O Brasil já encontrou o caminho para chegar ao crescimento econômico, isto é, à geração mais consistente de riqueza. O que falta ainda é ajustar tal caminho para que o crescimento seja sustentável ao longo do tempo, favorecendo as gerações futuras. Para tanto, precisamos aumentar o PIB anual em pelo menos 5% a 6%, em se considerando as necessidades atuais e o aumento populacional que virá.
Inclusive, nossas armas têm sido importantes para: 1) estabilizar a economia já há 15 anos, apesar de alguns pensamentos inconsequentes ainda presentes em certos setores de nossa sociedade e, 2) para enfrentarmos bem as crises mundiais que têm surgido nesse período, particularmente a atual.
Mas somente crescer não basta. O grande desafio desse país é transformar o crescente PIB em desenvolvimento, particularmente após a crise. Ou seja, melhorar a qualidade de vida do conjunto da população nacional, permitindo que ela chegue a um estágio de vida mais duradouro e saudável.
Assim, se é verdade que, nos próximos 10 a 20 anos podemos assegurar o crescimento do país, não é verdade que teremos garantido o desenvolvimento. Este passa pela solução de alguns problemas sérios, de ordem geral, e que, se não forem atacados, não permitirão que cheguemos a um melhor nível de vida.
O centro da questão está na realização de reformas do Estado (União, unidades da federação, municípios e empresas estatais), enxugando o seu custo e tamanho, tornando-o mais eficiente e eficaz.
No contexto desse processo, será preciso, com urgência, atacar problemas específicos. Recente estudo aponta os principais (cf. Revista Época, 25-05-2009). Em primeiro lugar, temos que reduzir o tamanho do Estado. Infelizmente, o governo vem fazendo o contrário, ao contratar mais e mais pessoal.
Nosso problema é desenvolver (II)
Os diferentes concursos públicos, além dos cargos de confiança, confirmam tal atitude. Assim, para manter um quadro de pessoal, na maioria das vezes exagerado, falta dinheiro para investir nas áreas que geram desenvolvimento de fato: educação, saúde, segurança...
Para compensar a falta de recursos, o governo aumenta a cobrança de impostos de toda ordem (chegando agora na poupança). Isso trava a economia, pois os custos sobem em função do Estado. Incoerentemente, o próprio governo viu que foi bom reduzir ou retirar impostos quando precisou alavancar a economia no contexto da atual crise.
O setor automobilístico que o diga! Um segundo grande problema é as despesas com a Previdência Social. Teremos menos trabalhadores ativos nos próximos anos e, portanto, mais aposentados. Quem pagará tal conta, sem uma reforma no sistema, é a grande questão.
O terceiro problema é justamente a pesada carga tributária sobre as empresas e os cidadãos. O volume se aproxima de 40% do PIB anual e tudo vai para pagar as contas do governo e manter um Estado pesado. Os serviços públicos, em troca, continuam caóticos. Daí nasce o quarto problema!
A alta informalidade em nossa economia. As pessoas, diante do desemprego e para fugirem dos custos estatais, criam empresas e serviços informais ou sonegam impostos (tal procedimento cresceu 27,6% em 2008 no país).
Os gastos para manter um funcionário legalmente constituído ultrapassam a 100% de seu salário. Assim, “sendo caro contratar, as empresas contratam menos”. E os sindicatos, boa parte arcaicos, não querem entender tal processo.
Somam-se a isso os problemas da enorme burocracia; um sistema judicial obsoleto e pesado; e um ambiente político onde a corrupção tomou conta.
Ou limpamos tudo isso ou jamais seremos uma Nação desenvolvida.