No caso dos demais cultivos anuais (soja, milho etc..), as suas ofertas e a sua inflação diária também poderiam ser muito bem controladas, desde que o Governo realmente queira e aja preventivamente e não para a mídia, lembrando que o preço do milho também é elevadamente estratégico para o controle da inflação do leite e das carnes de aves e de suínos.
INCRIVELMENTE, beneficamente, apenas o Brasil no Mundo tem condição de produzir 2 safras anuais de milho (nem na Índia e China, com 2 períodos chuvosos/ano é possível no mesmo local), mas não estamos sabendo usar devidamente estas vantagens competitivas e benesses climáticas e geográficas “divinas” em prol, realmente, de nosso povo e do controle direto da oferta diária de muitos alimentos seus dependentes (lácteos, suínos, aves corte, ovos, ovinos/caprinos etc..).
Assim, na pratica, os únicos cultivos altamente sensíveis para controle da inflação diária, se realmente de vontade governamental e nunca via elevação da taxa de juros, são as ofertas estratégicas e localizadas dos hortifrutigranjeiros. Cito localizadas, pois seus efeitos maléficos na inflação diária se dão mais nas grandes cidades e nas capitais, sendo bem menores ou até quase nada percebidos no interior. Afinal, poucos residentes da Agricultura familiar sentem realmente os efeitos destas elevações pelas menores ofertas sazonais ou acidentais nas grandes cidades, pois a maioria dos AF produz de quase tudo localmente para auto-consumos ou para auxiliar/socorrer vizinhos ou parentes, até das cidades vizinhas. È pena que o IBGE ainda não possa medir a inflação também nas pequenas cidades, onde, alias, funciona realmente aquele tal “efeito substituição”.
Assim, duas máximas e ações preventivas são fundamentais para se controlar, ate facilmente, a inflação diária de alimentos, sem precisar-se elevar a taxa de juros e matar boa parte do emprego, das empresas, da demanda e da economia:
1) Re-implantar, imediatamente, uma POLÍTICA DE CONTROLE, DE ACOMPANHAMENTO DAS NEGOCIAÇÕES, DE FISCALIZAÇÕES NO VAREJO E DE PUNIÇÕES DAS ELEVAÇÕES CARTELIZADAS, OU NÃO, DOS PREÇOS DOS ALIMENTOS (tipo a que o Prof. José Milton Dallari fez, corretamente e com altos resultados benéficos para o povo, quando se tornou o “xerife dos preços” em 1994 - vide link a seguir). No momento, é até comum os preços baixarem em nível de produção e, na outra ponta, elevaram no varejo (vejam os casos atuais da carne de frango e do leite), tudo por forte especulação/cartelização e que já toma conta de quase toda a oferta de alimentos e outros itens, tudo porque o nível de acompanhamento e de controle do Governo é “zero”, sempre esperando e dizendo na mídia que o mercado se regulará pela livre concorrência (como ditam os manuais do FMI e acho que do BACEN e MINIFAZ), o que nunca ocorrerá no País, pois não é esta a cultura de nossas indústrias/atacado/varejo, além do que estamos em pais de clima tropical;
2) Re-criar ou, realmente, DIVULGAR e dinamizar o programa “INOVAGRO” do MAPA (com juros de 8,5% a.a., um pouco menos do que a inflação anual esperada, mas com prazo de 10 anos e carência de 3; limite de R$ 1,0 milhão/produtor) para instalar-se, rapidamente, milhares de estufas estratégicas e baratas para produção local, a maior parte perto das grandes capitais da inflação do IBGE, de muito mais hortifruigranjeiros (os maiores vilões comprovados da inflação de alimentos), inclusive direcionando excedentes, “in natura”/resfriados ou na forma de polpas congeladas e outra formas para exportação. No link a seguir há bastante detalhes sobre esta propostas e suas formas e efeitos da implantação em países com elevada experiência no assunto como Espanha, Portugal, Inglaterra, Holanda e Itália (os maiores produtores/exportadores da Europa) e também no Japão e China (o maior produtor mundial de hortifruti em estufas).
É pena que os técnicos do Governo não leiam ou não pesquisem ou não creiam no que este técnico “bocó” escreve por aqui.
Vide meu artigo de março/2015 acerca: "Consumidores inteligentes derrotam a inflação":
http://www.agrolink.com.br/culturas/soja/coluna/-consumidores-inteligentes-derrotam-a-inflacao-_6788.html
Vejam também este abaixo dede outubro/2014 (que parece que ninguém do Governo leu ou quer ler) somente sobre produção de hortifruti em estufas no mundo e seus resultados para o controle da oferta local de alimentos, inclusive para exportações: “A inflação de alimentos só recuará com muito mais estufas”.
http://www.agrolink.com.br/colunistas/a-inflacao-de-alimentos-so-recuara-com-muito-mais-estufas_6595.html
Já o link a seguir mostra um excelente exemplo de produção de tomate com alta produtividade para maior oferta interna e até exportações, ou seja, com bem maiores lucros honestos e justos para o grupo produtor.
Trebeschi tomates de Araguari se destaca e produz 18 t. de tomate gourmet por dia em 2014 –
(variedade foi importada do Japão e levou 8 anos para se adaptar ao clima. Produto é levado ao mercado nacional e América do Sul)
http://www.correiodeuberlandia.com.br/cidade-e-regiao/empresa-de-araguari-se-destaca-e-produz-18-t-de-tomate-gourmet-por-dia/
ANÁLISES COMPARATIVAS SOBRE OS PRINCIPAIS TEMAS -
Taxas de juros recentes praticadas nos principais países (por alguns motivos, escorchantes no Brasil e Argentina)
Visando a, teoricamente, controlar a inflação diária, via redução da oferta e, na pratica, mais para atrair investimentos estrangeiros (boa parte altamente especulativos na Bolsa) e gerar grandes lucros para os poderosos b.....(TOTALMENTE CONTRA O POVO, EMPRESAS, EMPREGOS etc..), a taxa de juros praticada no Brasil entre agosto e outubro/2016 chegava a incríveis 14,25% a. a. (só perdendo para a da Argentina).
Notem os baixos juros praticados em países concorrentes diretos do Brasil no mercado mundial (Índia com 6,2% a.a.; Indonésia com 5,0% a.a.; México com 4,75%; China com 4,5% a.a; Chile com 4,03%; Austrália com 1,5%; EUA com 0,5% a.a.).
Este assunto é um grande tabu e até perigoso no Brasil e poucos se atrevem a questioná-lo ou criticá-lo.
Sabe-se que os bancos repassam seus baixos custos de captação (depósitos à vista diários do POVO com custos de 0% a. a. e incidindo sobre cerca 35% do valor depositado – fora compulsórios e exigibilidades para aplicações rurais somando cerca de 65% do total – e/ou depósitos em poupanças com custo de cerca de 12% a. a. = juros de 6,2% a.a + TR) com altíssimos lucros finais. Mesmo com tais baixos custos, os valores eram repassados aos clientes finais, enforcados, por até 451% a. a. no cartão de credito e nas financeiras pessoais em setembro/2016 e para veículos usados de ate 70% a. a. e também de muitos veículos novos de alguns fabricantes/revendas (inclusive algumas que, sabiamente, incluem seus elevados custos reais com juros em longo prazo no preço do veiculo, de forma a anunciá-lo como com “juros baixos” e até “juros zero”. Incrível e só mesmo no Brasil).