CI

Desenvolvimento Etnosustentado para quilombos2


Valdo França

Formação de Jovens Quilombolas como Multiplicadores da Organização Social e do Potencial Empreendedor Comunitário

I. Introdução

Segundo estudos de WANDA ENGEL, especialista do BID em estudos de combate à pobreza, “A necessidade de garantir a sobrevivência dia a dia, pode gerar um enorme imediatismo, cuja versão mais cruel é a perda da capacidade de projetar, de sonhar, de ter futuro”.

A pessoa que vive apenas para suprir suas necessidades fisiológicas pode se embrutecer, perder a crença de si mesmo, de acreditar nos seus próprios direitos de cidadão e na sua própria capacidade transformadora da realidade. A crença da incapacidade absoluta, o despoder, pode levar a pessoa a colocar sua vida e seu futuro sob o controle externo, se entregando ao “fundamentalismo religioso, ao clientelismo político ou a loteria”, como diz a Wanda Engel.

A desvalorização, a invisibilidade social, o preconceito, a discriminação e outras as formas anulatórias da exclusão social, alimenta a quebra do contrato social, a violência e o desrespeito a lei.

É necessário criar condições para que os apartados da sociedade, possam se descobrir merecedores de direitos, detentores de saberes e de potencialidades humanas plenas.

Os quilombolas, embora pobres e majoritariamente exclusos, se constituem comunidades enraizadas as origens e fortemente estruturadas culturalmente, haja visto a resistência mostrada ao longo da historia. Eles precisam apenas de apoio, suporte que acelere a compreensão do mundo e da sociedade que os rodeia, e ao mesmo tempo ofereça ferramentas e mostre o caminho de inclusão.

Vivemos um mundo onde as trocas de bens e serviços se dão pela moeda. De alguma forma precisamos desenvolver habilidades e produtos que despertem o desejo de outros, e assim termos acesso a economia, aos bens e serviços da sociedade.

Este projeto visa dotar as comunidades quilombolas de lideranças capazes de realizar a interlocução com a sociedade externa, reivindicar direitos junto ao estado, organizar cooperativas, desenvolver diagnóstico, escrever projetos e planos de negócios, articular, buscar parcerias e forjar condições para desenvolvimento etnosustentado das comunidades quilombolas.

O curso terá duração de 1 ano, 2 turmas de 50 alunos, e cada aluno ficará responsável por 10 comunidades, escolhidas de acordo com afinidade regionalista e facilidade de acesso.

No prazo de até 5 anos, com o acompanhamento do CEABRA, cada um dos 100 jovens organizará um ou mais empreendimentos, em cada uma das 10 comunidades sob sua responsabilidade.

II. Objetivos

Geral: Capacitar e formar 100 jovens de 16 a 35 anos como facilitadores e multiplicadores da organização social e do potencial empreendedor nas comunidades quilombolas, visando o desenvolvimento etnosustentado.

Específicos:

 Identificar e discutir em cada comunidade o saber, o potencial empreendedor e a vocação econômica ambiental, através da realização do Seminário “Despertar do Saber e do Potencial Empreendedor Quilombola” em 1.000 comunidades.

 Realização do seminário “Construção do Plano de Negócios a partir do Desenvolvimento Etnosustentado” em 1.000 comunidades

 Desenvolver pelo menos 1 plano de negocio em cada uma das 1.000 comunidades

 Desenvolver pelo menos uma organização (Cooperativa, associação ou empresa comunitária) em cada uma das 1.000 comunidades.

 Definir e implantar pelo menos um empreendimento em cada uma das 1.000 comunidades

 Identificar e articular parecerias e fontes de recursos para desenvolvimento dos empreendimentos

III. Critérios de seleção e avaliação dos alunos

Os alunos serão escolhidos pela comissão de seleção formada pelos organizadores e parceiros do projeto, considerando os critérios a seguir:

• Escolaridade: Mínima de 2º grau ou em formação

• Gênero: 30% dos candidatos devem ser do sexo feminino, sendo pelo menos 15% com idade até 21 anos.

• Idade: 30% dos candidatos deve ter idade menor que 21 anos.

• Representatividade: Indicação de pelo menos 3 comunidades.

• Áreas de Interesse: Questões étnicas, etnodesenvolvimento, organização e animação comunitária, facilidade para novos aprendizados como informática, comunicação pela Internet, comunicação inter-pessoal, negociação e mediação de conflitos.

• Ajuda de custo: Cada aluno selecionado receberá, uma ajuda de custo equivalente a 1 salário mínimo mensalmente durante o primeiro ano, 2 salários mínimos durante o segundo e terceiro ano do treinamento. As despesas de locomoção para realização de seminários e atendimento das comunidades, serão repassados aos alunos, mediante a apresentação antecipada do plano de trabalho, discutido e aprovado pela equipe responsável pelo curso.

• Premiação: Os planos de negócios implantados e consolidados até o 5º ano do inicio do curso receberão prêmios de 1 a 10 salários mínimos, de acordo com critérios a serem definidos pelo grupo de participantes do curso.

• Avaliação: No final de cada unidade, os alunos e professores farão avaliação do rendimento de cada participante na unidade teórica e nas obrigações de campo, e a cada trimestre serão excluídos aqueles que não se adequarem a proposta e ou tiverem rendimento aquém dos parâmetros fixados pelo próprio grupo. As vagas abertas poderão ser preenchidas por novos pretendentes de acordo com avaliação da equipe. A exclusão do participante, implica no cancelamento concomitante da ajuda de custo.

IV. Etapas do trabalho

Pré curso

1. Contato com lideranças para divulgação do curso e dos critérios do processo de seleção:

2. Visitas aos estados e regiões onde se concentram as comunidades, e seleção dos interessados.

Curso

3. O curso de formação será desenvolvido em 6 unidades, com carga horária de 240 horas concentrada em 6 semanas, uma a cada bimestre do primeiro ano. O programa prático será desenvolvido nas comunidades dos alunos, com apresentação dos seminários “O despertar do saber e do potencial empreendedor quilombola” e “Construção do Plano de Negócios a partir do Desenvolvimento Etnosustentado”. Cada aluno organizará uma cooperativa de empreendedores e plano de negócio na sua comunidade acompanhado e supervisionado pela equipe CEABRA.

A organização manterá um plantão técnico permanente para orientar pela Internet as demandas de informações e contatos necessários para os alunos desenvolverem seus planos de negócios.

Pós curso

4. Implantação de planos de negócios em 900 comunidades, com apoio do Ceabra através das seguintes atividades rotineiras: 2 reuniões do projeto no 2º e 3º ano, 2 visitas técnicas rotineiras no 2º e 3º ano e no 4º e 5º ano, visita extraordinária de acordo com demanda técnica especializada.

Metodologia do curso

Nas primeiras horas de cada dia do curso teórico serão aplicados jogos e exercícios de sensibilização, relações humanas e dinâmicas de grupos populares. Apresentação oral da matéria pelo professor, apresentação de vídeos, formação de equipes de 5 alunos, distribuição de material para leitura e roteiro de discussão de sub temas da matéria. Apresentação de cada sub tema pelas equipes, discussão aberta, comentários do professor e avaliação pelo grupo. A equipe Ceabra acompanhará os alunos na realização de seminários nas comunidades, até a sua total segurança e eficiência na aplicação dos mesmos.A organização da cooperativa, implantação e consolidação dos planos de negócios, será tarefa permanente dos alunos, que contarão com apoio da equipe Ceabra através da Internet, telefone e visitas in loco nas comunidades em pelo menos duas oportunidades durante o ano, e também quando fizer necessário para resolver problemas técnicos.

VI. Atividades nas comunidades

1. Primeiro ano

• Após a finalização de cada uma das unidades do curso, os alunos serão divididos em 10 equipes de 5 alunos para acompanhamento dos Seminários “O despertar do saber e do potencial empreendedor quilombola” e “Construção do Plano de Negócios a partir do Desenvolvimento Etnosustentado”, que será realizado em todas as comunidades dos participantes do curso. Totalizando a realização de 100 seminários em 50 comunidades.

• Cada aluno ficará encarregado de montar uma cooperativa de empreendedores em sua comunidade

• Carga horária total: 1.088 horas,

- presencial (6 unidades teóricas = 240 horas )

- seminários supervisionados nas comunidades = 80 horas

- trabalho prático nas comunidades: 768 horas

2. Segundo e terceiro ano

• Cada aluno escolherá e abordará 9 novas comunidades, onde aplicará, acompanhado da equipe CEABRA, os seminários; “Despertar do saber e do potencial empreendedor quilombola” e “Construção do Plano de Negócios a partir do Desenvolvimento Etnosustentado”

• Tarefas de cada aluno:

1- Manter em andamento o plano de negocio iniciado em sua comunidade

2- Formar e manter mobilizados grupos de trabalho permanentes nas 9 novas comunidades para contribuir na mobilização e organização dos seminários, organização da cooperativa e do plano de negocio

3- . Organização legal de cooperativa e implementação do plano de negocio em cada uma das 9 comunidades.

• Carga Horária total : 2.800 horas;

- aplicação de 18 seminários supervisionados: 288 horas

- discussões e atividades virtuais: 600 horas

- trabalhos nas comunidades: 1920 horas ( 16 h/mês)

VII. Impactos nas comunidades

1. Curto prazo

As comunidades escolhidas para desenvolvimento dos planos de negócio passarão por intenso processo de discussão de suas realidades, potencialidades, sonhos individuais e possibilidades de realizações comunitárias. Será um exercício muito forte, onde as dimensões da vida individual e coletiva estarão se defrontando permanentemente, exigindo então o crescimento do espírito e da integração comunitária, necessários para a organização formal, projeção e trabalho daqueles que acreditarem e desejarem se adentrar na vida empreendedora

2. Médio e longo prazo

Para desenvolver os empreendimentos na agricultura, agroindústria, turismo ou artesanato, será necessário desenvolver e disponibilizar paralelamente as infra-estruturas de energia, transporte, água, saneamento, educação, saúde, comunicação, segurança e outros bens e serviços importantes.

Esses empreendimentos vão gerar ocupação e renda, trazendo possibilidades de promoção do poder de compra de bens e serviços de toda comunidade. Haverá a promoção da informação, da cidadania, da massa crítica, afirmação da cultura e da auto estima quilombola, que de alguma forma levará a reflexos positivos nas relações sociais, culturais e representatividade política dessas comunidades.

VII. Programa Teórico do 1º ano

A primeira unidade e os encontros nos 2º e 3º anos serão unificada para as duas turmas, e o restantes das unidades serão realizados em datas e locais diferentes.

1ª. Unidade - Conceituação de desenvolvimento etnosustentado I. Importância da organização social para representação política e viabilização do empreendedorismo etnosustentado. As leis que garantem os direitos das comunidades remanescentes de quilombos I. Os órgãos públicos atuantes nas áreas de interesse quilombola I. Associativismo e cooperativismo I, Conflitos sociais e meio ambiente I.

2º. Unidade – Conceituação de desenvolvimento etnosustentado II. As leis que garantem os direitos das comunidades remanescentes de quilombos II. Associativismo e Cooperativismo II, Conflitos sociais e meio ambiente II, Comunicação, prevenção e solução de conflitos I

3º. Unidade –As leis que garantem os direitos das comunidades remanescentes de quilombos III. Associativismo e Cooperativismo III, Conflitos sociais e meio ambiente III , Comunicação, prevenção e solução de conflitos II. Noções de agro silvo pastoreio ecológico e como base da subsistência I, Verticalização certificação e agregação de valor a produção I, Eco turismo e turismo etnocultural.

4º. Unidade – Prevenção e solução de conflitos III. Noções de agro silvo pastoreio ecológico como base da subsistência II, Verticalização certificação e agregação de valor a produção II, Passos na construção do plano de negócios de Ecoturismo e turismo etnocultural I. Negociação e Mediação de conflitos I

5º.Unidade - Noções de agro silvo pastoreio ecológico como base da subsistência III, Verticalização certificação e agregação de valor a produção III, Passos na construção do plano de negocio de eco turismo e turismo etnocultural II, Passos na construção do plano de negocio na agro industria I Negociação e Mediação de conflitos II, Jogos e técnicas de dinâmica de grupos populares I

6º Unidade - Noções de agro silvo pastoreio ecológico como base da subsistência IV, Passos na construção do plano de negocio na agro industria II, Negociação e Mediação de conflitos III, , Jogos e técnicas de dinâmica de grupos populares II

Programa de reuniões para o 2º e 3º ano - No segundo e terceiro ano serão realizados 2 encontros gerais com o objetivo de reciclar conhecimentos, avaliar os encaminhamentos dos planos e articular novas ações.

Entidade propositora: Coletivo de Empresários e Empreendedores Afro Brasileiros – CEABRA

Responsável Técnico - Eng.º Agr.º Valdo França - [email protected]

Brasília - Tel - 61-307-1067 9974-5604

Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7