COMÉRCIO MUNDIAL RECUA
A Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgou, nesta semana, suas projeções para o comércio mundial em 2009. Na esteira da crise internacional, os números são decepcionantes. A tendência é de que o referido comércio recue 9% em volume nesse ano. Será o recuo mais forte desde a Segunda Guerra Mundial, encerrada em 1945.
O recuo será evidente nos países desenvolvidos, que assistirão a uma queda de 10% em suas exportações. Já nos países em desenvolvimento, grupo no qual o Brasil se encontra, se espera, na melhor das hipóteses, um crescimento de 2% a 3% nas vendas externas.
Em 2008, já sob efeito da crise no final do período, o comércio mundial havia crescido apenas 2%. Essa tendência significa menos empregos no setor exportador do mundo inteiro e particularmente nos países ricos, como já se verifica. Com isso, o crescimento econômico mundial (PIB), que recuou de 3,5% em 2007 para 1,7% em 2008, deverá ser negativo em 2009 na altura de 1% a 2%, pelo menos.
Dentre as principais razões da contração no comércio internacional nesse ano, a OMC avança que o recuo na demanda geral é mais forte do que em outras oportunidades. Isso porque todas as regiões do mundo estão sendo atingidas pela crise.
Uma segunda razão está na presença cada vez maior de cadeias de aprovisionamento de caráter mundial, no contexto do comércio internacional. Hoje, a contração ou a expansão do comércio não depende apenas da variação dos fluxos comerciais entre países produtores e consumidores. Trata-se, igualmente, de observar que os componentes de um produto, até o mesmo ficar pronto, atravessarem inúmeras fronteiras durante o processo de produção, na medida em que a mesma é globalizada.
A terceira razão é a falta de financiamento para o comércio. Falta liquidez para financiar os negócios.
Enfim, um quarto fator está no aumento do protecionismo comercial, diante da crise. Uma ação errônea, pois só fará prolongar ainda mais a crise mundial e, hoje, é o aspecto que mais preocupa.
A saída, portanto, de tal situação passa por uma ação conjugada entre os diferentes países do mundo. Por isso, ganha importância a reunião do G 20, programada para iniciar dia 02 de abril em Londres. Hoje, o mundo está em gradual processo de recessão e os pacotes econômicos que se sucedem ainda não chegam a animar estruturalmente o mercado.
No fundo, a crise financeira perturbou o funcionamento normal do sistema bancário, privando as empresas e as pessoas de crédito. Os Estados tentam substituir nessa tarefa o setor bancário, porém, o rombo é tamanho que os mesmos, isoladamente, não possuem condições de encaminhar soluções duradouras.
Na esteira deste processo, o recuo dos valores bursáteis e dos preços dos produtos no mercado em geral, a começar pelo setor imobiliário nos EUA, completou o quadro de penúria, pois retirou da economia boa parte da riqueza existente, mesmo que fosse virtual.
Hoje, as famílias encontram dificuldades para comprarem bens duráveis e, sobretudo, substituírem bens usados, fato que trava a reprodução do sistema. O objetivo geral, e não poderia ser diferente, é reconstituir a poupança perdida ou reduzida e não gastar.
Além disso, o forte recuo nos preços das commodities retirou uma receita importante dos países exportadores, na grande maioria emergentes. Uma situação crítica particularmente na área do petróleo.
Nem mesmo a China, que vinha crescendo a taxas anuais acima de 10% e era um porto seguro para os exportadores, consegue escapar da crise, pois não consegue vender o suficiente diante de um mundo em recessão e que vem comprando menos. 2009 será mesmo difícil....