Pibinho ameaçado

Por: Argemiro Luís Brum
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Como já era esperado, o PIB brasileiro do 1º trimestre de 2017 veio positivo. O mesmo registrou 1% de crescimento sobre o 4º trimestre de 2016, que havia sido de -0,5%. Depois de oito trimestres consecutivos de PIB negativo o Brasil, finalmente, pode declarar que alcançou o fim da recessão?

A resposta mais sensata é não. Uma séria de fatores nos remetem a termos cautela, embora a euforia oficial. Em primeiro lugar, o resultado deste primeiro trimestre, se comparado com o mesmo trimestre de 2016, é negativo de 0,4%, levando o PIB de 12 meses, encerrados em 31/03/2017, a registrar -2,3%.

Em segundo lugar, o resultado positivo se deu graças ao sucesso da agropecuária, o qual, em muito, se deve ao clima. A mesma cresceu 13,4% no período, graças especialmente à safra de grãos. Já a indústria e serviços pouco ou nada reagiram (+0,9% e 0% respectivamente). Em comparação ao primeiro trimestre de 2016, somente a agropecuária reagiu, batendo em +15,2% de crescimento. A indústria ficou em -1,1% e os serviços em -1,7%.

Em segundo lugar, se é verdade que o resultado deste 1º trimestre do ano indica que a economia melhorou um pouco, a saída da recessão é plena de incertezas. Isto se deve ao fato de que os investimentos continuaram negativos, ficando em -3,7% no trimestre, embora venham registrando uma melhoria desde o 4º trimestre de 2015, quando o resultado foi de extraordinários -18,7%. As incertezas são alimentadas igualmente pelo consumo das famílias, o qual também continuou negativo, batendo em -1,9% no período, embora esteja “melhorando” se comparado aos -6,7% registrados no 4º trimestre de 2015.

Em quarto lugar, é preciso lembrar que para os próximos trimestres a participação da agropecuária será bem menor e isso deverá pesar muito já que indústria e serviços não reagem. Em quinto lugar, o país vive no 2º trimestre mais uma crise política que coloca em xeque a economia, pois politicamente o governo atual se inviabilizou, ameaçando o ajuste fiscal que mal começou e as reformas estruturais que nem saíram do papel (algumas delas, como a da Previdência, já descaracterizadas).

Enfim, sem a melhora nos investimentos e no ambiente de negócios, os quais só vêm com garantia de equilíbrio fiscal, o país continuará marcando passo. Tanto é verdade que a maioria dos analistas, a começar pela FGV, reduziu a perspectiva do PIB esperado para 2017, de 0,4% para 0,2%. Neste espaço, já escrevemos que se crescermos 0,5% neste ano será motivo para comemorações. Ora, no estado político-econômico atual do país, até mesmo este “pibinho” está ameaçado, pois os números do 1º trimestre não ofereceram sinais claros de que o país estaria deixando para trás a maior recessão de sua história. Por enquanto, chegamos ao fundo do poço. Sair dele é outra história!  

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