É notório que estamos vivendo uma situação emergencial no Rio Grande do Sul, quanto ao tema Aftosa, e que só agora o sr. Pratini de Morais e seus assessores deram ouvidos a nós gaúchos. Este assunto deveria ser tratado como questão de Estado, como no Uruguai, onde após 24 horas da constatação do primeiro foco já se estava vacinando; ou como nos Estados Unidos, onde já estão produzindo a vacina em uma ilha, para que estejam preparados para qualquer problema futuro.
Estamos em meio a uma epidemia mundial digna da Peste Negra e da Gripe Espanhola. Não morreremos por causa da Aftosa, pelo menos diretamente, mas quantos ficarão desempregados se ficarmos “exilados” do mundo? Quantos pequenos produtores não terão com alimentar suas famílias caso o foco chegue a suas propriedades. Ninguém segura uma epidemia como esta!!! Nem a teimosia daqueles que almejam alcançar metas puramente “políticas” em cima deste tema. Esquecendo-se que não se trata só de dinheiro, mas sim de termos uma vida que tenha significado. O valor do material genético de nosso rebanho não é só pecuniário, há o trabalho e o suor que gerações levaram para consolidá-lo. Hoje temos condições e somos reconhecidos nacionalmente e internacionalmente como banco de genética de ponta.
Eis a pergunta: será que evoluímos?? Do muito horrível para ruim? Talvez! Mas continuamos em uma situação de perigo. Não há como impedir a entrada do vírus, não podemos impedir que os pássaros que comem carrapatos com o sangue de animais contaminados cruzem a fronteira; é comprovado que em determinadas condições de temperatura e umidade o vírus pode ser transportado pelo vento, etc.; nem a Inglaterra, que é uma ilha no primeiro mundo, conseguiu. No Uruguai, apesar da vacinação, o vírus chegou a Livramento e Trinta e Três, que fazem divisa com o nosso estado. A vacinação das fronteiras é um passo, só para não dizermos que não é nada. Tenho a convicção de que corremos o mesmo risco que tínhamos antes da opção pela vacinação periférica. Temos que continuar lutando para que o rebanho gaúcho seja todo vacinado, pela genética, pela economia e pela nossa dignidade.
Coluna de
Fabiano Defferrari Gomes
Evoluímos?
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