A lógica de uma inflação reduzida está justamente na melhoria do poder de compra dos salários. Mas não somente isto! Os próprios reajustes salariais acabam sendo relativamente melhores. Este é um dos grandes méritos do Plano de Estabilização Econômica, implantado no Brasil sob o nome de Plano Real. A sua manutenção, já há 12 anos, resultou, neste primeiro semestre de 2006, nas melhores negociações salariais já obtidas pelos trabalhadores brasileiros desde 1996. Segundo o DIEESE, das 271 negociações salariais por ele acompanhadas neste primeiro semestre, 96% fecharam acordos iguais ou superiores à inflação medida pelo INPC. Neste contexto, 0,7% ganharam mais de 5% acima da inflação; 2,2% ganharam entre 4,01% e 5% acima; 4,4% ganharam entre 3,01% e 4% acima; 13,7% ganharam entre 2,01% e 3% acima; 25,5% ganharam entre 1,01% e 2% acima; e 35,4% ganharam entre 0,01% e 1% acima da inflação. Apenas 4,4% das negociações ficaram abaixo da inflação. Dentre os diferentes motivos que auxiliaram a melhorar o nível de renda dos trabalhadores, em suas negociações, além da redução da inflação, encontra-se a redução dos juros básicos, medidos pela SELIC, hoje em 14,75% ao ano. Isto mostra a importância e a necessidade dos juros comerciais, junto aos bancos, igualmente recuarem de forma significativa, distribuindo melhor a renda e gerando maior consumo, emprego e PIB. Isto permitirá também um crescimento nos investimentos do setor privado na área produtiva, deixando o mesmo de aplicar, sobretudo, no sistema financeiro, o qual socialmente nada gera. Não é por acaso que o governo Lula deu seguimento à política econômica implantada pelo governo anterior. Este também tem de ser o caminho do próximo governo eleito.
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