Refresca a memória um lampejo de história. Em 1549 chegaram os primeiros navios carregados de escravos africanos. Destinados, inicialmente, ao trabalho forçado nos engenhos de açúcar, os negros forjaram o Brasil moderno. Produziram diversidade racial.
O escravismo era conhecido desde a Antiguidade. Decadente, seu golpe de morte chegou desferido pelo fim do Império Romano. Desaparecida da Europa, substituída pelo feudalismo e, depois, pelo capitalismo, a escravidão ressurge após mil anos no Brasil. Os colonizadores invertem a lógica do desenvolvimento linear da História. Uma volta ao passado.
Na exploração do pau-brasil penaram os indígenas locais. Mas no ciclo da cana-de-açúcar, em Pernambuco e na Bahia, a mão-de-obra se abasteceu com o tráfico negreiro. Em 1559, o comércio humano foi legalizado por decreto do rei D. Sebastião. Raptados da África Setentrional (Angola, Moçambique e Congo), famílias inteiras trocavam, na marra, a selva pelo canavial.
Estima-se que 4,5 milhões de negros africanos tenham sido trazidos ao Brasil nos três séculos de escravidão. Isso sem contar os mortos nos abomináveis navios, que se acredita atingirem 40% do número total de capturados. Uma duradoura barbaridade.
O abolicionismo surgiu apenas na metade do século 19, a partir da pressão inglesa. Em 1845 a Inglaterra impõe a lei Bill Aberdeen, dando poder à sua armada para aprisionar navios negreiros. Em 1850, o Brasil aprova a lei Eusébio de Queiroz, proibindo o tráfico de escravos. Com a lei do Ventre Livre se estabelece, a partir de 1871, liberdade aos filhos da Senzala. Abriam-se, vagarosamente, os grilhões da escravidão.

