As cotações em Chicago ensaiaram uma recuperação durante a semana, porém, não encontraram sustentação, vindo a recuar para os mesmos níveis da semana anterior. O fechamento, para o primeiro mês cotado, ficou em US$ 4,56/bushel no dia 09/03. O farelo igualmente se mantém em níveis baixos (US$ 158,30/tonelada curta), muito longe dos US$ 192,00/tonelada curta registrados no início de janeiro. O lado positivo continua, neste momento, sendo o óleo. O fechamento no dia 09/03 bateu em 16,05 centavos de dólar por libra-peso (os estoques de óleo de soja nos EUA, em janeiro, ficaram 6,18% acima do registrado em dezembro enquanto o mercado esperava uma diferença maior). Esta é a cotação mais alta, para este subproduto, desde meados de junho de 2000.
As informações de clima seco em algumas áreas da Argentina e principalmente no Brasil deram uma certa sustentação ao mercado durante a semana. Entretanto, o relatório do USDA, no dia 08/03, acabou revertendo a postura do mercado. O mesmo, para a soja, além de confirmar a safra 2000/01 em 75,39 milhões de toneladas, apenas aumentou um pouco as exportações norte-americanas, agora estimadas em 26,54 milhões de toneladas (+1,6% sobre o anunciado em fevereiro), fato que elevou o consumo total em 0,6% e reduziu os estoques finais para 8,98 milhões de toneladas (-4,3% sobre fevereiro, porém, ainda 13,8% acima do registrado em 1999/2000). Nestas condições, o próprio USDA informa que os preços médios da soja, em Chicago, deverão oscilar entre US$ 4,45 e US$ 4,65/bushel no atual ano comercial 2001/02.
Ao mesmo tempo, o relatório elevou a produção de soja na Argentina, passando-a para 25 milhões de toneladas, e manteve em 35,5 milhões de toneladas a safra brasileira (a CONAB estima a safra nacional em 34,8 milhões de toneladas). Ou seja, o USDA não estaria levando em conta as possíveis quebras localizadas que estariam ocorrendo nos dois países nestas últimas semanas mais secas. No Brasil (veja relatório da semana passada), além de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Bahia, também o Rio Grande do Sul começa a se ressentir da falta de chuvas neste mês de março. Em muitas regiões a situação já estaria no limite e, caso não chova nesta próxima semana, estaria hipotecada a expectativa de uma safra cheia. É bem provável que haja superestimação da safra brasileira, fato que poderá ser revisto nos próximos dias.
Em termos mundiais, o relatório reviu para cima o volume final a ser colhido. Agora, o mesmo atinge a 169,58 milhões de toneladas, batendo em 6,4% a safra do ano anterior. Com isto, os estoques finais mundiais de soja são estimados atualmente em 27,82 milhões de toneladas ou 3,7% acima do verificado em 1999/2000.
Na Europa, o mercado de farelos CIF Rotterdam operou com poucas alterações durante toda a semana. A demanda européia está relativamente abastecida e o inverno está terminando no hemisfério norte.
Quanto ao Brasil, a colheita avança, tendo chegado a 12% no dia 02/03, contra 9% na média histórica. No Paraná a mesma chegava igualmente a 12%, contra 24% no Mato Grosso, 10% no Mato Grosso do Sul e 26% em Goiás. Os registros de exportação, em 15/02, acumulavam 2,18 milhões de toneladas para o grão (1,8 milhão no ano anterior), 1,84 milhão para o farelo (2,03 milhão no ano anterior) e 331.000 toneladas para o óleo (316.000 toneladas no ano anterior).
Os preços internos voltaram a recuar no Sul do país enquanto no Centro-Oeste houve uma pequena elevação dos mesmos. A média gaúcha, ao produtor no balcão, ficou em R$ 17,63/saco (-0,5% em relação a semana anterior). Para lotes, o mercado gaúcho registrou uma variação média entre R$ 19,00 e R$ 19,20/saco, com queda de até R$ 1,50/saco em algumas praças gaúchas. No Paraná o preço do lote recuou para R$ 16,25/saco, fato que mostra a tendência para o produto gaúcho e serve de indicador para os preços no balcão, geralmente mais baixos. Em Ponta Porã (MS) e Rio Verde (Goiás) a média semanal subiu R$ 0,20/saco, com o preço se estabelecendo respectivamente em R$ 15,50 e R$ 16,75/saco.
Isto tudo, diante de um câmbio que se mantém firme, tendo chegado a R$ 2,05 no dia 08/03, puxado pela crise política que atinge, neste momento, o Brasil e pela crise político-econômica em que se vê envolvida a Argentina.
A tendência continua indicando, em não havendo maiores prejuízos climáticos, para um recuo dos preços no sul do Brasil na medida em que a colheita avança.
Por fim, no mercado de farelo, o preço FOB no interior de São Paulo girou ao redor de R$ 355,00/tonelada, à vista. No norte do Paraná, o preço FOB ficou em R$ 350,00/tonelada. No Rio Grande do Sul o hipro CIF esteve ao redor de R$ 400,00/tonelada. Quanto ao óleo, o preço CIF São Paulo, com 12%, girou entre R$ 645,00 e R$ 600,00/tonelada. No Rio Grande do Sul houve negócios CIF a R$ 655,00 à vista.