Nestes primeiros dias de setembro três notícias imbricadas e um tanto contraditórias vieram à tona no Brasil. A primeira dá conta de que as famílias estão aprendendo a controlar seus gastos. A segunda, que o crescimento da economia em 2008 poderá ser melhor do que o esperado, devendo chegar a 5%, segundo o Ministro da Fazenda. A terceira, que as famílias brasileiras estão com um enorme endividamento. Na prática, além dos fatores externos que conhecemos, a inflação no Brasil subiu rapidamente pelo aquecimento da demanda interna. Ou seja, o governo liberou mecanismos de crédito facilitados, propiciando à demanda reprimida um aumento do consumo. Esse fenômeno aquece a economia e eleva, sem dúvida, a taxa de crescimento. O movimento é tão intenso que o Banco Central brasileiro passou a elevar os juros básicos para frear tal demanda e segurar a inflação. Conseqüentemente, no médio prazo, freia o crescimento da economia igualmente. Nessa lógica, apesar do Brasil estar conseguindo crescer entre 4% e 5% nos últimos anos, contra 2% a 2,5% nos anos de 1990 e início dos anos 2000, o próprio governo acabou armando uma bomba-relógio contra o crescimento econômico. O mesmo foi feito via um importante endividamento da sociedade brasileira, principalmente os mais pobres. Hoje, a dívida no cheque especial, que representa 162,7% de juros ao ano, em média, alcança R$ 20,7 bilhões, isto é, um aumento de 12,3% sobre o registrado no mesmo período do ano passado. Já no cartão de crédito o endividamento chegava, em julho, a R$ 10,7 bilhões ou 33,2% sobre o mesmo mês do ano anterior. Esses dois instrumentos representam 60% de todos os recursos tomados pelas famílias em julho. Assim, o Brasil está à beira de uma crise de inadimplência que tende a paralisar a economia.
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