O IBGE acaba de anunciar a inflação brasileira oficial, medida pelo IPCA, do mês de maio. A mesma ficou em 0,10% contra 0,21% em abril. Ou seja, houve um recuo da inflação no último mês, apesar das turbulências na área cambial. Com isto, a inflação anualizada, ainda medida por este índice, está abaixo da meta inflacionária, estabelecida em 4,5% para este ano de 2006. Até agora, em 12 meses, a mesma chega a 4,23%, sendo a menor inflação anual, desde junho de 1999. Nos primeiros cinco meses deste ano de 2006, a referida inflação atinge a 1,75%. Neste contexto, a tendência é do Brasil cumprir a sua meta inflacionária para o corrente ano. Desta forma, neste campo, há espaço para novas reduções na taxa de juros, medida pela Selic. No entanto, por que o COPOM informa que o ritmo da redução deverá diminuir e mesmo estagnar? Porque a redução dos juros não depende apenas do comportamento inflacionário nacional. Na prática, um outro fator é decisivo: a captação de recursos externos. Por sermos um país sem poupança interna suficiente aos nossos gastos e necessidades, precisamos atrair os capitais externos. Neste sentido, um elemento importante é a taxa de juros a qual, juntamente com a taxa de câmbio, servirá de balizador para o investidor estrangeiro calcular sua taxa de retorno ao colocar seu dinheiro no Brasil. Ora, como os juros nos EUA estão subindo, com tendência a subir ainda um pouco mais, os capitais começam a se interessar mais pelo mercado estadunidense, deixando de lado os países emergentes como o Brasil. Assim, não podemos acelerar muito a redução de nossos juros sob pena de irmos na contramão do mercado, afugentando os capitais externos ao invés de os atrair. Assim, a Selic deverá estacionar ao redor de 14% em termos nominais até o final do ano.

