Diante da previsão de incremento na na demanda de combustíveis como o etanol produzido a partir do milho, o incremento na produção desse grão é uma das conseqüências inevitáveis. A situação atual já é de uma oferta "apertada" de milho em nível mundial, a tal ponto que a Argentina está limitando as suas exportações (ou os compromissos de exportação para a futura safra 2006/07 - os registros de exportação dessa safra no vizinho país já atingiram 10,5 milhões de toneladas) ao mesmo tempo em que os Estados Unidos veêm-se diante de uma projeção de estoques finais (na temporada comercial 2006/07) cerca de 50% menores do que os registrados na temporada anterior. Há que se considerar, ainda, as projeções de incremento no uso de milho para a fabricação de etanol nos EUA, dos atuais 54 milhões de toneladas para 90 milhões de toneladas em 2011. Nesse sentido, surgem oportunidades para outros países produtores fazerem-se presentes no mercado exportador mundial. Esse é o caso do Brasil que já deverá exportar milho num volume próximo a quatro milhões de toneladas (neste ano de 2006). Além disso, muitos compromissos já foram firmados com a safra futura do grão brasileiro, havendo notícias de que existem negócios já feitos para janeiro de 2008. Por enquanto os bons preços do grão na Bolsa de Chicago têm ajudado o produto brasileiro, porém, com uma produtividade média de 3.500 quilos por hectare fica difícil competir, por exemplo, com os 9.000 quilos e 7.500 quilos por hectare obtidos nos Estados Unidos e na Argentina, respectivamente. Esse é, portanto, um grande desafio à agricultura brasileira, especialmente à cultura do milho que deve adotar esses parâmetros comparativos (além de aumentar a eficiência em termos de controle e redução de custos de produção) para competir no mercado internacional, onde nem sempre os preços são elevados como os deste momento.