Efetivamente, o juro básico encerrou 2006 em 13,25%, fato que associado à inflação oficial, resultou em um juro real ainda altíssimo, de 10,11%. Para este novo ano, a tendência atual para a Selic será fechar 2007 entre 11,5% e 12%. Ou seja, o recuo em relação ao ano anterior será entre 1,25 a 1,75 ponto percentual, contra um recuo de 4,75 pontos durante o transcorrer do ano passado. Nestas condições, e considerando um crescimento da inflação para 4% a 4,5%, a taxa real de juros poderá ficar, no final de 2007, entre 7% e 8%. Ainda muito alta (a maior do mundo), porém, bem menor do que a registrada nestes últimos anos. Entretanto, a questão fundamental é que sem as reformas estruturais no Estado, este movimento não será sustentável e o governo se verá obrigado a elevar novamente os juros para financiar sua dívida e, se houver derrapagem, até mesmo para controlar a inflação. Assim, o problema de fundo, que data de décadas e ficou mais premente desde 1994, continua não sendo atacado. Em outras palavras, paliativamente “se continua combatendo a febre e não a doença que vem causando a febre”.