O Fundo Monetário Internacional (FMI) acaba de indicar, como um caminho para solucionar os efeitos da crise econômica, um pouco mais de inflação na economia mundial. Para os países desenvolvidos, particularmente os da União Europeia, cuja meta inflacionária anual é de 2%, a proposta seria passá-la para 4%. Uma proposta no mínimo controversa.
A justificativa seria que uma meta inflacionária mais elevada permitiria, quando de novas frenagens da economia, ter mais instrumentos para estimular o mercado. Isso porque, hoje, para evitar uma crise ainda maior os bancos centrais dos países ricos reduziram os juros ao nível mínimo possível (alguns chegaram a praticamente 0% ao ano, caso dos EUA e Japão), ficando agora incapacitados de utilizar novamente tal arma, com o risco de uma espiral deflacionista que levaria a uma redução dos preços, a qual desencorajaria os investimentos e o consumo.
Tal proposta, no entanto, é perigosa e causou reações negativas em muitos países, principalmente na Alemanha, que viveu sua hiperinflação nos anos de 1920 e sabe muito bem dos efeitos nefastos de uma alta de preços sem controle na economia. No Brasil, onde este debate também tem circulado, a experiência recente de hiperinflação deveria levar a uma reflexão profunda sobre a validade de se deixar a inflação ganhar terreno.
Para alguns economistas mundiais, trata-se de rever a doutrina dominante que defende que a estabilidade da economia está diretamente ligada ao controle dos preços.
Mais inflação como solução (?) (II)
Ora, tal decisão não é tão simples! Em primeiro lugar porque a inflação não se decreta. Pode-se apenas estabelecer metas e tentar cumpri-las, usando mecanismos como a taxa de juros para dominá-la. Em segundo lugar, revisar para cima a inflação, em a economia retomando ter-se-á uma pressão ainda maior dos preços, fato que obrigará os bancos centrais, para controlá-la, a elevarem fortemente as taxas de juros.
Algo igualmente que não é saudável! Em terceiro lugar, os economistas alemães possuem uma expressão lapidar a respeito do assunto: “Quem deseja flertar com a inflação acaba rapidamente casando com ela.”. Em quarto lugar, deixar a inflação subir significa penalizar o poder de compra da população, além de derreter os rendimentos da poupança (e correções monetárias, tipo a que o Brasil adotou no passado, apenas alimentam ainda mais o processo inflacionário com o tempo), fato que atinge muito mais as classes menos favorecidas.
Enfim, para países como o Brasil, cuja crise foi relativamente bem controlada, justamente graças a estabilidade da economia, entrar no jogo de “mais inflação para incrementar o crescimento” é voltar ao passado e dar chances ao retorno da hiperinflação. Dito isso, o debate está posto no mundo! Para muitos, o mundo não sairá da crise sem inflação.
O retorno da inflação, pela injeção maciça de recursos públicos na economia, acontecerá entre 2010 e 2011 nos países ricos. Esse fato deverá provocar uma retomada da elevação dos juros para evitar que “a coisa” saia do controle. As consequências serão profundas para todos!