhos, netos e parentes) mais vizinhos, professores (a maioria já pouco interessados ou cansados), órgãos locais, imprensa, Prefeito, vereadores, comerciantes, clubes de serviços, maçonaria e outros, acerca de suas ações futuras esclarecendo ou mesmo implorando e pedindo, pelo menos, apoio e incentivos morais. Se possível, torne-se um vendedor de esperanças e um palestrante/incentivador das reconversões;
2) Faças um bom planejamento de como será a reconversão de cada hectare das tuas áreas degradadas, inclusive, com as ações necessárias, formas de implementação, formas de correções de erros e replantios e prazos de execução a serem cumpridos fielmente - sob penas de desânimos ou de não-efetividades - mais de prováveis custos totais e fontes previstas de recursos, receitas possíveis no futuro etc..
3) Escolhas as variedades corretas a cultivar, sejam florestais, frutíferas ou horticolas, estas essenciais no primeiro momento para ampliar a umidade e os sombreamentos locais, fundamentais, mesmo para a construção e manutenção de um viveiro de mudas, próprio;
4) Estudes, aconselhe-se, planejes e definas como ampliar rapidamente e manter, a umidade inicial necessária pelo menos no local dos cultivos mínimos iniciais acima. Aqui, além das necessárias pequenas e baixas barragens, sempre no formato de ferradura invertida (que comprovadamente retém e distribuem muito mais a umidade e apenas com pedras nos pequenos cursos d’água - existentes ou não - pois com as medidas a seguir em pouco tempo, eles voltarão) há diversas variedades de frutas de crescimento muito rápido, boas sombras e com pouca demanda de água local (cisternas, poços, pequenas lagoas, pequenos córregos) ou de chuvas (até captadas nos telhados), pela ordem, como: guabiroba, umbu, araticum, maracujá da caatinga, caqui, graviola, lichia, romã, mexerica, carambola, milho doce, pitanga, acerola, banana, maçã, pêra, framboesa, damasco, kiwi etc.. Da mesma forma, há muitas horticolas, medicinais e ornamentais também rápidas no crescimento e produção de sombras e pouco exigentes em água (algumas exigem solo fértil ou bem preparado e preadubado com bom composto ou esterco já bem curtido) pela ordem, como o guandu mais a batata doce, mandioca ciclo curto, aboboras, babosa, boldo, confrei, carqueja, vagens, grão-de-bico, milho verde, girassol, feijão verde em varas ou na cerca, hortelã, orelha de coelho, cactus, palma forrageira, espadas de são jorge, taioba, agrião, inhame, cará, coió etc. Todas, são facilmente irrigáveis localmente, se necessário (muitas são aqüíferas) e, rapidamente, retêm e até ampliam a necessária umidade local, além de bem alimentar a família;
5) Cries e implantes um Plano imediato de bom controle de erosões locais, sobretudo em áreas declivosas, e com sistemas baratos e até por tração animal (construir curvas de níveis bem feitas não é trabalhoso nem caro). Afinal de nada adiantará recompor a base florestal de grande porte ou agrícola e imediata de pequeno porte (como a seguir) e ver as novas sementes serem levadas pelos ventos ou por algumas chuvas;
6) Estabeleças Projeto familiar e com vizinhos para a imediata cessação,  proibição e até para denuncia a Policia Florestal ou Militar (recepção da denuncia obrigatoriamente sigilosa, conforme a Lei) das queimadas locais e também de vizinhos resistentes/teimosos, mesmo que apenas para fazer o famoso aceiro (que fica bem melhor com enxada). É melhor ser taxado de “X9” ou de “dedo duro” do que ver queimar as sementes locais mais perder as pastagens e até as florestas em recuperação (cinzas de queimadas têm algum potássio, mas de nada, realmente, servem, pois ele intoxica o solo em longo prazo, além do solo ser lavado e levado para prejudicar os córregos, rios e lagoas); 
7) Lutes pela construção imediata de cercas definitivas e de qualidade (mesmo com arame liso de 4 fios) conforme exige a nova Lei Ambiental, tanto nas áreas acima (que servirão  a para produção continuada de muitas mudas de qualidade, se possível certificadas e até para vendas), como nas RL - Reservas legais e APP - Áreas de Preservação Permanente (topos dos morros  e ambas margens dos córregos, rios e lagoas e conforme exige a Lei). A lei atual é flexível e permite a implantação de frutíferas e até de espécies de maior uso econômico, como seringueiras (nativas) e até de cultivos exóticos (de outros países) como eucaliptos temporários e plantados em percentuais previstos na Lei e de forma intercalada com espécies nativas. Cada microrregião tem sua legislação específica a obedecer acerca;
8) Faças e efetives um bom planejamento de compra ou de recepção (caso doadas por algum benemérito também já consciente) ou de produção de mudas adequadas mais de suas corretas estocagens e plantios nas formas e nos momentos mais adequados, se possível com tudo bem acompanhado por bons técnicos da área (em geral, muito bem preparados e gratuitos, tanto do sistema estadual de Extensão Rural, como das Prefeituras e até de Cooperativas, Sindicatos e Empresas Integradoras/Parceiras já conscientizadas). Em geral, boa parte das perdas de mudas ou seus não-pegamentos ou mortes - o que exigirá retrabalhos e maiores custos com replantios - ocorre por erros de planejamento ou de execução nesta fase fundamental;
9) Construas  bom plano e de execuções dos fundamentais combates às formigas e aos cupins, de cigarras e até de aves nos plantios. Idem quanto a eqüinos, caprinos/ovinos e até bovinos devoradora das mudas nos estágios iniciais. Por isto, a área em recuperação tem que estar toda muito bem cercada e previamente, inclusive para impedir acessos de pequenos animais e até de galinhas, roedores etc.. (telas ou cercas de bambus ou até cerca com grandes garrafas “pet” invertidas, emborcadas e até para irrigar um pouco em alguns dias podem ser necessárias em volta das mudinhas e por alguns dias, pois também dificultam os acessos das formigas, o pior destruidor inicial);
10) Estudes, planejes e lutes pelo correto obedecimento do calendário de plantio e de cuidados culturais com as mudas novas. Embora na região descrita do GOMINBAES, o nível de precipitação médio seja até elevado (embora hoje muito mal distribuído exatamente pela devastação florestal), as mudas têm que serem plantadas no tamanho ideal e na hora correta. Quando há erros e as perdas começam, é melhor agir logo e providenciar animais para levarem água imediatamente em barricas ou tambores de leite até os locais mais elevados e distantes de fontes de água, pois é melhor colocar uma caneca cheia de água a cada 3 dias em cada muda do que perdê-la e ter que replantar. Segundo dados gerais da EMBRAPA (meus cálculos médios), a precipitação média anual nas áreas degradadas no GOMINBAES ainda é boa (em GO mais oeste e leste de MG ainda são elevadas). Nas áreas mais secas varia entre 800 mm/ano (milímetros por ano) em áreas especificas da BA (sudoeste, centro e parte sudeste) e 850 mm em MIN – Vale Jequitinhonha (exceto região de Porteirinha com 650 mm/ano) mais norte e nordeste de MG até 1.000 mm/ano no norte e nordeste do ES). Comparando com a Caatinga  nordestina (precipitação média anual de 500 mm/ano), nossa pior média (650 mm/ano da região de Porteirinha-MG) é cerca de 30% maior. Na África, a precipitação média é de 568 mm/ano (mas, onde há locais que só chove 200 mm/ano). No Deserto do Saara, a média é de 551 mm/ano; 
11)  Planejes e executes um bom plano de adubação de cada muda após seu pegamento, no momento adequado e somente com adubo químico (em geral, no GOMINBAES ainda se tem a cultura ignorante e atrasada de que adubo orgânico é melhor do que o químico, o que não é verdade, além do que os químicos atuais são baratos e a dosagem por planta é bem pequena, o que não leva a grandes gastos, para os que realmente querem resolver seus problemas). “A maior dificuldade alegada para os não usos adequados anteriores é que dá muito trabalho comprar e, principalmente, levar até os locais de usos”.

FIM
 


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