A reunião do G20, ocorrida na Coreia do Sul nos dias 11 e 12 de novembro, demonstrou que um acordo estrutural para conter a chamada “guerra cambial” mundial está longe de ser alcançado. Na verdade, a reunião foi conclusiva no seguinte sentido: o câmbio é realmente uma arma comercial, que não deve ser abusivamente utilizado pelas nações via “desvalorização competitiva” de suas moedas, porém, cada país está livre para adotar as medidas que julgar necessárias para conter a sobrevalorização de suas moedas perante a desvalorização do dólar estadunidense e do yuan chinês. Assim, o Brasil, por exemplo, que não pretende mexer no seu câmbio flutuante (e nem deveria), caminha para adotar medidas ainda mais objetivas para evitar que o Real se valorize para além de R$ 1,70. Não será fácil, porém, existe munição para tal ação. Todavia, alguns problemas podem impedir o uso eficaz de tais medidas. O primeiro deles, de ordem interna, está na impossibilidade de evitar, no curto prazo, uma nova elevação na taxa básica de juros (Selic). Tarefa que, por ser ingrata, ficou para o novo governo realizar. Isso porque a inflação nacional continua avançando e se distanciando da meta (4,5% ao ano), inclusive nas projeções para 2011. A tal ponto que o acumulado dos 10 primeiros meses de 2010 já supera a inflação total do ano anterior. Como as reformas não saem, o governo será obrigado a aumentar os juros (projeta-se uma Selic em 12,75% para o final de 2011). Ora, aumento de juros atrai mais dólares ao país e sobrevaloriza ainda mais o Real.
G20, guerra cambial e incertezas (II)
O segundo problema, de ordem externa, se encontra no fato de que ainda existem muitas incertezas quanto à saída das principais economias do mundo da crise, iniciada em meados de 2007. Com isso, os juros mundiais não sobem e os capitais especulativos buscam no Brasil, e outros países menos atingidos pelo problema, ganhar com os altos juros ali praticados. Além disso, em muitos países, particularmente na União Europeia, se adota (corretamente embora impopular) medidas rigorosas de ajustes fiscais e de contenção nos gastos públicos (coisa que o Brasil terá que fazer logo mais). Assim, os indicadores da economia mundial estão confusos, não dando nenhuma pista de para onde as principais economias do mundo caminham. Se, por um lado, a Alemanha parece se recuperar, por outro lado a Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal, Itália e mesmo a França e a Inglaterra indicam o contrário. Assim como os EUA e o Japão, que estagnaram e demoram para reagir. Para completar, a China, às voltas com um crescimento ainda importante de sua economia, vê sua inflação subir (em outubro a mesma atingiu a sua maior taxa anualizada – 4,4% - em 25 meses) e adota medidas de contenção da economia, agitando negativamente o mercado mundial. Nesse contexto, o risco de recaída da economia internacional, e particularmente europeia e de outros países desenvolvidos, embora não deva ser superestimado, existe. O mesmo está sendo calculado como tendo 25% de chances de ocorrer, indicando que 2011 ainda será um ano difícil para todos.