O Brasil poderá conseguir um crescimento econômico de 4% em 2006. Os mais otimistas chegam a projetar um percentual ainda maior. Todavia, o balizador desta taxa está no nível de investimentos a ser alcançado pelo país. No primeiro trimestre deste ano, a taxa de investimento chegou a 20,4%, seu melhor nível nos últimos cinco anos. A média do ano passado ficou em 19,9%. Assim, enquanto o PIB cresceu 3,4% no primeiro trimestre deste ano, comparado com igual período do ano anterior, isoladamente os investimentos avançaram 9%. No entanto, boa parte de tais investimentos acabam sendo resultado de uma "bolha eleitoral". Ou seja, o governo federal liberou recursos, até mesmo acima de algumas possibilidades, visando a reeleição do presidente Lula. Isto deverá cessar em 2007. E, para conseguirmos crescer 4% no PIB, precisaríamos hoje de uma taxa de investimentos de pelo menos 25% do PIB. Estamos longe de alcançarmos tal resultado. Isto porque, além da redução na taxa de juros, medida pela Selic, que ainda deve cair um pouco mais até o final do ano, o país precisa de uma ampla reforma fiscal e de um efetivo controle dos gastos correntes. Ora, a incompetência administrativa e política nacional não estão permitindo fazer tal movimento. Sem isto, nada de melhorar a competitividade, reduzir custos e baixar substancialmente os juros. Na prática, em termos de investimentos, nos últimos 48 anos, a nossa melhor performance ocorreu em 1989, quando alcançamos 26,86% do PIB. A pior ocorreu em 1961, com 12,95% do PIB. Enfim, desde 1995 o Brasil não havia conseguido chegar a uma taxa de 20%, tendo variado entre 17,78% e 19,9% nos últimos 10 anos.
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