Vale a pena produzir mais milho?

Vale a pena produzir mais milho?

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Desde os primórdios do descobrimento, o milho figura como o principal grão produzido no Brasil. A partir do final dos anos 90, no entanto, a produção de soja superou a do milho (114 Mt para a soja vs. 97,8 Mt para o milho, em 2016/17). Apesar desse enorme diferencial em favor da soja, isto não é garantia de que as próximas safras da oleaginosa serão maiores do que as do milho.

A produção de milho no Brasil sempre esteve restrita ao abastecimento do mercado interno. A partir da década de 1990, no entanto, o país descobriu-se com potencial para ser, também, grande provedor do produto para o mercado externo. Sua produção, a partir de então, deslanchou e atualmente figura como terceiro maior produtor e segundo maior exportador mundial, com potencial para assumir a liderança nas exportações, num futuro não muito distante. Em 2017, o Brasil exportou 30 Mt, recorde histórico. 

A produção brasileira de milho cresceu mais em produtividade do que em área: 27% na área contra 381% na produção, no período 1987/90 a 2017; destaque para o milho 2ª safra, cuja produção supera a do milho 1ª safra desde a safra 2011/12. Na temporada 2016/17, o 2ª safra (safrinha) respondeu por 69% do milho total (30,5 Mt do 1ª safra vs. 67,3 Mt do safrinha).

A trajetória do milho no Brasil, a partir do estabelecimento do Sistema Plantio Direto (favoreceu o milho safrinha), tem sido impressionante. Seu cultivo em 1ª safra, no período 1991/2017, foi reduzido de 12,7 milhões de hectares (Mha) para cerca de 5,0 Mha.

Queda de quase 70%, ao tempo que a área do safrinha aumentou 1.513% (800 mil ha para 12,1 Mha). A redução da área e o déficit hídrico (Set/Out) deverá reduzir a produção do milho 1ª safra (30 Mt para 25 Mt – Conab, em 2017/18) e o atraso no plantio da soja poderá resultar em redução de área e de produção do milho safrinha, porque boa parte será cultivado fora da janela ideal. 

Considerando a produtividade do milho e da soja no período 1991 a 2017 (1.785 kg/ha para 5.557 kg/ha para o milho vs. 1.580 kg/ha para 3.362 kg/ha para a soja - aumento de 211% contra 113%), seria racional esperar que a produção do cereal venha a superar o da oleaginosa, dada a maior taxa de crescimento da sua produtividade. Além do aumento da produção via maior produtividade, a produção de milho poderá ser estimulada pelo aumento do consumo na região centro oeste, onde indústrias processadoras de carne e de etanol estabeleceram-se recentemente. A BRF e a JBS já estão na área e três usinas de etanol de milho, também; duas são flex e processam milho apenas na entressafra da cana e uma terceira (Lucas do Rio Verde)  foi projetada para produzir etanol a partir do milho, exclusivamente. Faz sentido produzir etanol a partir do milho nessa região, dado o baixo valor local do grão em função do elevado custo do seu transporte até os portos ou até os centros de consumo das regiões sul ou sudeste. 

O Bioma Cerrado tem enorme potencial para produzir mais grãos, precisando, apenas, de mais estímulos, como os proporcionados pelo estabelecimento das agroindústrias de carne e de etanol na região e melhoria na logística de transporte e de armazenagem para os grãos que não são consumidos localmente. 

Via de regra, o preço ofertado pelo milho no Brasil Central é desestimulante, dada a distância que o separa dos centros de consumo, razão pela qual empresários e governo estão empenhados em processar o milho na região, agregando-lhe valor (etanol e/ou carne) para reduzir seu custo de transporte. 

Não é nenhuma glória estar a caminho da liderança global na exportação de milho, mas arrecadando montantes financeiros que mal cobrem os custos de produção.

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