A família Monteiro reside, há 30 anos, em Campo Grande. Seus próceres, Marcela e Zeito, agrônomos, criam gado no Pantanal. Idealistas, inventaram uma nova técnica: a “gradeação ecológica”. Mostram como, na prática, se compatibiliza pecuária com preservação ambiental.
O simpático casal, formado na Esalq, em Piracicaba, conta com o auxílio dos três filhos, também agrônomos. Naquela terra alagada do Mato Grosso do Sul, cheia de matadores de onça, defender a natureza soa estranho. Afinal, derrubar a mata ainda continua a ordem do insustentável progresso. Mas a família Monteiro insiste. Na fazenda S. João, produzir não significa depredar.
A planície pluvial do Pantanal, chamada de “chaco” no Paraguai e Bolívia, mede o tamanho do território paulista. O lado brasileiro ocupa 60% do curioso ecossistema, distribuindo-se entre Mato Grosso (35%) e Mato Grosso do Sul (65%). Bioma riquíssimo em biodiversidade, sofre a terrível ameaça predatória da civilização.
Cerrados ralos e cerradões constituem a vegetação elevada, formando matas fechadas conhecidas como cordilheiras. Estas se entremeiam com os típicos campos do Pantanal, terras baixas, alagadas temporariamente durante a cheia. Lagoas coalhadas de jacarés permeiam campos e cordilheiras, trazendo aspecto impar à região. Soberba biodiversidade.
Curiosamente, pequenas elevações do terreno, murunduns de superfície arredondada, se destacam na paisagem dos campos. Chamados de capões, essas proeminências do terreno, contendo minúsculos bosques, permanecem fora d’água mesmo no período das chuvas. Os adorna, invariavelmente, um cupinzeiro.

