A economia mundial vive, pelo seu sexto ano consecutivo, mais um período de enorme liquidez. Ou seja, há muito recurso disponível no mercado internacional. A maior parte destes recursos vem novamente dos petrodólares (dólares procedentes do comércio de petróleo, graças ao forte aumento no seu preço internacional, particularmente a partir de 2005). Efetivamente, os preços do chamado "ouro negro", que hoje atingem novamente os US$ 70,00/barril, saíram de US$ 12,75/barril na média de 1998, para US$ 24,53 na média de 2001; US$ 38,00 na média de 2004; US$ 57,62 no final de 2005; e US$ 62,28/barril no final de 2006 (Brent Mar do Norte). Mas igualmente o aquecimento da economia chinesa, que vem crescendo a taxas ao redor de 10% ao ano, nestes últimos anos, estimulou um aumento na liquidez mundial, dentre outros fatores. Com isto, as aplicações nas bolsas de valores e mercadorias do mundo inteiro, e particularmente junto aos países emergentes que possuem economias estáveis, caso do Brasil no momento, cresceram significativamente, escapando da racionalidade econômica e caindo na euforia especulativa. Paralelamente, as economias que adotam câmbios flutuantes, também o caso brasileiro, viram acorrer a elas uma quantidade ímpar de moeda estrangeira (dólares), derrubando sistematicamente o valor desta moeda em relação à moeda nacional. A ponto do Real brasileiro chegar a R$ 1,90 no início de junho de 2007, valor que não atingia desde fins de 2000. Afora os impactos diretos de tais movimentos no conjunto da economia mundial e nacional, prejudicando alguns setores e favorecendo a outros, tal comportamento estaria a ponto de sofrer uma reversão de tendência. O tamanho da mesma poderá ser dolorido para os menos preparados.
Confira também - Economia: uma correção se aproxima (?) (II)

