Chegou a K-5000, a máquina de colher laranja. Exposta na vitrine do Agrishow, lá estava ela, imponente, espantando os incrédulos. O surpreendente invento nasce com a marca do sucesso. Seu parente próximo, a colheitadeira de café, funciona há 30 anos. Maravilhas da engenharia agrícola.
O berço dessa surpreendente tecnologia mora em Pompéia, interior paulista. Lá vive Shunji Nishimura, um mito do empreendedorismo agroindustrial. Imigrante japonês, em 1948 ele fundou a Jacto, fábrica de implementos agrícolas. “Conserta-se tudo”, dizia a placa estampada em sua oficina original.
Naquela época, o algodão dominava o oeste paulista. A grande crise da mundial quebrara a economia cafeeira, abrindo as portas para novas atividades rurais. Durante, pelo menos, duas décadas, a cotonicultura iria capitanear o crescimento do interior. As regiões da Sorocabana e da Paulista, assim conhecidas graças ao ramal da estrada de ferro, tiveram no ouro branco seu alicerce econômico. Embora curto, um apogeu.
Extremamente suscetível às pragas e doenças, a cultura do algodão demanda forte dose de agrotóxicos em sua proteção. Muitos ainda se lembram que naqueles tempos os venenos agrícolas vinham em pó. Nesse ponto o obstinado Nishimura burilou sua criatividade com perícia mecânica. A primeira máquina polvilhadeira do Brasil surgiu utilizando um galão vazio de querosene, daqueles utilizados durante a Segunda Guerra Mundial. Árduos tempos.

