Isso acontece porque as famílias que viram seu poder aquisitivo melhorar um pouco nesse último ano, via crédito fácil, agora, para manter o padrão e diante do aperto monetário que o país se obriga a fazer para evitar o estouro da inflação, se socorre nas fontes mais fáceis de financiamento (cheque especial e cartão de crédito), porém, as mais caras existentes. Essa verdadeira armadilha já pegou os brasileiros em geral e é sem retorno. Por exemplo: quem financiou a compra de um automóvel em 60 a 90 meses, entusiasmado pelas facilidades oferecidas, passado um ano e meio, mesmo vendendo o automóvel não paga a dívida feita, pois o carro se desvaloriza rapidamente. Assim, além de gerar inadimplência, o sistema gera a impossibilidade, da forma como está sendo construído, das famílias reporem seus bens e continuarem o ciclo consumista e, portanto, de investimentos no país. A máquina econômica vai emperrar, gerando menos crescimento e menos emprego já a partir de 2009, se nada for feito rapidamente. Com o agravante de que o comércio externo, diante da crise mundial, igualmente sofre agora uma freada. Em muitos casos, a soma das prestações não cabe mais no salário, havendo o risco de muitos terem seus empregos suprimidos futuramente. Na prática, o orçamento familiar já passou do seu limite de endividamento. Soma-se a isso a brutal e desigual carga tributária paga pelo brasileiro, em troca de péssimos serviços públicos, e o quadro está feito. Segundo o IPEA, os 10% mais pobres deste país sofrem uma tributação de 32,8%, enquanto os 10% mais ricos pagam, em média, 22,7% de tributos. Isso que os mais pobres não pagam imposto de renda! Em ICMS, os mais pobres pagam 16% enquanto os mais ricos apenas 5,7%. E são exatamente os mais pobres, e parte da nova classe média, que se inviabilizam agora ao sabor do crédito fácil.
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