Enquanto a economia dos EUA não decola, indicando que o mundo ainda deverá sofrer com os efeitos desta lenta recuperação do maior PIB do Planeta, os principais países desenvolvidos sabem que o tempo das reformas chegou. E as mesmas serão duras, mesmo a classe política demorando em aceitar o fato. Nos EUA, o desemprego continua crescendo, atingindo a 16,5% da população ativa se considerarmos o desemprego parcial. Para os norteamericanos, um desemprego acima de 10% é intolerável. Na Europa Ocidental a coisa não é diferente. A Espanha bate em 20% de desemprego e a França em 9%, enquanto o Reino-Unido e a Itália alcançam 8%. No Brasil igualmente, apesar do reaquecimento atual da economia, as taxas de desemprego, se considerarmos a informalidade, ultrapassam esses níveis. E não há solução fácil! A ação dos Estados, em socorrer suas economias, já encontrou seus limites e somente reformas profundas nas diferentes estruturas dos Estados permitirão que se consiga superar o atual problema, permitindo se construir uma nova regulamentação, eficiente desta vez, do capital financeiro. É nesse contexto que o mundo vê com interesse o novo sistema de regulação recentemente assinado pelo governo Obama, visando reformar a Bolsa de Nova York e o conjunto do seu sistema financeiro. Mesmo que muitos analistas não acreditem no sucesso da mesma ou vejam dificuldades em sua aplicação, não deixa de ser um primeiro passo em busca da eliminação do chamado “cassino bursátil.”
Nos EUA as Reformas Começam (II)
Dentre as principais medidas desta reforma, tem-se: a) prevenir o risco sistêmico através da criação de um Conselho de Defesa da estabilidade financeira, o qual buscará identificar os bancos que, em vindo a falir, possam carregar consigo todo o sistema, caso do Lehman Brothers; b) neutralizar os estabelecimentos financeiros muito grandes e, por isso, mais frágeis. Em caso de ameaça de falência de um banco que possa gerar um risco sistêmico, o Estado não assegurará mais seu salvamento com o dinheiro público e providenciará seu desmantelamento; c) limitar as atividades especulativas dos bancos, ou seja, os bancos comerciais não poderão usar mais do que 3% do seu dinheiro em fundos especulativos; d) tornar transparente o mercado opaco dos produtos derivados, ou seja, terminar com o mercado de derivativos, de onde se originaram os subprimes, e que escapam a qualquer controle; e) protegero consumidor dos “créditos predadores”, ou seja, o governo quer dar um fim às práticas de ganhos fáceis do sistema bancário em cima dos consumidores, devendo os bancos assegurarem a capacidade de reembolso de quem toma emprestado. Seria salutar que os demais países adotassem medidas semelhantes! Todavia, em termos globais, ainda falta os Estados fazerem sua parte, enxugando suas máquinas públicas e reduzindo suas dívidas. Para tanto, duas premissas são fundamentais: a) governar é escolher e não gastar; b) o rigor nos gastos não é um fim mas sim um meio para se recuperar as economias de forma sustentável.