Não é de hoje que a influência dos diferentes Fundos (de investimento, pensão etc...) vem sendo cada vez mais aguda no cenário econômico e financeiro mundial. Estes instrumentos foram os que mais rapidamente se beneficiaram da abertura e do novo momento da globalização econômica. Aliás, um dos grandes desafios da economia atual, neste mundo sempre mais interdependente, é criar mecanismos de controle efetivos e eficientes em relação ao deslocamento dos capitais financeiros, particularmente os puramente especulativos. Para se ter uma idéia da importância deste assunto, os grandes Fundos das principais empresas mundiais estão hoje presentes em praticamente todas as economias e mercados, influindo diretamente, inclusive, nas cotações dos produtos agrícolas, como a soja. Apenas no Brasil, os Fundos de investimentos do país captaram liquidamente, no primeiro semestre de 2006, um montante de R$ 43,2 bilhões, enquanto o seu patrimônio total atingiu a R$ 816,8 bilhões no final de junho, após R$ 719,9 bilhões em dezembro. Em outras palavras, o seu patrimônio total cresceu 13,5% nos primeiros seis meses deste ano enquanto a inflação do período, medida pelo IPCA ficou em 1,54% e a medida pelo IGP-M alcançou 1,40%. Em relação ao primeiro semestre de 2005, os recursos aplicados em fundos de investimentos apresentam um crescimento de 363% nestes primeiros seis meses de 2006. O valor do patrimônio total dos Fundos do país já está próximo de toda a dívida interna do Brasil que, neste ano, ultrapassou o trilhão de reais. Assim, não é de se admirar que a nova governança mundial aponte para o domínio do capital privado sobre o poder estatal, quando se trata de alavancar as diferentes economias do mundo.
Temas:
Mais colunas de Argemiro
Ver maisEconomia
Selic mantida
Economia

